O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) após o primeiro turno das eleições de 2026, ultrapassou a marca de 4,3 milhões de seguidores em meio à disputa judicial sobre seu funcionamento. O crescimento ocorreu enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alternava decisões de suspensão e liberação da ferramenta, após questionamentos apresentados pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A controvérsia ganhou força no domingo (11), quando o ministro Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio, que acusou o grupo de promover a disseminação coordenada de notícias falsas.
Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a medida. Ele considerou que a suspensão integral era excessiva antes da conclusão das manifestações das partes envolvidas no processo.
Na terça-feira (13), Nunes Marques voltou a impor restrições ao canal. Desta vez, condicionou seu funcionamento ao registro formal como instrumento oficial de comunicação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Canal registrado
Para atender à determinação, a campanha petista registrou o canal junto ao TSE no mesmo dia. Com a regularização, o ministro autorizou a retomada das atividades, mas estabeleceu prazo de 48 horas para o restabelecimento completo das publicações e do recebimento de novos participantes.
A decisão também determinou que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, adotasse medidas de monitoramento para identificar e combater a disseminação de desinformação na plataforma.
Mesmo diante das restrições judiciais, o canal continuou atraindo usuários, chegando à faixa de 4,2 milhões a 4,3 milhões de inscritos. A repercussão do caso e a disputa em torno da ferramenta ampliaram a visibilidade do grupo de mobilização digital ligado ao campo político de Lula.
Para se inscrever
Para se inscrever no canal “Exército do Lula” no WhatsApp, existem dois métodos principais utilizados pelos organizadores para distribuir o link oficial:
Automatização pelo Instagram
A forma mais comum divulgada pela coordenação do canal (feita pelo deputado André Janones) funciona por meio de automação nas redes sociais:
Acesse o perfil oficial do deputado André Janones no Instagram.
Deixe um comentário escrito “soldado” em qualquer publicação recente sobre o canal.
Uma assistente virtual enviará automaticamente uma mensagem privada (Direct) para você.
Abra a mensagem, toque no link enviado e você será redirecionado para o WhatsApp.
Censura ao Exército do Lula: técnicos do TSE não encontraram fake news apontadas por Flávio
O episódio ganha contornos ainda mais controversos diante das conclusões da própria área técnica do TSE. Um relatório divulgado na segunda-feira (12) não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, a reprodução das afirmações falsas apontadas no processo.
A análise da equipe técnica da Justiça Eleitoral examinou textos e vídeos publicados no canal. Embora tenha identificado linguagem polarizadora e atuação coordenada para disseminar conteúdos, não localizou as mensagens específicas cuja circulação havia sido questionada.
A campanha de Flávio Bolsonaro sustentou que Janones utilizava o canal para disseminar desinformação em larga escala, incluindo conteúdos sobre aposentadorias, Bolsa Família e Nossa Senhora Aparecida. A defesa do candidato também apontou a exclusão de mensagens, circunstância que limita a verificação integral do histórico.
O relatório, portanto, não equivale a uma declaração de regularidade de todas as atividades do canal. Mas também não confirmou, no material examinado, a circulação das afirmações específicas utilizadas para fundamentar as acusações.
Janones denuncia censura e Lula cobra imparcialidade
Desde a primeira ordem de suspensão, Janones acusa a campanha de Flávio Bolsonaro de tentar silenciar uma das principais ferramentas de mobilização digital dos eleitores de Lula.
Em reportagem publicada no domingo, a Revista Fórum mostrou como Nunes Marques determinou a suspensão do canal, enquanto o mesmo caso já estava sob análise do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia solicitado informações complementares antes de decidir sobre o pedido.
O presidente Lula também criticou a atuação de Kassio Nunes Marques. Na segunda-feira (12), o petista cobrou imparcialidade do presidente do TSE diante das decisões envolvendo sua campanha e a de Flávio Bolsonaro.
Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a suspensão como censura e anunciou que o partido contestaria as restrições impostas ao canal.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o Exército do Lula passou de aproximadamente 3,3 milhões para mais de 4 milhões de seguidores durante a sequência de decisões judiciais. O canal se tornou uma das principais estruturas de comunicação direta com os apoiadores do presidente.
A nova restrição ocorre mesmo depois de a campanha petista formalizar seu registro no TSE. A decisão mais recente de Nunes Marques condiciona a retomada das atividades ao cumprimento do intervalo de 48 horas, mantendo o canal fora do ar durante parte da reta final da disputa presidencial.
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