A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), encaminhou à Polícia Federal denúncias de ameaças de agressão física e incêndio criminoso contra estudantes e instalações da instituição, feitas em grupos de apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Em uma das mensagens, a frase é direta: “Vamos tacar fogo na UFF.”
As mensagens começaram a circular em grupos de aplicativos e redes sociais nos dias 7 e 8 de outubro, logo após alunos participarem de manifestações pacíficas em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos dias 5 e 6 do mesmo mês. O reitor em exercício, Fábio Passos, confirmou as denúncias, acionou múltiplos órgãos de segurança e determinou reforço imediato da vigilância em todos os campi.
Um dos prints enviados à PF exibe uma lista intitulada “incendiar UFF de madrugada”, com um convite para que outros participantes incluíssem seus nomes. O reitor em exercício, Fábio Passos, afirmou que a universidade agiu de imediato ao tomar conhecimento das ameaças.
“Tomamos todas as medidas necessárias, denunciamos essas ameaças à Polícia Federal, denunciamos ao município de Niterói, à Polícia Militar, à Polícia Civil”, declarou. Todo o material recebido por canais institucionais foi encaminhado às autoridades para apuração.
Contexto
Nos dias 5 e 6 de outubro, centenas de alunos da UFF participaram de manifestações pacíficas em apoio a Lula em Niterói, exercendo o que o próprio reitor Fábio Passos descreveu como “direito constitucional de expressar as suas ideias e as suas opiniões políticas.” Foi na sequência direta desses atos que as mensagens de intimidação começaram a se multiplicar nas redes.
Parte das ameaças foi trocada em um grupo denominado “Juntos com Bolsonaro”. As mensagens incluem convocações para uma manifestação em frente à UFF e frases como “vamos bater nos petistas” e “vamos infiltrados e esfaquear o líder da baderna.” Quando questionado por um estudante da UFF sobre a ameaça de incêndio, o suposto autor afirmou, também segundo o UOL, que teria sido “mera brincadeira.” A alegação não reduziu a apreensão na comunidade universitária, nem o entendimento da instituição de que o caso exigia resposta formal junto às autoridades.
O caso ocorre num contexto mais amplo de violência política contra instituições de ensino. Na noite de 7 de outubro, um incêndio de grandes proporções destruiu um prédio no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, onde funcionavam laboratórios de fármacos, informática e genética. O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, estimou prejuízo de R$ 100 milhões. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar as circunstâncias e causas do incêndio. Se há conexão entre os dois casos ou se são episódios independentes, ainda depende de apuração. O que já está claro é que universidades públicas brasileiras se tornaram alvo de intimidação num momento em que a disputa eleitoral transbordou para a ameaça física, e que a omissão diante disso tem um custo democrático que vai além dos campi.
Medidas de segurança
Além de acionar a Polícia Federal, a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Prefeitura de Niterói, a UFF mobilizou internamente a Superintendência de Operações e Manutenção (SOMA) para intensificar a vigilância em todos os campi, incluindo os municípios fora de Niterói onde a instituição atua. A universidade também estabeleceu contato com a Secretaria de Gestão Integrada de Niterói para solicitar reforço externo de segurança.
O impacto na rotina acadêmica foi imediato. Unidades como o Instituto de Letras suspenderam atividades, e estudantes relataram temor concreto de que as ameaças se convertessem em ações violentas. Em nota, a UFF reafirmou seu compromisso com “a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público”, informando que permanece acompanhando a situação em articulação com os órgãos responsáveis. Até a publicação das reportagens que embasaram esta matéria, a Polícia Federal não havia confirmado se abriria investigação formal sobre o caso.
UFF denuncia à PF ameaças de incêndio e agressão após ato de estudantes em apoio a Lula
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