Victório Galli: como aliado de Flávio Bolsonaro pretende retomar projeto para destronar Nossa Senhora como padroeira do Brasil

Victório Galli: como aliado de Flávio Bolsonaro pretende retomar projeto para destronar Nossa Senhora como padroeira do Brasil
Victório Galli: como aliado de Flávio Bolsonaro pretende retomar projeto para destronar Nossa Senhora como padroeira do Brasil 3

Atuando nos bastidores do poder desde a redemocratização em 1985, quando se filiou ao então PMDB (hoje MDB), Victório Galli Filho, pastor da igreja Assembleia de Deus e autor da proposta que destrona Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, é uma das mais proeminentes figuras da “guerra espiritual”, como classificou Flávio Bolsonaro (PL) durante a Marcha Para Jesus, e busca ser eleito deputado federal no domingo (4) para retomar o projeto interrompido em 2008, quando o Projeto de Lei 2623/2007 foi arquivado.
Nesta terça-feira (29), em meio ao embate nas redes sobre o movimento da Igreja Católica para defender a padroeira, Galli divulgou um vídeo em seu perfil no Instagram em que a ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e “vice dos sonhos” de Flávio, Tereza Cristina, pede votos para sua candidatura.

 

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Galli mantém em destaque na rede social um vídeo em que revela a estratégia para retomar a “guerra espiritual” contra Nossa Senhora Aparecida, considerada como “Deus da Promiscuidade” pelo pastor JB Carvalho, da igreja frequentada por Flávio Bolsonaro no Distrito Federal.
No vídeo, Galli, que atuou como assessor especial de Jair Bolsonaro no Planalto, cita as oferendas de religiões de matriz africana para pregar que respeita o estado laico.
“Ah, mas tem uma galinha preta no cruzamento. Eu vou chutar a galinha? Não. Respeita. Porque quem fez aquilo lá foi uma pessoa religiosa. O Estado é laico. Ou você vai achar bom chegar alguém na sua igreja e chutar a cadeira? Não quer dizer porque eu sou pastor, sou evangélico, eu vou desprezar quem é católico no meu no meu gabinete”, afirma.
Em seguida, o aliado do clã Bolsonaro passa a fazer a defesa do estado laico, afirmando que as regras devem ser feitas para todos.
“O Estado é laico, só que o cidadão o cidadão é que tem seus as suas ramificações de religião. O que a gente tem que entender é o seguinte: a gente pode ser eleito por um segmento, mas você tem que trabalhar e e governar para todo o Estado”, emenda.

 

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O argumento da laicidade do Estado é justamente a justificativa que consta no PL 2623/2007, um dos primeiro projetos apresentados por Galli quando assumiu como suplente o mandato de Carlos Bezerra (PMDB-MT), que licenciou-se do cargo.
“Na alteração proposta “homenagem”, em detrimento ao termo “culto”, considera a alteração que constitucionalmente o Estado está impedido de instituir qualquer forma de culto, conforme Artigo 19 da Constituição Federal de 1988. Este parlamentar tem a consciência da inconstitucionalidade da Lei objeto de alteração, pois fere frontalmente o texto da Constituição Federal, já dito no seu artigo 19, que determina ser o Estado laico”, diz Galli na justificativa.
“A alteração ora proposta deve ser considerada democraticamente útil para a promoção da igualdade entre os cidadãos brasileiro, sem privilégios à maioria de orientação cristã, em detrimento das maiorias que não professam fé à Nossa Senhora Aparecida”, conclui.

Nas eleições de 2014, filiado ao PSC, ele foi eleito para a Câmara Federal, se tornando um dos maiores perseguidores do movimento LGBT dentro da Bancada Evangélica. Para voltar ao Congresso, Galli conta com o apoio de diversas entidades evangélicas, como a Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus do Estado de MT (Comademat) pelo alinhamento com os “valores” evangélicos.
Victório Galli e a relação com o clã Bolsonaro
Pastor da Assembleia de Deus, professor de teologia e político de trajetória construída no campo evangélico conservador, Victório Galli Filho entrou no Congresso como suplente do PMDB de Mato Grosso em 2007.
Dois meses depois de assumir uma cadeira na Câmara, apresentou o Projeto de Lei 2.623/2007, que propunha trocar na legislação federal a expressão “Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil” por “Nossa Senhora Aparecida, Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta foi rejeitada e arquivada em 2008. UOL Notícias
A justificativa oficial de Galli era baseada no princípio da laicidade do Estado: para ele, a legislação brasileira não deveria atribuir um símbolo religioso específico a todos os cidadãos, já que parte da população não professava a fé católica. O projeto, porém, surgiu em meio a uma longa disputa de setores evangélicos conservadores contra símbolos e práticas da tradição católica no espaço público.
A trajetória de Galli atravessou a ascensão da bancada evangélica e a aproximação de setores religiosos conservadores com a direita brasileira. Depois de passar pelo PMDB, migrou para o PSC, legenda com forte presença de lideranças evangélicas, foi eleito deputado federal em 2014 e, em 2018, disputou a reeleição pelo PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro chegou à Presidência.
No governo Bolsonaro, Galli ganhou uma nova posição no núcleo político do grupo: em 2019, foi nomeado assessor especial da Presidência da República. O assessor, no entanto, foi exonerado após ser condenado a pagar indenização de R$ 100 mil por ofensas à comunidade LGBT.
A ligação com o bolsonarismo transformou o antigo projeto sobre Nossa Senhora Aparecida em uma peça de uma disputa política maior envolvendo religião, identidade nacional e o avanço de pautas evangélicas conservadoras no Estado.
Embora negue ter pretendido atacar católicos e afirme que sua proposta buscava apenas adequar a legislação ao Estado laico, Galli tornou-se uma das figuras associadas ao debate sobre a tentativa de restringir o caráter nacional do título de Nossa Senhora Aparecida.
Sua história também se conecta a um ambiente religioso em que setores evangélicos ultraconservadores passaram a disputar símbolos públicos tradicionalmente associados ao catolicismo.
Mantendo certa distância de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026, em razão da associação ao ataque à padroeira do Brasil, Galli recebe apoio de figuras centrais do bolsonarismo para voltar à Câmara Federal e fortalecer a bancada evangélica na “guerra espiritual” pelo poder no Brasil.
 

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