Fim da escala 6×1: Flávio Bolsonaro recua e diz que votará a favor com medo de perder votos

Fim da escala 6×1: Flávio Bolsonaro recua e diz que votará a favor com medo de perder votos
- Flávio Bolsonaro após visita ao pai, Jair Bolsonaro (Evaristo Sa / AFP)

Com medo de perder votos dos trabalhadores, Flávio Bolsonaro (PL) recuou e, mesmo contrariado, afirmou que votará a favor da PEC que prevê o fim da escala 6×1, que deve entrar na pauta do Senado nesta quarta-feira (14).
A declaração foi dada depois que o senador visitou o pai, Jair Bolsonaro (PL), na mansão onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. É a primeira visita do senador ao pai nos últimos 90 dias. A proibição foi imposta por Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após Flávio Bolsonaro desobedecer as imposições judiciais e divulgar uma carta de Jair em suas redes.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor”, disse Flávio Bolsonaro ao deixar o condomínio.
O recuso se deu após a bancada bolsonarista admitir que não tem votos para derrubar a PEC do fim da 6×1.
“Tudo para sabotar”
Na semana passada, a Fórum revelou um áudio que estava sendo distribuído pelo ex-secretário Nacional da Pesca no governo Jair Bolsonaro e uma das figuras centrais da bancada comandada por Flávio Bolsonaro (PL) no Senado, Jorge Seif Jr. (PL-SC), em que ele pedia a empresários “piquete na porta do Alcolumbre” para sabotar a votação da PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 de trabalho.
Na mensagem, Seif Jr. admite no áudio que a oposição “não tem voto para barrar isso”.
“E eu falo com vocês: as empresas, as associações que vocês são filiados, realmente tinham que fazer piquete aqui na porta do Alcolumbre, com os seus senadores, cobrar a posição dos seus senadores, porque nós, da oposição, não temos votos para segurar”, afirma, referindo-se a Davi Alcolumbre (União-AP).
No áudio, Seif Jr. diz que o grupo comandado por Flávio Bolsonaro está “tentando fazer de tudo para sabotar” a votação da PEC que prevê a redução da jornada de trabalho, mas antecipa que não conseguirão barrar, caso a PEC entre na pauta.
“Estamos tentando fazer de tudo para sabotar, mas vocês vejam que eles têm quórum para aprovar. Então, eu sou muito sincero: se realmente não houver uma mobilização do setor produtivo, fazer piquete – tem que aprender alguma coisa com o MST, com esses caras da esquerda – se não pressionar os senadores vindo a Brasília, vindo em bando nos gabinetes, cercando o Davi Alcolumbre, eu, sinceramente, estou muito pessimista. Muito pessimista. Nós hoje não temos força”, diz.
Por fim, Seif diz que deu o mesmo recado em um almoço que associações empresariais teriam oferecido a ele e cita nominalmente a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na convocatória.
“Teve um almoço que eles ofereceram para mim, falaram de campanha, de eleição e o principal assunto foi esse. Eu expus, eu falei: ‘olha, nós não temos maioria nesta legislatura, na próxima nós teremos. Mas, aí já vai ser tarde demais. Então, se os setores produtivos, o setor do agro, os estados não se mobilizarem, FIESC, FIESP, associação agro, blá blá blá blá blá, realmente, aqui nós não temos força para segurar. Parlamento é voto e nós somos minoria”, concluiu.
https://x.com/revistaforum/status/2108210410616688804

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