Atlas: Lula vence Flávio entre jovens, mais escolarizados e independentes no DF

Atlas: Lula vence Flávio entre jovens, mais escolarizados e independentes no DF
Lula vence Flávio Bolsonaro - Fotos: Ricardo Stuckert PR/Carlos Moura Agência Senado

Lula vence Flávio Bolsonaro entre jovens, eleitores com ensino superior e independentes no Distrito Federal, segundo os cruzamentos demográficos da pesquisa Atlas realizada na reta final do primeiro turno. Os recortes destoam do resultado geral do levantamento no DF, onde o candidato do PL aparece à frente na disputa presidencial.
A pesquisa ouviu 1.211 eleitores do Distrito Federal entre 27 de setembro e 2 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números DF-04297/2026 e BR-05661/2026. Os registros das pesquisas eleitorais podem ser consultados no sistema oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No resultado geral do primeiro turno, Flávio Bolsonaro registra 51,4% das intenções de voto no Distrito Federal, contra 38% de Lula. Entre os votos válidos, os percentuais ficam em 51,8% para o candidato do PL e 38,3% para o presidente.
Os cruzamentos da Atlas, porém, mostram que essa vantagem não se repete de maneira uniforme entre todos os segmentos do eleitorado. Em alguns grupos, Lula aparece numericamente à frente, inclusive entre parcelas que ajudam a revelar diferenças importantes de comportamento eleitoral dentro do próprio Distrito Federal.
Lula vence Flávio entre jovens no DF
Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Lula registra 37,6% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33,4%. A diferença é de 4,2 pontos percentuais a favor do presidente nesse segmento.
O resultado chama atenção porque ocorre em sentido contrário ao quadro geral do DF, onde Flávio mantém vantagem de dois dígitos sobre Lula.
O presidente também aparece numericamente à frente entre os eleitores com 60 anos ou mais. Nesse grupo, Lula tem 48,4%, contra 45,2% do candidato do PL.
A distribuição por idade mostra, portanto, um eleitorado menos homogêneo do que o resultado agregado sugere. Flávio tem melhor desempenho em outras faixas etárias, enquanto Lula consegue assumir a dianteira entre os mais jovens e também no grupo mais velho medido pela pesquisa.
Ensino superior dá vantagem a Lula
Outro recorte favorável ao presidente aparece entre os entrevistados com ensino superior. Lula registra 45,6% nesse grupo, contra 42,2% de Flávio Bolsonaro.
Entre os eleitores com ensino fundamental ou médio, o quadro se inverte e Flávio aparece à frente. O cruzamento por escolaridade evidencia, assim, uma divisão importante dentro do eleitorado brasiliense.
A diferença entre os dois candidatos entre os mais escolarizados é menor do que entre os independentes, mas é suficiente para colocar Lula numericamente na liderança do segmento.
Lula abre vantagem entre independentes
O recorte mais expressivo para Lula aparece entre os entrevistados que se classificam politicamente como independentes. Nesse grupo, o presidente registra 47,7%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 29,2%.
A distância é de 18,5 pontos percentuais no cenário de primeiro turno, bem superior à diferença registrada em outros segmentos favoráveis ao petista.
Em uma eventual disputa direta de segundo turno, Lula mantém a vantagem entre os independentes. O presidente chega a 51,8%, enquanto Flávio registra 33,7%. A diferença nesse cenário é de 18,1 pontos percentuais.
O dado ajuda a mostrar que o resultado geral do Distrito Federal é fortemente influenciado por grupos em que o candidato do PL concentra percentuais elevados, enquanto Lula preserva vantagem entre parte do eleitorado que não se identifica diretamente com os campos tradicionais de direita e esquerda.
Religião também revela diferenças entre os eleitores
Os cruzamentos por religião apresentam algumas das maiores diferenças da pesquisa.
Entre os entrevistados que se declaram agnósticos ou ateus, Lula registra 69,8%, contra 18,6% de Flávio Bolsonaro. Entre pessoas identificadas pela Atlas como pertencentes a outras religiões, o presidente aparece com 59,6%, enquanto Flávio tem 27,4%.
Entre os chamados crentes sem religião, Lula também aparece numericamente à frente, com 44,2%, contra 37,6% do candidato do PL.
Já entre os católicos, há uma diferença menor: Lula registra 45,8% e Flávio, 43,5%.
O quadro é bastante diferente entre os evangélicos. Nesse segmento, Flávio Bolsonaro registra 82,4%, enquanto Lula aparece com 11,5%.
Lula aparece à frente em regiões do DF
A divisão territorial utilizada pela Atlas também mostra áreas em que Lula supera o adversário.
Na região identificada como Sudeste, o presidente registra 48,6%, contra 44,2% de Flávio Bolsonaro.
Na região Central, a diferença é maior: Lula aparece com 46,3%, enquanto Flávio tem 38%, uma vantagem de 8,3 pontos percentuais para o petista.
Os dados regionais ajudam a complementar o cenário geral da pesquisa, mostrando que o desempenho dos candidatos varia de maneira considerável dentro do próprio Distrito Federal.
Flávio lidera no resultado geral
Apesar dos recortes favoráveis a Lula, o resultado agregado da Atlas aponta Flávio Bolsonaro à frente no Distrito Federal.
No primeiro turno, o candidato do PL tem 51,4% dos votos totais, contra 38% de Lula. Renan Santos (Missão) aparece com 3,4%, Ronaldo Caiado (PSD) registra 3,3% e Augusto Cury (Avante), 1,5%.
Entre os votos válidos, Flávio chega a 51,8%, enquanto Lula registra 38,3%.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Flávio aparece com 55,3% dos votos totais, contra 39,6% de Lula. Entre os votos válidos, os percentuais são de 58,3% para o candidato do PL e 41,7% para o presidente.
A Revista Fórum acompanha a reta final das eleições de 2026, com pesquisas nacionais e estaduais divulgadas antes da votação.
A Atlas utiliza a metodologia de recrutamento digital aleatório, conhecida como Atlas RDR. Os entrevistados são recrutados durante a navegação na internet em dispositivos geolocalizados, e a amostra passa posteriormente por ajustes estatísticos de sexo, idade, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior.

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