Após tomar um drible de Lula ao desafiar, sem sucesso, o presidente para o debate na Globo, Flávio Bolsonaro (PL) passou boa parte das últimas 24 horas realizando media training para o embate com os ex-aliados da direita, que devem colocá-lo como alvo na noite desta quinta-feira (1º). A principal preocupação da campanha é com o estado emocional do senador, que treina justamente para evitar o efeito em 2016 na Band, quando concorria à prefeitura do Rio.
A campanha acredita que os adversários, que buscar pescar votos da direita entre os que declaram votos no filho “01” de Jair Bolsonaro, devem fazer perguntas incômodas, como a relação com Daniel Vorcaro e a polêmica em torno de Nossa Senhora, que podem desestabilizar emocionalmente o senador.
Nos treinamentos, além das perguntas, a equipe da campanha tem focado nas reações emocionais de Flávio Bolsonaro, buscando modular a forma como ele deve se apresentar, de forma segura e prepotente, lembrando o pai.
No entanto, o trauma causado pelo debate à prefeitura do Rio de Janeiro, quando ele teve uma queda de pressão e precisou ser socorrido por Jandira Feghali (PCdoB), durante o debate na Band, ainda é um fantasma que paira sobre Flávio Bolsonaro, que nunca mais havia entrado numa arena para concorrer a cargos executivos.
“Eu tô com a pressão baixa aqui, senhora”
Em 25 de agosto de 2016, durante debate entre os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro na Band, Flávio Bolsonaro teve que ser retirado do estúdio e receber atendimento médico após sinalizar que estava com a pressão baixa ao ser indagado pelo apresentador, o jornalista Sérgio Costa.
“Eu tô com a pressão baixa aqui”, disse o candidato. “Precisa que repita a pergunta, por favor”, afirmou ao apresentador.
Enquanto Costa repetia a pergunta, Flávio Bolsonaro começou a revirar os olhos e os adversários chamou a atenção da produção.
“Você tá passando mal? Vai cair… Ele tá passando mal. Passando mal”, ouve-se no estúdio, quando Jandira Feghali se aproxima de Flávio.
“Os assessores podem, por favor… Os assessores podem, por favor, retirá-lo? Vamos então para um breve intervalo, voltamos a seguir”, anunciou o apresentador.
No retorno, Costa anunciou que “Flávio Bolsonaro se sentiu mal, precisou sair aqui do debate” e fez a pergunta a Jandira Feghali, que revelou que Jair Bolsonaro tentou impedi-la de atender o filho nos bastidores.
“Mas eu não gostaria de terminar aqui essa resposta sem denunciar o que houve no intervalo. Eu fui atender como médica”, afirmou, sendo interrompida por vaias.
“É muito fácil vaiar mulher se ela for tímida, mas no meu caso não adianta porque não impacta”, respondeu ao retomar a palavra.
“Porque aqui quem protege torturador não me representa. O candidato Flávio passou mal, eu como médica me apresentei para atendê-lo e o pai dele disse que não precisava dos meus cuidados. Isso significa que a solidariedade não faz parte desse grupo fascista”, emendou a atual deputada, sendo interrompida novamente.
Flávio Bolsonaro treina para evitar efeito “debate para prefeitura do Rio” na Globo; reveja o vídeo
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