A poucos dias das urnas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra adversários próximos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em Fortaleza (CE), nesta terça-feira (29), Lula questionou se o Brasil escolherá alguém comprometido com o país ou um “vira-lata que fica puxando saco” do republicano.
Lula não citou Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita em plena reta final da disputa presidencial, enquanto o petista intensifica as críticas a possíveis interferências estrangeiras nas decisões brasileiras.
“É isso que está em jogo: se o Brasil vai ser dono do seu quintal ou se vai vir alguém aqui dar palpite na nossa vida; se vamos eleger uma pessoa que tem caráter, que tem biografia e que tem compromisso com o Brasil ou vira-lata que fica puxando saco do Trump”, afirmou Lula.
A relação do Brasil com outras potências tem ocupado espaço crescente nos discursos do presidente. Para Lula, a eleição também passa pela capacidade do país de tomar suas próprias decisões e defender seus interesses diante das pressões internacionais.
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Das urnas às riquezas brasileiras
Em Fortaleza, Lula levou o mesmo debate para o controle das riquezas minerais do país.
O presidente defendeu que terras raras e minerais críticos encontrados em território brasileiro não sejam apenas extraídos e enviados para o exterior, mas também transformados e industrializados por aqui.
“Tenho certeza que vocês querem que as terras raras e os minerais críticos sejam explorados, transformados, industrializados por nós”, declarou.
O tema ganhou relevância diante da disputa internacional por esses recursos, utilizados em setores como produção de baterias, veículos elétricos, tecnologia, transição energética e indústria de defesa.
Neste mês, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabelece diretrizes para estimular pesquisa, beneficiamento e agregação de valor a esses recursos dentro do Brasil.
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Recados contra interferência externa
O discurso em Fortaleza dá sequência a uma série de declarações recentes do presidente sobre a relação do Brasil com outros países.
Na semana passada, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e levou ao discurso a preocupação com interferências externas no processo eleitoral.
Dois dias depois, durante comício em São Gonçalo (RJ), citou Trump diretamente:
“Esse país que eu tenho dito para o Trump que nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém.”
Agora, em Fortaleza, Lula voltou a levar o tema para o palanque, desta vez com uma provocação aos adversários que, em sua avaliação, mantêm uma postura de alinhamento ao presidente norte-americano.
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Lula mira aliados de Trump e dispara: “Vamos eleger vira-lata que fica puxando saco?”
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