Para atacar Lula, bolsonaristas investem em anúncios que mentem sobre bets

Para atacar Lula, bolsonaristas investem em anúncios que mentem sobre bets
- Imagem Ilustrativa - Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

Levantamento realizado pela equipe da campanha de Fernando Haddad (PT) aponta que sete anúncios pagos contra o presidente Lula (PT) relacionados à regulação das apostas online, as bets, foram identificados em apenas dois dias, 26 e 27 de setembro, em seis estados brasileiros. Quatro dessas são classificadas como desinformação.
Os anúncios foram veiculados no Amazonas, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Ceará e Paraná. O levantamento aponta que as sete peças receberam, juntas, entre R$ 6,1 mil e R$ 7,6 mil em investimento, segundo as faixas de valores divulgadas pela Meta.
A nova frente de anúncios aparece em uma base que reúne 1.399 peças únicas identificadas entre 1º de agosto e 27 de setembro de 2026. O material registra 605 anunciantes, páginas ou perfis distintos e um investimento total estimado entre R$ 1,03 milhão e R$ 1,35 milhão.
Cinco das sete peças relacionadas às apostas online repetem, segundo o levantamento, a afirmação mentirosa de que Lula teria criado ou liberado o mercado de apostas no Brasil. A verdade é que a legislação brasileira permitia apostas de quota fixa desde 2018, quando foi aprovada a Lei nº 13.756, durante o governo de Michel Temer. Em dezembro de 2023, Lula sancionou a Lei nº 14.790, que regulamentou o setor, estabelecendo regras para licenciamento das empresas, tributação e publicidade.
Entre os anúncios classificados como desinformação, ainda conforme a pesquisa, está uma publicação do Blog do Milton Figueiredo, na Paraíba, que usa um vídeo de Flávio Bolsonaro (PL) atribuindo ao governo Lula o “avanço dos jogos online” e do chamado “Jogo do Tigrinho”.
No Ceará, o perfil identificado como Vereador PPCell publicou uma peça classificando a regulamentação como uma “liberação de cassinos online”.
Também foram identificados anúncios de Clariana Barão, no Mato Grosso, e Hissa Abrahão, no Amazonas, conforme o levantamento. As duas peças apresentam a narrativa de que o governo teria regulamentado o setor para, posteriormente, proibi-lo, por meio de medida provisória, próximo às eleições.
Uma sétima peça, publicada por Prof. Claudio Branchieri, no Rio Grande do Sul, diz a pesquisa, associa a discussão das apostas a acusações de fraude eleitoral que, de acordo com o relatório, não são detalhadas no anúncio.
Propaganda negativa
Das sete peças identificadas sobre apostas online, duas não foram classificadas como desinformação, mas como propaganda negativa.
Uma delas é de Nilson Leitão, candidato a deputado federal por Mato Grosso. O anúncio chama a regulamentação das apostas de “manobra eleitoral”.
A outra pertence a Reinhold Stephanes Junior, deputado federal pelo Paraná, que relaciona o fechamento de sites de apostas a prejuízos para os próprios apostadores.
Conforme a metodologia apresentada no levantamento, essas peças foram enquadradas como propaganda negativa porque apresentam interpretação ou opinião política, sem uma afirmação numérica ou factual específica que pudesse ser confrontada diretamente com uma fonte.
Desinformação
Na base completa, 184 das 1.399 peças, equivalentes a 13,2%, foram classificadas pela equipe como desinformação.
Entre os sete anúncios sobre apostas, publicados nos dias 26 e 27 de setembro, quatro receberam essa classificação, percentual de 57,1%.
Fora dessa pauta, as peças classificadas como desinformação aparecem, principalmente, em três grupos temáticos: ataques pessoais, economia e impostos e questões institucionais envolvendo Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal e censura.
Nikolas Ferreira
Outro anúncio destacado no levantamento foi publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira, de Minas Gerais.
Segundo os dados da Meta, a peça recebeu investimento estimado entre R$ 10 mil e R$ 15 mil e alcançou público acima de 1 milhão de pessoas.
O vídeo, publicado em 23 de setembro, atribui a Nikolas Ferreira a revogação do monitoramento do Pix pela Receita Federal. O levantamento classifica a publicação como desinformação e registra que o episódio mencionado ocorreu em 2023 e já havia sido revogado na época pelo próprio governo.
A peça está entre os anúncios mais caros identificados na semana. A faixa de R$ 10 mil a R$ 15 mil também aparece em outras dez publicações da base.
Investimento acumulado
Na base completa, Zoe Martinez, vereadora e candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo, aparece como a maior investidora identificada pelo levantamento. São oito peças, com investimento entre R$ 42,3 mil e R$ 55,4 mil.
Na sequência aparecem Hissa Abrahão, candidato sem mandato pelo Republicanos no Amazonas, com dez peças e investimento de R$ 34,8 mil a R$ 40,5 mil; Coronel Alberto Feitosa, deputado estadual pelo PL de Pernambuco, com 16 peças e investimento de R$ 33,9 mil a R$ 40 mil; Filipe Barros, deputado federal pelo PL do Paraná, com cinco peças e investimento entre R$ 30,4 mil e R$ 37,5 mil; e Bispo Léo Assis, candidato sem mandato pelo Novo em São Paulo, com três peças e investimento entre R$ 21 mil e R$ 31,5 mil.
Os cinco maiores investidores somam, segundo o levantamento, aproximadamente R$ 196 mil, o equivalente a 14,5% do investimento identificado no período.
Quem mais publica
Em número de peças, os maiores volumes são de Adriano Barbosa, candidato no Ceará, e Rogério Barra, deputado estadual pelo Pará. Cada um aparece com 22 anúncios.
O levantamento identificou que os valores, porém, são diferentes. As peças de Adriano Barbosa custam menos de R$ 100 individualmente e totalizam entre R$ 700 e R$ 2,8 mil. Os anúncios de Rogério Barra somam entre R$ 7,8 mil e R$ 11,2 mil, com peças individuais de até R$ 2,5 mil.
Coronel Alberto Feitosa e Adriano Barbosa também aparecem no levantamento específico sobre anúncios contra Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo.
Volume semanal chega próximo a 200 peças
Fora da nova frente relacionada às apostas, o levantamento aponta estabilidade no volume semanal de anúncios identificados.
As três últimas semanas completas registraram 220, 194 e 210 peças, respectivamente.
Entre 23 e 27 de setembro, foram 648 posts e 78 anúncios, correspondentes a 12% do material examinado.
Desde o início do levantamento, em agosto, a base chegou a 1.399 peças únicas após a exclusão de registros antigos, peças sem data recuperável e duplicidades de identificação.
Ataques pessoais, economia e questões institucionais
Ao todo, 1.184 das 1.399 peças, ou 84,6%, foram enquadradas como “Propaganda Negativa”. A categoria inclui críticas, insultos ou narrativas pessoais contra Lula ou o Governo Federal.
Considerando todo o período entre 1º de agosto e 27 de setembro, a Meta registrou investimentos entre R$ 1,03 milhão e R$ 1,35 milhão nas peças catalogadas.
Os valores são apresentados pela plataforma em faixas, e o levantamento utiliza o teto de cada faixa para calcular o investimento máximo possível.

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