Fim da escala 6×1 será aprovado ainda este ano, diz Lula

Fim da escala 6×1 será aprovado ainda este ano, diz Lula
- Lula: Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (30) que o fim da escala de trabalho 6×1 será aprovado ainda este ano, antes da posse do próximo presidente, independentemente do resultado das eleições. A declaração foi feita em entrevista ao podcast Cosmo Política e a influenciadores progressistas. A proposta já passou pela Câmara e foi aprovada pela CCJ do Senado em 2 de setembro, mas o presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre, sinalizou que a votação no plenário só ocorrerá após o pleito.
“Nós vamos aprovar o fim da escala 6×1. É inexorável, ela vai ser aprovada ainda este ano. Antes do próximo presidente tomar posse, ela será aprovada”, declarou Lula durante a entrevista.
A fala foi direta e sem margem para ambiguidade: o presidente tratou a aprovação como fato consumado, não como expectativa. O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras trabalhistas do governo e da campanha de reeleição de Lula, que busca um inédito quarto mandato. Ao cravar a aprovação independentemente do vencedor das eleições, o presidente sinaliza que a pauta transcende a disputa eleitoral imediata e se coloca como compromisso institucional do atual governo com a classe trabalhadora.
Contexto político e tramitação da PEC
A trajetória da proposta no Congresso foi marcada por avanços e travamentos diretamente ligados à relação entre o Palácio do Planalto e o Senado. Aprovada na Câmara, a PEC ficou parada na Casa Alta por quase três meses durante o período de distanciamento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O desgaste entre os dois teve origem na rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.
Com a reaproximação política entre Lula e Alcolumbre, a proposta voltou a tramitar. Em 2 de setembro a CCJ do Senado aprovou o texto em votação simbólica, com o registro de quatro votos contrários: os senadores Rogerio Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Tereza Cristina (PP-MS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Críticas de Lula e outras pautas
Na mesma entrevista, Lula foi além da pauta trabalhista e fez uma crítica estrutural à relação entre o Executivo e o Legislativo. Para o presidente, o presidencialismo brasileiro foi “sequestrado” pelo modelo orçamentário vigente. “Não tem paradigma no mundo o Congresso ficar com 50% da União. O dinheiro vai para a mão do deputado para ele fazer o quê, emendas de interesse eleitoral?”, questionou. A crítica aponta para um desequilíbrio que, na avaliação de Lula, compromete a capacidade do governo de executar políticas públicas sem negociar cada passo com o Legislativo.
O presidente também prometeu, caso reeleito, realizar reformas política e no Judiciário. Na área judicial, voltou a criticar o STF: “O Supremo está com a credibilidade muito baixa. Não é bom para o Brasil uma instituição que tem quase poder de Deus e estar metida na quantidade de bagunça que está metida.” Lula ressalvou que não caberia a ele conduzir a reforma sozinho, mas que pretende envolver a sociedade civil no debate. Além disso, prometeu adquirir uma distribuidora de combustível para retomar algum controle sobre os preços, criticando a privatização da BR Distribuidora, atual Vibra Energia, e da Liquigás, realizadas durante o governo Jair Bolsonaro.

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