Dark Horse: PF refaz perícia em material apreendido pela polícia de Tarcísio por ordem de Dino

Dark Horse: PF refaz perícia em material apreendido pela polícia de Tarcísio por ordem de Dino
Diretor de 'Dark Horse' diz que custos do filme foram "ridiculamente inflados" - Foto: Divulgação Dark Horse

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal refaça a perícia em todo o material apreendido na Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo para investigar supostos desvios de verbas públicas em favor do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. 
A decisão do ministro levantou o sigilo do inquérito e especificou que celulares, computadores e documentos entregues pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, devem ser submetidos a peritos federais, incluindo itens que nunca passaram pelo Instituto de Criminalística do estado.
Nova perícia inclui celular de Karina Gama
A determinação de Dino abrange celulares, computadores e documentos recolhidos pela Polícia Civil de São Paulo durante a Operação Wi-Fi, realizada em junho. Policiais federais estão reexaminando em Brasília todo o acervo transferido, com atenção especial a aparelhos que o Instituto de Criminalística de São Paulo não chegou a analisar.
Um desses aparelhos é o celular da empresária Karina da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil (ICB). O dispositivo não havia passado por qualquer perícia em São Paulo antes de ser enviado à PF. A ausência de análise prévia de um item pertencente à figura central das investigações reforça a relevância da nova etapa pericial conduzida pelos federais.
Contexto da Operação Wi-Fi e Dark Horse
A Go Up Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil pertencem a Karina da Gama e estão no centro das investigações da PF sobre o suposto uso de recursos públicos para financiar a produção do filme sobre o pai do senador Flávio Bolsonaro (PL). O ICB mantém contrato de R$ 108 milhões por ano com a prefeitura de São Paulo para a instalação de wi-fi na periferia da capital, programa batizado de WiFi Livre SP.
Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou “consistentes suspeitas” de que os recursos públicos desse programa foram desviados para custear a produção de Dark Horse. O documento se tornou público em 13 de setembro, após o levantamento do sigilo determinado por Dino. A Operação Wi-Fi foi justamente a resposta investigativa a essas suspeitas, resultando na apreensão do material que agora está sob análise federal.
Próximos passos
A nova perícia conduzida pela PF pode ampliar o conjunto de evidências disponíveis no inquérito ou consolidar as suspeitas já levantadas pela Polícia Civil paulista. O fato de que ao menos um celular de figura central nas investigações nunca havia sido periciado aponta para lacunas na etapa anterior da apuração. O andamento das análises em Brasília definirá os próximos passos processuais de uma investigação que já alcança um parlamentar e movimenta cifras milionárias de contratos públicos.
 

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