Quem é Luna Zarattini, eleita deputada federal por São Paulo

Quem é Luna Zarattini, eleita deputada federal por São Paulo
- Luna Zarattini e Eduardo Suplicy. Créditos: divulgação/Instagram

Luna Zarattini Brandão, de 32 anos, foi eleita deputada federal por São Paulo com 233.733 votos nas eleições de 2026. A petista integra a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e ficou na 15ª colocação entre os deputados federais eleitos em São Paulo.
A trajetória de Zarattini foi construída principalmente no movimento estudantil e tem como principais bandeiras a educação pública, a ampliação de políticas sociais, os direitos humanos, o direito à moradia, o combate ao racismo e às desigualdades, a defesa do SUS e a oposição às privatizações.
No plano nacional, a campanha de Luna também incorporou pautas como o fim da escala de trabalho 6×1, a justiça tributária, a transição ecológica e mudanças no sistema de emendas parlamentares.
Nascida em São Paulo em 19 de dezembro de 1993, Luna é cientista social formada pela Universidade de São Paulo (USP) e bacharela em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Antes de ser eleita deputada federal, era vereadora de São Paulo.
A trajetória política começou ainda no ensino médio, no movimento estudantil. Na USP, Luna chegou a coordenar o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre “Alexandre Vannucchi Leme”. Ela também foi diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE).
A relação com a política institucional veio depois. Durante a gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo, Luna foi eleita Conselheira Participativa Municipal, e se tornou a pessoa mais jovem a ocupar a função na cidade, segundo a Câmara Municipal de São Paulo.
Em 2018, participou da criação do Cursinho Popular Elza Soares, iniciativa de educação popular voltada a estudantes de escolas públicas e moradores das periferias, que oferece preparação gratuita para vestibulares e para o Enem.
O histórico com a educação popular transformou sua plataforma eleitoral de 2026 em uma defesa do fortalecimento da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), de políticas de permanência estudantil e de mecanismos para facilitar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior.
Ela disputou as eleições pela primeira vez em 2020, concorrendo ao cargo de vereadora pelo PT. Com 17.296 votos, ficou na condição de suplente (posição de substituta legal para assumir o mandato em caso de vacância ou afastamento do titular, conforme as regras eleitorais).
Só em março de 2023 passou a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, após a eleição de Reis, então vereador titular, para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Com 29 anos, era uma das parlamentares mais jovens da Casa e, naquele momento, a única mulher da bancada petista. Sua atuação se concentrou principalmente em temas relacionados à educação, saúde e moradia popular.
Em 2024, Luna foi reeleita vereadora com 100.921 votos, e ficou entre os sete candidatos mais votados da cidade. Tornou-se também a mulher vereadora mais votada da história do PT em São Paulo.
Durante o mandato municipal, presidiu a Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara, colegiado que investiga denúncias de violações de direitos humanos, estuda a situação da cidadania no município e fiscaliza políticas públicas.
Luna participou, ao lado de Eduardo Suplicy, de fiscalizações em centros de acolhida que resultaram no chamado Dossiê Retrato das Ruas, voltado à investigação das condições de atendimento à população em situação de rua e às políticas de acolhimento, trabalho e renda destinadas a esse público.
Ela foi responsável por apresentar, em 2023, o PL 219/2023, que criou a proposta denominada “Chave por Chave”, texto que estabelecia que famílias retiradas de áreas de risco ou submetidas a remoções por interesse público deveriam receber previamente uma nova unidade habitacional, próxima da região onde a família vivia e que não se tratasse de abrigo provisório.
Também participou da autoria do PL 16/2023, que propõe a implementação do protocolo “Não Se Cale”, voltado à prevenção e ao enfrentamento da violência sexual contra mulheres em bares, casas noturnas, restaurantes e outros espaços de lazer.
Em novembro do mesmo ano, Luna integrou a CPI da Enel, instalada pela Câmara Municipal de São Paulo para investigar a atuação da concessionária de energia elétrica após o apagão provocado pelo temporal ocorrido no início daquele mês. Na votação final, Luna e a vereadora Elaine do Quilombo Periférico apresentaram conclusões paralelas e votaram contra o relatório aprovado pela maioria, com críticas à ausência, no documento final, de determinadas responsabilidades atribuídas à empresa e à falta de determinações relacionadas à acusação de racismo ambiental na atuação da companhia.
Na plataforma de 2026, segundo a campanha, a abordagem da deputada foi ampliada para uma defesa de reforma urbana, com políticas de habitação bem localizada, mobilidade, regularização fundiária, participação popular e adaptação das cidades às mudanças climáticas.
Outros temas defendidos por Luna envolvem o fortalecimento do Fundeb e do Plano Nacional de Educação, além da valorização dos profissionais da educação e da expansão de programas de assistência estudantil.
O presidente Lula teria pedido pessoalmente que Luna disputasse uma cadeira na Câmara dos Deputados. A vereadora não pretendia concorrer ao cargo federal, mas o presidente incentivou a candidatura em razão da expressiva votação obtida por Luna em 2024. A iniciativa seria parte de uma estratégia de renovação geracional do partido.
A deputada se posiciona a favor de temas como a redução da jornada de trabalho, por meio da PEC que propõe o fim da escala 6×1, e defende a justiça tributária e a transição econômica ecológica.

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