De direita, ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca declara apoio a Lula

De direita, ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca declara apoio a Lula
Rafael Greca declara apoio a Lula - Ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca Luis Pedruco/AtoPress/Folhapress

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), uma das figuras tradicionais da direita paranaense, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Em um discurso que circulou nas redes sociais nesta segunda-feira (19), Greca deixou as diferenças ideológicas em segundo plano e defendeu a continuidade das políticas sociais, do financiamento da cultura e da soberania brasileira.
A manifestação chama atenção pela trajetória política do ex-prefeito, que governou Curitiba por três mandatos e integrou, nas eleições deste ano, a chapa de Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná, articulada pelo governador Ratinho Júnior (PSD).
Ao explicar sua posição, Greca fez ressalvas ao governo Lula, mas afirmou reconhecer no presidente um compromisso com a população mais pobre e com a preservação das políticas culturais brasileiras.
“Se houver um Lula, não está meio dando no gasto, mas pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet”, afirmou.
https://x.com/MadLeineGrl/status/2112383851498442758
Rafael Greca declara apoio a Lula e faz alerta sobre a cultura
Um dos momentos mais contundentes do discurso foi dedicado à defesa da cultura e da educação pública. Greca criticou o projeto político adversário e alertou para o risco de enfraquecimento dos mecanismos de financiamento cultural em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
“Não vai ter Lei Rouanet. Eles não querem a música, eles não querem o financiamento da cultura, eles não querem museus, eles não querem universidades, eles não querem escolas públicas”, declarou.
As afirmações expressam a avaliação política do ex-prefeito sobre os riscos de uma mudança de governo. Greca também questionou a influência dos Estados Unidos sobre o Brasil e associou a disputa presidencial à defesa dos interesses nacionais, especialmente das riquezas minerais brasileiras.
“Pensem qual ideologia vale o direito de calar o Brasil, e calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos, para só servir aos que querem as nossas terras raras”, disse.
Ao pedir que os brasileiros ultrapassem as divisões ideológicas na escolha do próximo presidente, Greca recorreu a uma comparação com a música.
“Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro, para tocar, precisa das duas mãos, a direita e a esquerda.”
O ex-prefeito concluiu sua manifestação ressaltando que não poderia permanecer em silêncio diante da disputa eleitoral: “Eu não posso me calar, porque se eu me calasse, as pedras falariam”.
Ex-prefeito integrou chapa da direita derrotada por Sergio Moro
Rafael Greca administrou Curitiba entre 1993 e 1996 e voltou à prefeitura por dois mandatos consecutivos, de 2017 a 2024. Ao longo da carreira, passou por diferentes legendas, incluindo DEM e PSD, antes de retornar ao MDB.
Nas eleições estaduais de 2026, disputou a vice-governadoria na chapa de Sandro Alex, apoiada por Ratinho Júnior. A candidatura foi derrotada por Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná ainda no primeiro turno.
Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Moro recebeu 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos.
A manifestação de Greca ocorre a cinco dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25). Seu posicionamento evidencia que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro também mobiliza lideranças conservadoras dispostas a apoiar o petista em questões como soberania nacional, políticas sociais e preservação da cultura brasileira.

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