Eduardo Cunha, peça-chave do golpe contra Dilma, não se elege deputado

Eduardo Cunha, peça-chave do golpe contra Dilma, não se elege deputado
- Eduardo Cunha - Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Um dos nomes mais emblemáticos da política nacional na última década amargou um novo e expressivo fracasso nas urnas. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), que articulou ativamente a derrubar a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), não obteve votação suficiente para conquistar uma vaga na Câmara Federal ao disputar o pleito pelo estado de Minas Gerais. Filiado ao Republicanos, o político tentou refundar sua base eleitoral em solo mineiro, mas encontrou forte resistência do eleitorado e entraves no campo jurídico-eleitoral.
A tentativa de retorno ao Congresso Nacional esbarrou na rejeição de sua candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que reafirmou o enquadramento do ex-parlamentar na Lei da Ficha Limpa, com impedimento de direitos políticos estendido até 2027. Mesmo sub-judice e aguardando manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha de Cunha foi incapaz de mobilizar o eleitorado local: com a apuração praticamente concluída, ele registrou pouco mais de 31 mil votos, número insuficiente para colocá-lo entre os eleitos do estado.
O revés consolida um longo ciclo de ostracismo político para quem já ocupou o posto de segundo na linha de sucessão presidencial. Cassado pelos próprios pares em 2016 sob graves acusações de corrupção e quebra de decoro, Cunha jamais conseguiu recuperar a relevância que deteve no Rio de Janeiro, seu reduto histórico. Nas eleições passadas, tentou sem sucesso fincar estaca no colégio eleitoral paulista pelo extinto PTB. A migração para Minas Gerais representou sua terceira investida em uma unidade da Federação diferente, evidenciando uma peregrinação política motivada pela busca de sobrevida partidária.
Estratégia de interiorização e apelo religioso
A montagem do projeto eleitoral de Cunha em território mineiro envolveu uma intensa articulação ao longo dos últimos meses. Para criar enraizamento local, o ex-deputado direcionou seus esforços a municípios do interior, tecendo alianças com lideranças religiosas do segmento evangélico, veículos de comunicação regionais e dirigentes esportivos. O fortalecimento de sua presença na mídia mineira, viabilizado pela expansão da rede de emissoras radiodifusoras associadas a membros de sua família, serviu de principal vitrine para a difusão de suas propostas.
No plano do discurso, o ex-presidente da Câmara apostou na reativação do antipetismo como linha mestra de propaganda. O político resgatou ostensivamente o papel que desempenhou no processo de 2016, quando abriu o trâmite do impeachment no momento em que ocupava a presidência da Casa de Leis. O episódio, classificado historicamente por críticos e movimentos sociais como uma manobra de retaliação pessoal devido à recusa do Partido dos Trabalhadores em blindá-lo no Conselho de Ética, voltou a ser exaltado pelo candidato como trunfo conservador, tática que se provou ineficaz frente ao eleitorado mineiro.
Fenômeno da nomadismo eleitoral
A trajetória recente de Eduardo Cunha exemplifica um movimento expressivo registrado na política brasileira no atual ciclo eleitoral. Ele figurou em um contingente de mais de uma centena de candidatos que optaram pela troca de domicílio eleitoral para tentar viabilizar suas ambições políticas. Esse grupo de postulantes nômades reflete uma tática de conveniência que transcende a mera mudança geográfica: a grande maioria dos nomes que mudaram de estado também aproveitou para trocar de agremiação partidária no mesmo movimento.
Nesse cenário de rearranjo das forças políticas, o Republicanos sobressaiu-se como a legenda que mais acolheu candidaturas vindas de outros estados, atraindo o maior número desses perfis migratórios, seguido de perto pelo Partido Liberal (PL). Contudo, no caso específico do articulador do impeachment de 2016, a troca de endereço, a nova sigla e a intensa ofensiva nos meios de comunicação locais não foram suficientes para suplantar o histórico de desgastes e as restrições legais que continuam a selar o seu destino fora do Parlamento.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!