O ator e humorista Antonio Tabet relatou, nesta terça-feira (29), dezenas de ameaças que recebeu pelas redes sociais após postagem sobre Nossa Senhora Aparecida. A publicação chegou a ser excluída por decisão do ministro André Mendonça a pedido do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Na publicação desta terça, Tabet afirma que não vai “esmorecer” diante das ameaças e destacou que sua luta é pela “manutenção de direitos básicos, pela liberdade, religiosa e de expressão, minha e de todos, a partir de fatos públicos e notórios que sequer partiram de mim”.
“E se, depois de tudo isso, ainda houver Justiça neste país (apesar dos que querem implodi-la), estaremos livres de quem acredita que a violência e o extermínio são a solução para o contraditório e nada disso aí embaixo ficará impune”, acrescentou o ator.
Junto com a legenda, Tabet publicou uma série de prints com mensagens de internautas desejando sua morte.”Não vejo a hora de você vir aqui no Sul. Vou te dar um presente que vai marcar tua vida”;”Vou descobrir seu endereço e vou te pegar de porrada.”;”Nós vamos te pegar depois que terminar as eleições.” são algumas das mensagens recebidas pelo ator.
https://x.com/antoniotabet/status/2104969520192393450
Contexto
A publicação que resultou nas ameaças contra o ator foi feita na última quinta-feira (25) após a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. Uma apuração da jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, teria indicado a existência de uma movimentação em setores da Igreja Católica em reação a uma suposta articulação de grupos evangélicos para retirar o título da santa.
Após a declaração da jornalista, internautas recuperaram um projeto do candidato a deputado Victório Galli (Republicanos), que propôs, em 2007, substituir o título de “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Galli chegou a ser assessor de Jair Bolsonaro (PL) durante seu governo e hoje apoia a campanha de Flávio Bolsonaro. Eleitores também recuperaram um vídeo de Flávio Bolsonaro afirmando que sua primeira ação como presidente, caso fosse eleito, seria decretar que o Brasil “pertence a Jesus Cristo” – declaração que dialoga com os interesses do eleitorado evangélico.
Em meio à polêmica, Tabet publicou nas redes sociais: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. Imediatamente após a postagem do ator, Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu a Mendonça que a publicação fosse excluída. O ministro acatou e, além da postagem de Tabet, mandou excluir mais de 1.200 posts que citavam Nossa Senhora Aparecida.
Políticos reagiram à decisão do ministro, alegando censura prévia. A defesa da Tabet afirmou que a decisão apresentava uma “fragilidade jurídica” por atribuir um destinatário específico a uma publicação que não cita nominalmente Flávio Bolsonaro nem qualquer integrante da família Bolsonaro.
A decisão de Mendonça chegou a ser revertida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas voltou a valer após o ministro Luiz Fux suspender a ação de Dino.
Tabet expõe ameaças após postagem sobre Nossa Senhora Aparecida excluída a pedido de Flávio Bolsonaro
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