Em sua sétima disputa presidencial, em busca de um inédito quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará Flávio Bolsonaro (PL), filho “01” de Jair Bolsonaro, no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro, daqui a três semanas
Com 90,67% das urnas apuradas, Lula tem 44% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro (PL) marca 48,01%, definindo o segundo turno da disputa presidencial.
Augusto Cury (Avante) marca 2,93% em terceiro lugar. Em seguida estão Renan Santos (Missão) com 2,29%; Ronaldo Caiado (PSD) com 2,25%; e Romeu Zema (Novo) com 0,28%.
Veja a apuração voto a voto
Muito além de Lula contra o bolsonarismo
Lula chegou ao primeiro turno em busca do quarto mandato presidencial em uma disputa que vai além da aliança entre direita, mídia liberal e mercado financeiro – a conhecida Faria Lima.
Sob a articulação de Eduardo Bolsonaro com Marco Rubio, diretamente no Departamento de Estado dos EUA, o presidente precisou se contrapor ao movimento internacional, comandado por Donald Trump, que une a ultradireita aos representantes globais do ultraliberalismo, com os magnatas das big techs no comando das redes sociais.
Flávio Bolsonaro ainda tentou transformar a condição de filho do ex-presidente em ativo eleitoral. Preso, Jair Bolsonaro alçou o filho “01” à condição de presidenciável do clã um dia após o senador se reunir com Daniel Vorcaro na mansão do banqueiro em São Paulo.
Dias antes da prisão do de Vorcaro, Flávio Bolsonaro enviou um áudio para cobrar uma parte da promessa de 24 milhões de dólares para suposto patrocínio à Dark Horse. A conversa só ficou conhecida durante a campanha presidencial, após divulgação pelo site The Intercept, e Flávio admitiu a aliança com o banqueiro, que depositou mais da metade do valor no fundo de investimento Havengate, nos EUA, que é comandado por operadores do irmão, Eduardo Bolsonaro.
O primeiro turno da eleição também foi disputado dentro de um ambiente de forte tensão no Judiciário. O TSE chegou ao pleito sob o comando de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, os dois ministros do STF indicados por Jair Bolsonaro.
Logo na estreia, Nunes Marques mudou as regras da corte eleitoral para concentrar nas mãos dele e de Mendonça decisões sobre propaganda eleitoral, beneficiando Flávio Bolsonaro em diversas ocasiões e levantando suspeitas.
Mendonça ainda tornou-se personagem recorrente da crise entre Judiciário e bolsonarismo. Uma das principais acusações foi a blindagem de aliados do bolsonarismo no caso Banco Master, além do vazamento de informações sobre os inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Mendonça ainda foi figura crucial no episódio envolvendo a censura a publicações sobre Nossa Senhora, derrubando milhares de publicações a pedido de Flávio Bolsonaro, antes de admitir erro por ter censurado a publicação do ator Antônio Tabet, que cita apenas “família miliciana” no post sobre possível retirada do título de padroeira do Brasil da santa.
Depois de ataques de setores do bolsonarismo evangélico a símbolos católicos, especialmente Nossa Senhora Aparecida, a Igreja Católica passou a ocupar um espaço mais explícito no debate eleitoral. A controvérsia obrigou o bolsonarismo a disputar também um eleitorado católico que durante anos foi tratado como secundário na estratégia religiosa da direita.
O fator Trump
A eleição brasileira também passou a ser alvo de uma disputa internacional. Trump atacou Lula, pressionou o governo brasileiro e transformou a política brasileira em tema da agenda de Washington. Eduardo Bolsonaro chegou a admitir publicamente a possibilidade de Trump não reconhecer uma eventual vitória de Lula.
Foi nesse cenário que soberania se tornou uma das principais palavras da campanha de Lula. A mensagem era direta: o presidente do Brasil deveria ser escolhido pelos brasileiros, e não pela Casa Branca.
Flávio chegou ao fim do primeiro turno, portanto, enfrentando um problema diferente daquele que marcou a trajetória de Jair Bolsonaro. Precisou carregar o sobrenome do pai sem ter o pai nas ruas; contar com o apoio de Trump sem transformar a eleição em uma disputa sobre soberania; manter o eleitorado evangélico sem perder o católico; e avançar dentro de um partido que, diante da composição da chapa, mostrou os limites de sua capacidade de ampliar a candidatura para além do núcleo bolsonarista.
É esse cenário que se dará o tom do segundo turno: mais do que escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro, o eleitor será chamado a decidir qual projeto de Brasil prevalecerá diante do bolsonarismo, da pressão internacional de Trump, da crise no Judiciário e da disputa religiosa que marcou o primeiro turno.
Lula enfrenta Flávio Bolsonaro no segundo turno em sua última disputa à Presidência
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