O portal oficial da Agência Nacional do Cinema (Ancine) foi alvo de uma invasão cibernética promovida por hackers da extrema direita bolsonarista nesta segunda-feira (12). Durante o período em que esteve sob o controle dos invasores, a página principal do órgão federal de fomento ao audiovisual brasileiro exibiu mensagens de cunho golpista, ofensas xenófobas direcionadas à população do Nordeste, ameaças de destruição do patrimônio público de ensino e manifestações de apoio ideológico ao movimento bolsonarista.
Após ser invadido, o endereço eletrônico permaneceu no ar exibindo os conteúdos criminosos até que a equipe de tecnologia da informação da agência atuou para interromper a transmissão e derrubar o serviço. Ao tentar acessar o portal, agora, os usuários passaram a se deparar com mensagens de erro técnico e indisponibilidade do sistema.
O ataque não ocorre em um vácuo institucional. Historicamente, o setor cultural e o cinema nacional têm sido alvos prioritários de retórica ostensiva por parte dos bolsonaristas. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a Ancine e os mecanismos de incentivo à produção artística foram reiteradamente atacados por meio de tentativas de desmonte institucional, bloqueio de recursos financeiros e discursos de demonização contra a classe artística e acadêmica do país.
Discurso de ódio e símbolos do extremismo
Na interface modificada pelos invasores, a página exibiu uma montagem visual combinada a slogans associados a pautas reacionárias e teorias conspiratórias. No topo da tela, uma frase em letras de grande formato trazia xingamentos explícitos e generalizados aos habitantes da Região Nordeste, em clara alusão ao engajamento eleitoral daquela população em favor de candidaturas progressistas. “Nordestinos Burros”, dizia.
A parte gráfica da invasão reuniu símbolos marcantes da estampa ideológica do bolsonarismo:
Imagens de lideranças: O portal exibiu uma fotografia do senador Flávio Bolsonaro vestindo uma camisa verde e amarela, usando óculos escuros e fazendo o gesto característico de “arma com as mãos”.
Xenofobia e violência símbolica: A tela continha uma ilustração da deputada federal Júlia Zanatta segurando um chicote e simulando agressões físicas contra a representação geográfica do mapa do Nordeste.
Slogan ideológico: O grupo inseriu mensagens de apoio irrestrito à extrema direita, aludindo ao lema “Deus, pátria e família”, acompanhado de declarações de alinhamento geopolítico ao Sul do país, aos EUA e a Israel.
Narrativas sobre o cinema e ameaças às universidades
O texto inserido no site hackeado buscou intervir no debate sobre o financiamento público do cinema brasileiro. O grupo defendeu a legalidade e a lisura dos incentivos concedidos a produções alinhadas a pautas extremistas, como o projeto cinematográfico “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que levantou acusações sem provas de irregularidades no patrocínio de obras e iniciativas ligadas a setores progressistas.
A investida criminosa também direcionou ataques às instituições federais de ensino superior. Em um dos trechos mais agressivos registrados na tela invadida, os hackers proferiram ameaças diretas de queima e destruição das universidades públicas brasileiras, classificando a comunidade acadêmica com termos ofensivos e jargões anticomunistas.
As autoridades de segurança cibernética do governo federal e os órgãos de investigação foram acionados para apurar a autoria do ataque, identificar os responsáveis pela invasão do servidor público e mensurar eventuais impactos sobre a infraestrutura de dados da agência reguladora.
Veja a imagem de tela deixada pelos invasores bolsonaristas:
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