A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) decidiu manter o esquema de segurança reforçado na embaixada dos Estados Unidos em Brasília durante todo o fim de semana e por tempo indeterminado. A medida atende a um pedido da própria representação diplomática, que na noite de quinta-feira (1º) suspendeu seus serviços consulares.
O Departamento de Estado norte-americano emitiu um alerta alegando, sem qualquer indício, ameaça digital de ataque terrorista a instalações dos EUA no Brasil e de seus “aliados de língua inglesa” durante o período eleitoral.
A Secretaria de Segurança Pública do DF confirmou que a medida é por tempo indeterminado e atende a um pedido formal da própria embaixada. A decisão sobre o fechamento ou a restrição de acesso às instalações diplomáticas é prerrogativa do país estrangeiro, e o governo brasileiro não tem ingerência sobre ela.
A interrupção dos serviços consulares foi comunicada na noite de quinta-feira (1º) no site da embaixada norte-americana. O motivo oficial foi “questões de segurança”. Funcionários da embaixada e dos consulados norte-americanos no país receberam orientação para trabalhar em home office.
Até mesmo integrantes internos da representação não haviam sido informados sobre os detalhes específicos da preocupação de segurança que motivou a decisão.
A Austrália também anunciou o fechamento de sua embaixada em Brasília, alegando a mesma “preocupação com segurança” que levou os EUA a suspender os atendimentos.
Reação das autoridades e “jogo de intimidação”
A equipe diplomática do Palácio do Planalto foi informada com antecedência sobre a decisão dos Estados Unidos. Ainda assim, o governo federal optou por não emitir comunicado público de destaque: a orientação interna é não superdimensionar o caso nem criar alarde, especialmente diante do fato de que a medida foi adotada a dois dias do primeiro turno das eleições.
A decisão dos EUA deve ser analisada dentro do ambiente de pressão política exercida por Washington sobre o Brasil nos últimos meses. A avaliação é de Ana Prestes, cientista política, analista internacional e apresentadora da TV Fórum, que vê na movimentação características da atuação do secretário de Estado de Donald Trump, Marco Rubio.
Em análise à Fórum, Ana Prestes afirmou que o fechamento das representações diplomáticas tem o propósito de produzir uma sensação de instabilidade no país justamente na reta final da eleição.
“Essa movimentação dos Estados Unidos, e que acaba influenciando seus parceiros, por exemplo, a Austrália, de fechamento de embaixada, isso tudo é bem a cara do Marco Rubio mesmo e do método e da forma como ele age. Então, eles acabam criando um clima de tensão”, destacou.
“Não tem nenhum risco para nenhuma embaixada hoje no Brasil, para nenhum consulado, não existe nenhum clima de violência no país. Então, a única justificativa para eles fecharem as portas e darem esse alerta é realmente ajudar a criar um clima”, disse.
“Isso interessa a eles e também, a partir desse clima, intimidar as pessoas e colocar o medo, como se as eleições do Brasil estivessem passando por alguma questão de violência iminente”, completou.
PM-DF mantém reforço de segurança na Embaixada dos EUA durante eleições
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