Psol/Rede não supera cláusula de barreira por 185 votos e perde acesso a fundos e tempo de TV

Psol/Rede não supera cláusula de barreira por 185 votos e perde acesso a fundos e tempo de TV
- Bandeira do PSOL. Foto: Divulgação PSOL

A Federação Psol/Rede não superou a cláusula de barreira nas eleições de outubro de 2026 por uma margem de 185 votos. A federação garantiu os 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, mas atingiu o piso de 1,5% em apenas oito estados, quando precisava de nove. O gargalo foi o Espírito Santo, onde obteve 1,49% dos votos, faltando menos de duzentos votos para cruzar a linha. O resultado implica, ao menos por ora, na perda de acesso a tempo de rádio e TV e a verbas dos fundos partidário e eleitoral a partir de 2027. A informação é do jornalista Demetrio Vecchioli, do Metrópoles.
Federação Psol/Rede não atinge cláusula de barreira
Para superar a cláusula de barreira em 2026, um partido ou federação precisava alcançar 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, distribuídos em pelo menos nove estados com mínimo de 1,5% em cada um, ou eleger ao menos 13 deputados federais em nove estados. A Federação Psol/Rede apostou no primeiro critério.
A federação garantiu o percentual nacional com folga, puxada por desempenhos expressivos em São Paulo, onde superou 12% dos votos, e no Distrito Federal. No critério estadual, passou a barreira em oito unidades: Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Faltava um nono estado.
O Espírito Santo era o candidato mais próximo. Segundo dados do TSE, a federação obteve 31.839 votos no estado, o equivalente a 1,49% dos votos válidos. Com um total de 2.134.985 votos válidos no Espírito Santo, o mínimo necessário era 32.024 votos. A diferença: 185 votos.
Impacto da cláusula de barreira
A consequência direta de não superar a cláusula é a perda do direito a tempo de televisão e à verba dos fundos partidário e eleitoral a partir do próximo ano. Trata-se de restrição significativa para qualquer força política que pretenda competir em escala nacional, limitando tanto a capacidade de comunicação quanto o financiamento de estrutura partidária.
O resultado expõe uma contradição geográfica no desempenho da federação. Enquanto São Paulo e o Distrito Federal, com mais de 12% e 14% dos votos respectivamente, demonstram enraizamento em centros urbanos de grande peso eleitoral, a federação não conseguiu capilaridade suficiente em estados menores ou de perfil político distinto. Em Santa Catarina, ficou em 0,99%, abaixo de 1%. Na Bahia, atingiu 1,08%. No Acre, antigo reduto de Marina Silva, a Rede sequer lançou candidato e a deputada mais votada do Psol somou apenas 104 votos.
Concentração de votos em poucos estados fortes, portanto, não substitui a distribuição exigida pela legislação. O critério da cláusula foi desenhado justamente para medir presença nacional, não apenas desempenho em praças específicas.
Possíveis mudanças e próximos passos
O cenário ainda não é definitivo. A contagem de votos válidos pode ser alterada caso haja anulação de candidaturas, situação que ocorre com frequência quando se identificam fraudes na cota de gênero, como candidaturas femininas registradas sem campanha real, criadas apenas para cumprir o percentual mínimo exigido por lei. Com a anulação dessas candidaturas, o total de votos válidos diminui e a proporção dos partidos aptos aumenta automaticamente.
No caso do Espírito Santo, onde faltaram apenas 185 votos para a Federação Psol/Rede atingir 1,5%, qualquer redução no universo de votos válidos poderia ser suficiente para cruzar o limiar. A margem é estreita o bastante para que anulações pontuais alterem o resultado final.
Os prazos para a oficialização dos resultados pelo TSE e para eventuais contestações ou anulações de candidaturas que possam impactar o cálculo ainda estão em apuração.

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