Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, pede expulsão de diplomata dos EUA

Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, pede expulsão de diplomata dos EUA
Atualmente os EUA sofrem com uma epidemia de sarampo - Foto: Jim WATSON / AFP

Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede e candidato a deputado federal, enviou uma representação ao Ministério das Relações Exteriores pedindo que Kimberly Kelly, responsável pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil, seja declarada persona non grata pelo governo brasileiro.
Segundo Medeiros, o pedido é motivado por uma série de ações do governo Donald Trump que ele classifica como interferência nas eleições brasileiras e violação da soberania nacional.
Entre os episódios citados está o fechamento da embaixada e dos consulados americanos no país em 2 de setembro, sob alegação de questões de segurança.
Medeiros pede que diplomata seja declarada persona non grata
Na representação encaminhada ao Itamaraty, Medeiros pede que Kimberly Kelly, que atualmente conduz a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, seja declarada persona non grata.
A declaração de persona non grata é um instrumento previsto nas relações diplomáticas e pode levar à retirada do representante estrangeiro do país.
Medeiros também solicita que as autoridades brasileiras apurem as circunstâncias que levaram ao fechamento dos postos diplomáticos americanos.
Alegações de interferência dos EUA
Na representação, Medeiros cita o que classifica como “diversas demonstrações de interferência do governo Donald Trump nas eleições brasileiras”.
O episódio mais recente apontado por ele é o fechamento da embaixada e dos consulados americanos, justificado pelos Estados Unidos como uma medida de segurança.
Medeiros cita ainda uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um suposto financiamento do governo americano a grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O dirigente também faz referência a um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) segundo o qual a pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil teria atingido “nível crítico”.
“Há uma sucessão de iniciativas do governo Donald Trump que atingem diretamente a soberania brasileira e a autonomia das nossas instituições”, afirma Medeiros na representação.
Representação cita soberania brasileira
O documento argumenta que agentes diplomáticos estrangeiros devem respeitar as leis do país em que atuam e não interferir em seus assuntos internos.
“Os agentes diplomáticos têm o dever de respeitar as leis e os regulamentos do Estado acreditado e de não se imiscuir nos assuntos internos desse Estado, além de determinar que as instalações da missão sejam utilizadas de forma compatível com suas funções diplomáticas”, diz a representação.
Em outro trecho, Medeiros defende uma reação das autoridades brasileiras:
“O conjunto desses episódios exige uma resposta firme das instituições brasileiras, posto que as relações diplomáticas entre Estados soberanos pressupõem respeito à autodeterminação dos povos, à independência dos Poderes e ao direito de cada país de decidir, sem pressão ou tutela estrangeira, os rumos de sua própria democracia.”
A embaixada dos Estados Unidos está sendo conduzida por Kimberly Kelly enquanto o embaixador designado pelo governo Trump, Daniel Perez, aguarda o aval do governo brasileiro para assumir o posto.
 
 
Com informações da Folha de S. Paulo

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