Nossa Senhora: Dino cita 10 ataques religiosos em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de censura nas redes

Nossa Senhora: Dino cita 10 ataques religiosos em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de censura nas redes
- Flávio Dino e André Mendonça no plenário do STF (Gustavo Moreno/STF)

Na decisão em que pede à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação sobre a “onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas”, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cita como exemplos 10 casos de intolerância religiosa durante a campanha eleitoral.
O ministro afirma que os casos chegaram a seu gabinete por vários meios depois que derrubou a censura imposta por André Mendonça, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), em publicações nas redes que vinculavam o grupo político do senador a ataques e uma possível retomada do projeto de lei, arquivado em 2008, para destronar Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil. Nesta terça-feira (29), Luiz Fux atendeu novamente a campanha do candidato para derrubar as publicações.
“Temos um quadro bastante grave, em que existem indícios de crimes variados, tais como: ultraje a culto, na modalidade vilipêndio; preconceito religioso; violência contra práticas religiosas; injúria qualificada por elemento religioso; ameaça, furto, dano, incêndio e
violação de domicílio”, afirma o ministro, apontando os crimes a serem investigados.
Dino inicia a lista de casos, com a vandalização à imagem de Nossa Senhora Aparecida em Cuiabá, que foi denunciado pela próprio Arquidiocese local e enviado ao ministro pelo colega de STF, Gilmar Mendes, que é de Mato Grosso.
“No primeiro caso abaixo mencionado, o envio foi providenciado pelo Ilustre Decano deste STF, Ministro Gilmar Mendes”, afirma Dino, listando os casos. Além de ataques à Nossa Senhora, há violência contra religiões de matriz africana.
Veja os casos citados:
1. Imagem de Nossa Senhora das Graças é destruída em paróquia de Salvador
11 de setembro de 2026 — Salvador (BA)
A Paróquia Senhor Bom Jesus dos Milagres, no bairro de Matatu, em Salvador, foi alvo de vandalismo. Segundo o relato citado por Flávio Dino, fiéis que chegaram para a celebração da missa encontraram quebrada a imagem de Nossa Senhora das Graças, que ficava no adro da igreja, em frente ao templo.
2. Loja religiosa de Londrina tem imagens de santos destruídas
Setembro de 2026 — Londrina (PR)
Uma loja de artigos religiosos localizada na região central de Londrina sofreu ataques durante a madrugada. De acordo com o documento, imagens de santos que ficavam na área externa do estabelecimento foram quebradas e desfiguradas. O relato menciona que uma imagem teve a cabeça destruída e outra foi danificada no rosto após agressões com uma pedra.
3. Imagens sacras são quebradas dentro da Catedral de São Pedro
29 de setembro de 2026 — Rio Grande (RS)
Duas imagens sacras que estavam no altar da Catedral de São Pedro, em Rio Grande, foram derrubadas e quebradas. O episódio ocorreu pouco antes de uma celebração de Crisma presidida pelo bispo Dom Jorge Pierozan. Dino destacou que a catedral é um patrimônio histórico e religioso com origem no século XVIII.
4. Loja religiosa de Londrina sofre terceiro ataque
1º de setembro de 2026 — Londrina (PR)
O estabelecimento religioso de Londrina voltou a ser vandalizado, no que o documento descreve como o terceiro ataque contra o local. Câmeras de segurança registraram um homem chutando e quebrando imagens expostas na fachada. Entre as peças atingidas estavam imagens de São Miguel Arcanjo, Nossa Senhora de Lourdes, Santa Luzia e Carlo Acutis.
5. Imagem de Nossa Senhora das Graças é depredada em Maceió
6 de setembro de 2026 — Maceió (AL)
A Paróquia Divino Espírito Santo denunciou um ato de vandalismo contra uma imagem de Nossa Senhora das Graças instalada no bairro Jatiúca, em Maceió. Segundo o relato reproduzido na decisão, a base da escultura foi quebrada, deixando fragmentos espalhados pelo chão e fazendo com que a estrutura ficasse inclinada.
6. Terreiro de umbanda é vandalizado na Grande Belo Horizonte
3 de setembro de 2026 — Esmeraldas (MG)
Um terreiro de umbanda em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo. Segundo o relato apresentado ao ministro, imagens de orixás foram destruídas, plantas e oferendas foram depredadas e objetos religiosos foram furtados. O sacerdote responsável afirmou que assentamentos considerados sagrados foram violados.
7. Imagem de Santa Dulce dos Pobres é destruída dentro de igreja em Salvador
22 de setembro de 2026 — Salvador (BA)
Uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi destruída dentro de uma igreja no bairro Plataforma, em Salvador. Segundo o documento, o caso foi registrado na delegacia em 22 de setembro e ganhou repercussão nas redes sociais dias depois. A imagem teria sido retirada do altar lateral e levada para perto da mesa eucarística, onde foi quebrada.
8. Homem destrói imagem de Nossa Senhora Aparecida com machado em Mato Grosso
7 de março de 2026 — Jauru (MT)
Um homem de 47 anos foi detido após ser flagrado destruindo com um machado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada em uma capela na entrada de Jauru, no Mato Grosso. Segundo o relato citado na decisão, a imagem estava protegida por uma estrutura de vidro e era considerada um símbolo religioso para a comunidade católica local.
9. Assentamento de Exu é destruído em terreiro na Bahia
Agosto de 2026 — Santo Amaro (BA)
Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico por ataques contra um assentamento de Exu localizado na entrada de um terreiro em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. Conforme o relato reproduzido na decisão, ocorreram dois episódios de vandalismo em agosto. Em uma das ações, a cabeça da imagem foi arrancada.
10. Imagem de Nossa Senhora Aparecida é incendiada às margens da BR-163
1º de agosto de 2026 — Novo Progresso (PA)
Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada às margens da BR-163, próximo a Novo Progresso, foi destruída após um incêndio criminoso. De acordo com o relato citado pelo ministro, os autores quebraram o cadeado do local, colocaram pneus junto à imagem e utilizaram combustível para provocar a destruição completa da estrutura.
Leia a decisão de Flávio Dino na íntegra

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