MP do Rio de Janeiro investiga Douglas Ruas, candidato do PL ao governo, por enriquecimento ilícito

MP do Rio de Janeiro investiga Douglas Ruas, candidato do PL ao governo, por enriquecimento ilícito
Douglas Ruas (esquerda) é aliado de Flávio Bolsonaro - Foto: MAURO PIMENTEL / AFP)

O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação contra Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj e candidato ao governo estadual, por supostos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A ação foi instaurada em 17 de julho, após denúncias de enriquecimento ilícito, e tramita no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro sob relatoria do desembargador Carlos Santos de Oliveira.
Peculato envolve desvio de bens públicos por agente público; lavagem de dinheiro, a dissimulação da origem de recursos obtidos de forma ilícita; e organização criminosa, a associação estruturada para a prática de crimes. A combinação dos três tipos penais numa mesma investigação, contra o principal nome do PL na disputa pelo Palácio Guanabara, confere peso político e jurídico incomum ao caso.
As suspeitas do Ministério Público
A denúncia que deu origem à apuração descreve um aumento repentino do patrimônio e das finanças de duas empresas: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação LTDA e a DM Invest Consultoria e Participações LTDA. O documento aponta possível conflito de interesses e enriquecimento ilícito, e sustenta que a expansão patrimonial teria coincidido com a ascensão de Ruas como deputado estadual e com o período em que seu pai esteve à frente da prefeitura de São Gonçalo. Diligências preliminares do MPRJ confirmaram que Ruas é sócio das duas companhias: uma construtora e uma administradora financeira.
Os números levantados na fase inicial da investigação são expressivos. A Saur adquiriu três imóveis, dois em Duque de Caxias e um em São Gonçalo, em operações que somam R$ 7,4 milhões. As escrituras de compra e venda envolvendo a empresa entre 31 de janeiro de 2023 e 27 de maio de 2025 totalizam R$ 12,23 milhões, dos quais R$ 9,8 milhões referem-se a negócios firmados com a EBL Participações e Empreendimentos LTDA.
Em junho, o MPRJ solicitou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) registros de eventuais pagamentos do governo fluminense à Saur e à DM Invest. Em julho, a PGE respondeu que não localizou repasses às empresas. A ausência de contratos diretos com o estado não encerra a investigação, mas delimita um dos ângulos de apuração já percorridos pelo MP.
A defesa de Douglas Ruas e o contexto eleitoral
A notícia da investigação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim e chegou ao público na mesma semana em que Ruas debateu ao vivo na TV Globo com os principais adversários na corrida ao governo do Rio: Eduardo Paes (PSD), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (Psol) e André Marinho (Novo). Foi após esse debate que o candidato se pronunciou sobre o caso.
“O MP tem que cumprir o seu papel, apurar pra ver se existe veracidade. Recentemente, arquivaram uma dessas acusações porque eram inverdades, e eu nem fui chamado para prestar esclarecimento. Eu tenho certeza que essa em breve também será arquivada. Se o MP precisar de esclarecimento, eu estarei à disposição, mas como são mentiras tão grotescas, acredito que vai seguir esse mesmo caminho”, afirmou Ruas.
A estratégia de Ruas foi a de comparar a investigação atual a acusações anteriores que, segundo ele, foram arquivadas sem que fosse sequer chamado a depor, e antecipar o mesmo desfecho para o caso presente. A investigação, no entanto, está em curso e não há qualquer indicação de arquivamento até o momento.

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