O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passou a expor publicamente nomes de diplomatas brasileiros nas redes sociais neste sábado (3), declarando monitorar a atuação de servidores do Itamaraty e afirmando estar “na cola” de quem, segundo ele, teria “sabotado” o governo de Jair Bolsonaro.
O movimento ocorre na reta final do processo eleitoral, em paralelo a promessas de reformas profundas na estrutura do Ministério das Relações Exteriores caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.
A ofensiva de Eduardo Bolsonaro contra o corpo diplomático brasileiro ganhou forma concreta em dois movimentos encadeados. Num vídeo publicado em 30 de setembro de 2026, ele afirmou ter “mapeado” os embaixadores que entraram e saíram de postos durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou estar “na cola” de servidores que, segundo ele, ajudaram a “sabotar” a gestão de Jair Bolsonaro.
Quatro dias depois, passou das palavras às citações diretas: começou a nomear diplomatas em publicações no X, expondo trajetórias e associações políticas de servidores de carreira a uma audiência de milhões de seguidores. O movimento ocorre em paralelo a promessas, feitas pelo próprio Eduardo, de mudanças estruturais no Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Casos específicos e acusações
O primeiro diplomata citado diretamente foi Orlando Leite Ribeiro, então embaixador do Brasil em Madri. Eduardo o associou a um episódio envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e anunciou que Ribeiro deixaria o posto em um eventual governo de Flávio.
Ribeiro já havia deixado a Embaixada em Madri em 2025, transferido para a República Tcheca, antes mesmo das declarações de Eduardo. Dentro do próprio Itamaraty, Ribeiro é visto como um quadro mais à direita.
Neste sábado, Eduardo voltou às redes para citar a embaixadora Vanessa Dolce de Faria, atual Alta Representante para Temas de Gênero do MRE. Na publicação, compartilhou uma foto dela com uma bandeira de Lula e afirmou que, em caso de reeleição do presidente, ela seria “provavelmente” a diplomata brasileira na Colômbia. Criticou ainda sua atuação na área de gênero e questionou a política externa do governo.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2106395324562506099
Dolce de Faria é diplomata de carreira desde 1999, ingressou no Instituto Rio Branco naquele ano e ocupa a função de Alta Representante desde 2023, quando o cargo foi criado pelo MRE. Ela respondeu indiretamente ao republicar uma postagem de apoio feita pelo diplomata Marcelo Costa, secretário-executivo da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), que criticava a publicação de Eduardo.
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