A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quinta-feira (8), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que busca remover publicações das redes sociais e impor restrições a jornalistas e veículos de comunicação.
Entre os alvos estão a jornalista Laís Gouveia, editora do Brasil 247 nas redes sociais, a Mídia NINJA e o Pragmatismo Político.
A petição, de 197 páginas, tem como investigados o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), mas também apresenta pedidos que atingem diretamente profissionais e veículos de imprensa.
Os conteúdos contestados são, em sua maioria, análises e críticas a declarações do próprio Flávio Bolsonaro sobre possíveis mudanças na Constituição.
A iniciativa levanta questionamentos sobre o uso da Justiça Eleitoral para restringir manifestações jornalísticas em plena campanha presidencial.
Campanha de Flávio Bolsonaro aciona TSE contra jornalistas e veículos
A ação foi registrada sob o número 0602742-32.2026.6.00.0000 e distribuída ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
Na petição, a campanha solicita a remoção de publicações, a proibição de republicação de conteúdos considerados irregulares e o monitoramento de perfis nas redes sociais.
Os pedidos atingem jornalistas e veículos de comunicação identificados no chamado Quadro B-2 do documento, entre eles Laís Gouveia, Mídia NINJA e Pragmatismo Político.
A abrangência das medidas solicitadas chama a atenção por ultrapassar a retirada de publicações específicas e alcançar também a possibilidade de novas manifestações sobre os temas questionados pela campanha.
Publicação de jornalista sobre mudanças na Constituição é contestada
Uma das publicações questionadas é de Laís Gouveia e aparece na página 119 da petição, no item 85 da relação de conteúdos contestados.
O post foi publicado em 6 de outubro, às 19h10, e faz referência a declarações de Flávio Bolsonaro sobre mudanças constitucionais durante um comício em Goiânia.
“Flávio vai alterar a Constituição … É isso que vocês querem? Um novo golpe de estado”, escreveu a jornalista.
Segundo os dados apresentados pela própria campanha, a publicação havia registrado 33.328 visualizações e 2.708 interações até o protocolo da ação.
Os advogados do candidato classificaram a manifestação como “descontextualizada sem confirmação” e argumentaram que a referência a um golpe de Estado extrapola o conteúdo das declarações de Flávio Bolsonaro.
Mídia NINJA também é alvo da ação
Outro conteúdo contestado é um vídeo publicado pela Mídia NINJA em 7 de outubro, com participação da apresentadora Titi Müller.
Na gravação, ela comenta as declarações de Flávio Bolsonaro sobre alterações na Constituição e faz alertas sobre os possíveis riscos dessas propostas.
A defesa do candidato também considera que o conteúdo extrapola o significado de suas declarações.
Nos dois casos, a controvérsia envolve a interpretação de falas públicas do presidenciável, e não apenas a verificação de informações objetivamente falsas.
A distinção é relevante porque análises, opiniões e críticas sobre propostas de candidatos fazem parte do debate político e da atividade jornalística, especialmente durante o período eleitoral.
Flávio Bolsonaro tenta censurar Brasil 247 e Mídia NINJA por meio do TSE
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