O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão a uma campanha contra o STF no Brasil. O dinheiro faz parte de uma nova rodada de recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF, na sigla em inglês), administrado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian O projeto destinado ao país recebeu o nome de Countering Lawfare and Censorship in Brazil, ou “Combate ao lawfare e à censura no Brasil”.
Segundo documentos consultados pelo Guardian, o US$ 1 milhão deverá financiar grupos da sociedade civil que se oponham ao que o programa classifica como “excesso de atuação judicial” e “censura” praticados pelo Supremo Tribunal Federal.
Campanha contra o STF faz parte de pacote de US$ 176,9 milhões
O projeto brasileiro está entre 43 repasses que somam US$ 176,9 milhões. O montante corresponde à maior parte dos US$ 205 milhões reservados pelo Congresso americano para o Fundo de Direitos Humanos e Democracia.
O fundo é tradicionalmente utilizado para financiar iniciativas voltadas a direitos humanos, dissidentes políticos e organizações da sociedade civil. A nova seleção de projetos feita durante o governo Trump inclui ações ligadas ao anticomunismo, imigração, combate ao que integrantes da gestão chamam de “ideologia de gênero” e defesa de valores conservadores.
De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal britânico, o Departamento de Estado empenhou os recursos na quarta-feira (30), poucas horas antes do encerramento do ano fiscal americano.
A pasta não respondeu diretamente ao Guardian se todos os valores já haviam sido formalmente comprometidos. Afirmou, no entanto, que os programas permaneciam em “deliberação ativa” e que os futuros beneficiários passariam pelos procedimentos regulares de análise exigidos para repasses federais.
Marco Rubio teria liberado recursos apesar de bloqueios
A distribuição do dinheiro provocou reação no Congresso dos Estados Unidos. Segundo um assessor parlamentar democrata ouvido pelo Guardian, a senadora Jeanne Shaheen, principal representante democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, havia mantido dez bloqueios sobre repasses que somavam US$ 22 milhões.
Os projetos atingidos envolviam Brasil, África do Sul, Nigéria, Reino Unido e outros países europeus. Ainda segundo o assessor, o secretário de Estado Marco Rubio assinou pessoalmente um memorando para desconsiderar os bloqueios e permitir o empenho dos recursos.
Shaheen afirmou ao jornal que o dinheiro havia sido aprovado pelo Congresso, com apoio bipartidário, para defender direitos humanos, auxiliar vítimas de violações e promover a democracia. Para a senadora, o governo Trump passou a direcionar parte desses recursos a organizações e programas de direita em democracias consolidadas.
Pressão do governo Trump sobre o STF
A iniciativa não é o primeiro movimento da Casa Branca contra integrantes do Supremo. Em julho de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu Alexandre de Moraes nas sanções da Lei Magnitsky, alegando violações de direitos humanos e censura. A medida ocorreu após uma campanha de aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos contra o ministro.
Nas últimas semanas, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo voltaram a pressionar autoridades americanas por novas medidas contra integrantes da Corte. Como mostrou a Fórum, Eduardo chegou a afirmar em Washington que o governo Trump poderia não reconhecer uma eventual vitória de Lula e defendeu novas sanções contra ministros do STF.
O movimento também passou a ser questionado dentro do próprio Senado americano. Nesta semana, Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch enviaram uma carta oficial a Marco Rubio na qual acusam a administração Trump de interferência no Brasil e cobram o compromisso de Washington com o reconhecimento do resultado das eleições de 2026.
No caso específico do repasse de US$ 1 milhão, os documentos obtidos pelo Guardian revelam o valor e a finalidade declarada do programa, mas não identificam quais organizações brasileiras receberão o dinheiro.
Governo Trump destina US$ 1 milhão a campanha contra o STF no Brasil
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