A edição do Jornal Nacional (Globo) desta segunda-feira (19) exibiu uma longa reportagem sobre uma operação da Polícia Federal (PF) contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de repassar informações sigilosas de processos da Corte ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL) e apontado como seu possível sócio oculto.
A reportagem também destacou que Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro.
“A Polícia Federal fez buscas contra um ex-secretário do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Humberto Pradera é suspeito de repassar informações sigilosas ao advogado Willer Tomaz. Willer e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, são investigados por lavagem de dinheiro”, informou o telejornal na abertura da reportagem.
Em outro momento, o Jornal Nacional apresentou detalhes da relação entre o advogado e o candidato à Presidência, com base em informações obtidas pela Polícia Federal durante a análise de dados extraídos do celular de Willer Tomaz.
“A partir da análise dos dados do celular de Willer Tomaz, a Polícia Federal encontrou e-mails que mostram que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como usuário master de uma conta bancária de uma empresa do advogado. O relatório também cita festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio e o pagamento de viagens ao senador.”
As informações apresentadas pelo telejornal apontam para a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além de trazerem novos elementos sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal.
Confira abaixo a íntegra da reportagem do Jornal Nacional:
https://x.com/centralreality/status/2112333901276344630
PF mira ex-secretário de TI do STJ que teria vazado informações para Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) uma operação que cumpre mandados de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de tecnologia do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de vazar informações sigilosas de processos da Corte para o advogado Willer Tomaz, amigo e possível sócio oculto de Flávio Bolsonaro (PL)..
A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se baseia em um relatório policial que descreve diálogos nos quais Pradera teria antecipado o teor de votos e decisões antes mesmo de sua assinatura. Tomaz nega as acusações e classifica as insinuações como falsas.
Pradera havia sido exonerado do cargo na semana passada e a suspeita central que motivou a ação é o vazamento de informações antecipadas de processos do STJ para o advogado Willer Tomaz.
O ex-secretário ocupava posição estratégica na estrutura tecnológica do tribunal, com acesso privilegiado a sistemas que concentram informações processuais sensíveis. Até o momento da publicação desta matéria, Pradera não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.
As acusações e as provas apresentadas pela PF
O relatório policial que embasou a operação descreve com detalhes os diálogos entre Pradera e Willer Tomaz, nos quais o ex-secretário teria antecipado o teor de votos e decisões do STJ. Em um dos episódios narrados pela PF, Pradera teria enviado a Tomaz uma fotografia da tela de um computador exibindo um documento jurídico de 17 páginas, cujo conteúdo concluía pelo não conhecimento de recursos especiais.
Segundo a PF, a fotografia “aparenta ter sido produzida em ambiente funcional, considerando o contexto do documento exibido e a presença de carimbo sobre a mesa”.
O relatório policial vai além: descreve que, ao ser questionado por Tomaz sobre o número do processo, Pradera identificou o recurso como “REsp 2122969” e explicou os possíveis efeitos da decisão sobre uma tutela em vigor, tudo isso antes de qualquer assinatura ministerial.
“O episódio registra o compartilhamento de conteúdo processual, acompanhado de explicações sobre seus possíveis efeitos”, conclui o documento da PF. A sequência descrita no relatório sugere não apenas o repasse de um documento, mas uma orientação ativa sobre o que aquela decisão significaria para o caso em questão.
O que dizem os envolvidos e o contexto político
Em nota, Willer Tomaz negou categoricamente ter tido acesso irregular a decisões judiciais ou ter interferido em documentos processuais. “As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais”, afirmou o advogado.
A defesa de Tomaz sustenta que a ciência antecipada de julgados no STJ não constitui ilícito, mas uma funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte, e que transformar rotina processual em suspeita equivale a criminalizar o exercício da advocacia.
O argumento da defesa, porém, não responde ao que a PF efetivamente descreve no relatório: não o simples acesso a informações disponíveis no sistema, mas o recebimento de fotografias de documentos ainda sem assinatura ministerial, acompanhadas de explicações sobre seus efeitos. A distinção entre consultar um sistema público e receber antecipadamente o conteúdo de uma decisão inacabada é o núcleo da suspeita investigada.
Em 8 de setembro, a PF enviou ao Supremo uma nova investigação sobre Flávio Bolsonaro, senador com vínculos reconhecidos com Tomaz, por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado. O inquérito foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A operação desta segunda-feira não incluiu mandados relacionados a Flávio Bolsonaro, mas se baseia no mesmo relatório que apontou os vínculos entre o senador e Tomaz.
Jornal Nacional faz matéria sobre investigação de Willer Thomaz, apontado como sócio de Flavio Bolsonaro
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