Zema, Caiado, Renan: o que “nanicos” da direita falaram depois dos resultados das eleições

Zema, Caiado, Renan: o que “nanicos” da direita falaram depois dos resultados das eleições
Zema, Santos e Caiado - Renan Santos, Zema e Caiado Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil; Lula Marques/Agência...

Após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (4), candidatos com votações inexpressivas reagiram aos resultados com discursos de oposição, críticas ao processo eleitoral e sinalizações para o segundo turno.
Romeu Zema (Novo), com 0,83% dos votos válidos, declarou-se satisfeito com o “avanço da direita”; Ronaldo Caiado (PSD), que obteve 2,18%, afirmou ter “caído de pé”; e Renan Santos (Missão) atacou Flávio Bolsonaro, o chamando “burro e corrupto”, e classificou a disputa como a “mais estranha desde a redemocratização”.
Reações dos ‘nanicos’ após o primeiro turno
Com 99,24% das urnas apuradas e apenas 0,83% dos votos válidos, Romeu Zema (Novo) declarou estar “muito satisfeito” com os resultados. O ex-governador de Minas Gerais ancorou sua satisfação não no próprio desempenho, mas no que chamou de “avanço da direita, muito maior do que as pesquisas apontavam”, e na perspectiva de que o Partido Novo teria cumprido a cláusula de barreira, mecanismo que garante acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. Zema destacou ainda a eleição de três senadores pelo partido: Marcel Van Hattem (RS), Deltan Dallagnol (PR) e Lahesio Bonfim (MA), além de projetar “oito ou mais deputados federais”.
Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado com 2,18% dos votos, o equivalente a cerca de 2,6 milhões de eleitores, adotou tom semelhante ao minimizar a derrota. “Não venci, mas caí de pé. Caí com orgulho, com honra, com dignidade, com coragem e com responsabilidade”, afirmou o ex-governador de Goiás.
Já Renan Santos, do movimento Missão, escolheu o ataque direto. Ao deixar a seção eleitoral na Zona Sul de São Paulo, o candidato disparou contra Flávio Bolsonaro, chamando-o de “covarde e burro” e atribuindo sua projeção política à “única função de ser filho de um outro cara que também não era muito inteligente”.
“Façam o que vocês quiserem. Eu já avisei que não voto em bandido, não recomendo que ninguém vote em bandido. Flávio é bandido, Lula é bandido, mas não faz diferença nenhuma. Façam o que vocês quiserem. A eleição já é do Flávio Bolsonaro”, declarou, após o resultado das eleições.
Críticas ao sistema e à polarização
As críticas dos três candidatos não se limitaram aos adversários diretos. Zema aproveitou o resultado para lançar um recado ao que chamou de “intocáveis”: “Com esse avanço da direita os intocáveis lá devem estar tremendo essa noite. Não vão dormir bem”, disse, referindo-se aos ministros do Supremo Tribunal Federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O enquadramento é revelador: mesmo com menos de 1% dos votos, Zema se posicionou como porta-voz de um campo político mais amplo, deslocando o foco do próprio desempenho para a narrativa de avanço da direita.
Caiado descreveu a disputa como “atípica” e voltou a criticar a ausência de debates entre os candidatos, tema que também dominou a fala de Renan Santos.
Para Santos, as eleições foram as “mais estranhas desde a redemocratização, desde a eleição de 1989”, marcadas pela judicialização excessiva e pela escassez de embates públicos.
Posicionamento para o segundo turno
O segundo turno, marcado para 25 de outubro, opõe o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recebeu 56 milhões de votos (47%), ao presidente Lula (PT), com 53 milhões de votos (45%).
Zema não deixou margem para dúvida: “O PT é atraso, já teve todas as chances de mostrar para o que veio e o que ele entregou foi um país estagnado, um país repleto de corrupção. Onde estiver o PT nós estaremos do outro lado”, afirmou. A declaração antecipa apoio a Flávio Bolsonaro sem que o nome do senador tenha sido pronunciado diretamente.
Caiado foi mais cauteloso. Afirmou que “vai guardar a minha coerência” e que não se pronunciará sobre apoio antes de conversar com Gilberto Kassab, presidente do PSD.
Renan Santos, por sua vez, encerrou sua participação no primeiro turno afirmando que o Missão não vai apoiar nenhum dos dois candidatos classificados para a última rodada eleitoral.

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