A quatro dias do primeiro turno, Fabrício Queiroz voltou a entrar diretamente na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O ex-assessor, personagem central da investigação das “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), publicou nas redes sociais um pedido de votos para o antigo chefe.
A movimentação ocorre justamente no momento em que o caso volta ao noticiário. Nesta terça-feira (29), foi apresentado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) um pedido para a reabertura da investigação, enquanto uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou públicos novos detalhes de uma frente judicial relacionada ao antigo gabinete.
Queiroz, porém, já vinha se aproximando publicamente da campanha. Em 12 de setembro, ele esteve em um comício de Flávio em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e permaneceu em uma área ao lado do palco durante o ato eleitoral. Atualmente, o policial militar reformado ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, município vizinho.
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Fabrício Queiroz volta de vez à campanha de Flávio
O apoio explícito nesta reta final amplia uma sequência de aparições de Queiroz ao lado do candidato. Em agosto, a Fórum mostrou a publicação em que o ex-assessor apareceu abraçado a Flávio, acompanhada de uma curta mensagem de apoio eleitoral.
A imagem foi publicada nas redes no mesmo período de um ato de campanha em Copacabana e rapidamente voltou a associar os dois nomes nas redes sociais. Posteriormente, a assessoria de Flávio afirmou que a fotografia havia sido registrada em uma ocasião anterior, embora no mesmo local.
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A repercussão também alcançou o X. Em uma publicação de 20 de agosto, o perfil Mallu recuperou as aparições de Queiroz e de Frederick Wassef no entorno da campanha de Flávio. Wassef, que atuou na defesa do senador no caso das rachadinhas, havia subido ao palco da convenção que lançou a candidatura presidencial de Flávio, em São Paulo, em 25 de julho.
https://x.com/mariarita4141/status/2090482335061803340
Queiroz foi localizado e preso pela Polícia Civil em junho de 2020 em um imóvel utilizado por Wassef em Atibaia, no interior paulista. À época, o Ministério Público apontou indícios de que o advogado teria ajudado a ocultar o então ex-assessor. Wassef negou irregularidades.
Mensagens reveladas pelo PlatôBR
A reaproximação pública ganha outro contorno após uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo PlatôBR e repercutida pela Fórum. O material reúne mensagens, áudios e documentos guardados por Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio de Flávio na antiga loja de chocolates da família.
Segundo a reportagem, Santini funcionou durante um período como uma espécie de canal entre Queiroz e Flávio. Em mensagens e áudios obtidos pelo PlatôBR, Queiroz reclamava de dificuldades financeiras e buscava recursos por intermédio do empresário. Em uma das gravações, dizia que os valores que recebia ocasionalmente não eram suficientes para resolver seus problemas.
Mesmo depois do rompimento entre Santini e Flávio, Queiroz teria continuado procurando o empresário para encaminhar recados ao antigo chefe. O material voltou a colocar lado a lado personagens que estiveram no centro da investigação das rachadinhas justamente às vésperas da eleição.
A Fórum repercutiu as revelações feitas pelo PlatôBR, que envolvem ainda a antiga sociedade de Flávio com Santini e relações mantidas pelo empresário com Queiroz e Wassef.
Caso das rachadinhas volta ao noticiário
Também nesta terça-feira, uma representação apresentada pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP) e pelo Grupo Prerrogativas pediu ao MP-RJ que reabra a investigação das rachadinhas no antigo gabinete de Flávio.
O pedido aponta como elemento a ser investigado o acesso de Flávio a um cofre mantido em uma agência do Banco do Brasil em 26 de novembro de 2012, um dia antes da compra de dois imóveis em Copacabana. A representação pede novas diligências, entre elas o levantamento dos acessos ao cofre e uma nova investigação das movimentações financeiras relacionadas às operações imobiliárias.
Em outra frente, como mostrou a Fórum, Gilmar Mendes rejeitou um recurso apresentado pela defesa de Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-assessora de Flávio e ex-mulher de Adriano da Nóbrega, e manteve a quebra de seus sigilos bancário e fiscal em uma ação de improbidade.
Na decisão, Gilmar reproduziu elementos apresentados pelo MP-RJ, entre eles a avaliação de que a conta de Queiroz teria funcionado como um “centro de arrecadação” de valores provenientes de servidores vinculados ao gabinete de Flávio.
Em 2020, o Ministério Público denunciou Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. O processo não chegou ao julgamento do mérito depois que decisões judiciais anularam provas utilizadas na investigação.
Em fevereiro de 2025, ao rejeitar recursos do próprio MP-RJ, o STF registrou que a anulação dessas provas não impede uma nova denúncia ou a abertura de nova apuração, desde que sustentada por elementos independentes.
Flávio Bolsonaro nega ter participado de qualquer esquema de rachadinha e sustenta que as decisões que anularam provas demonstram irregularidades cometidas durante a investigação. O pedido apresentado nesta semana ao MP-RJ ainda será analisado e, até o momento, não significa que o procedimento criminal original tenha sido formalmente reaberto.
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