Flávio Bolsonaro diz que Bukele é pouco e promete medidas ilegais na área de segurança pública

Flávio Bolsonaro diz que Bukele é pouco e promete medidas ilegais na área de segurança pública
- AFP/ Reprodução

Que Flávio Bolsonaro (PL) rasgou a fantasia de moderado e democrata não é novidade desde o primeiro turno da eleição presidencial. No entanto, o candidato do PL elevou ainda mais o tom de seu discurso nesta segunda etapa da disputa pelo Palácio do Planalto.
Empolgado após terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro já anunciou que pretende mudar a Constituição Federal caso seja eleito, embora não tenha detalhado todas as alterações que pretende promover.
Mas o presidenciável foi além na noite desta terça-feira (13). Durante um evento de campanha, Flávio ironizou a política de segurança pública do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e afirmou que as medidas adotadas pelo governante salvadorenho serão pouco diante do que pretende fazer no Brasil.
Conhecido pelo encarceramento em massa e pelo endurecimento das políticas de segurança, Bukele tornou-se uma referência internacional de medidas autoritárias no combate ao crime organizado. Para Flávio Bolsonaro, no entanto, o modelo salvadorenho não seria suficientemente rigoroso.
Em tom de deboche, o candidato do PL afirmou que pretende superar as medidas implementadas em El Salvador, prometendo ampliar o sistema prisional brasileiro, endurecer penas e instituir a castração química para determinados crimes sexuais.
“Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública, vocês não viram nada ainda. Eu já estou trocando uma ideia com o Derrite, porque eu tô achando que El Salvador é pouco. Vou fazer mais de meio milhão de vagas em presídios para prender desde estuprador e abusador de mulher e criança, [abusador] vai sofrer castração química e vai ficar preso por muito tempo. Ladrão de celular, a gente vai mudar a lei no Congresso. Vai ser no mínimo oito anos de cadeia, vai ficar preso e ser obrigado a trabalhar para dar valor a como é difícil comprar um celular.”
https://x.com/SamPancher/status/2110130318237995151
Nayib Bukele e o avanço do autoritarismo em El Salvador
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que inspira Flávio Bolsonaro, tornou-se conhecido internacionalmente por sua política de segurança pública baseada no encarceramento em massa e na suspensão de garantias individuais. Desde março de 2022, o país vive sob um regime de exceção que permite detenções sem as garantias processuais habituais. Embora o governo registre uma queda expressiva nos homicídios, organizações internacionais de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias, tortura, mortes sob custódia do Estado e outras violações.
A política de Bukele também é marcada pelo enfraquecimento das instituições democráticas e pela concentração de poder. Em 2021, a Assembleia Legislativa, controlada por aliados do presidente, destituiu magistrados da Sala Constitucional da Suprema Corte e o procurador-geral. Em julho de 2025, o Legislativo aprovou uma reforma constitucional que permite a reeleição presidencial por tempo indeterminado, ampliando as possibilidades de permanência de Bukele no poder.
Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch alertam que o combate à criminalidade tem sido acompanhado por graves violações de direitos humanos e pelo desmonte de mecanismos de controle institucional. Apesar das críticas, Bukele mantém amplo apoio popular, impulsionado principalmente pela redução da violência. É esse modelo de segurança, já marcado por denúncias de autoritarismo e abusos, que Flávio Bolsonaro ironizou ao afirmar que “El Salvador é pouco” diante das medidas que pretende adotar no Brasil.

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