Quem é o ‘Careca do INSS’, que compartilhava endereço com Flávio Bolsonaro

Quem é o ‘Careca do INSS’, que compartilhava endereço com Flávio Bolsonaro
- Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tornou-se um dos principais personagens das investigações sobre o esquema de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apontado pela Polícia Federal (PF) como operador central das fraudes, ele também passou a ser associado a um novo foco de atenção política após a divulgação sobre o compartilhamento de endereço empresarial com uma companhia do senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo reportagem do ICL Notícias publicada em setembro, a Bravo Grafeno, empresa do setor de capacetes que tem como dono Flávio Bolsonaro, está registrada na mesma sala comercial em Águas Claras, no Distrito Federal, que aparece no cadastro de pelo menos 16 empresas vinculadas ao “Careca do INSS”.
LEIA TAMBÉM: Firmas de Flávio Bolsonaro e Careca do INSS têm sede na mesma sala, revela portal
Quem é o “Careca do INSS”?
Antônio Carlos Camilo Antunes é um empresário e lobista investigado por sua atuação na estrutura financeira que movimentava recursos de entidades associativas relacionadas ao esquema de descontos em benefícios previdenciários do INSS. A Polícia Federal o aponta como uma figura central na operação de empresas utilizadas para receber e transferir valores provenientes dessas organizações no esquema de fraudes.
O apelido “Careca do INSS” ganhou notoriedade durante a repercussão nacional do caso e também apareceu no debate político. O empresário passou a ser conhecido pelo papel atribuído a ele nas investigações sobre cobranças realizadas diretamente nos pagamentos de aposentados e pensionistas.
Antunes foi preso em setembro do ano passado pela PF após ser apontado como lobista do esquema de roubos do INSS, ou seja, quem operava as fraudes. O esquema investigado envolvia mensalidades associativas descontadas dos benefícios previdenciários sem autorização válida dos segurados. Os descontos eram vinculados a entidades que, em determinadas circunstâncias, tinham autorização para efetuar cobranças diretamente na folha de pagamento dos beneficiários.
Segundo as investigações, o esquema roubou, entre 2019 e 2024, cerca de R$ 6,3 bilhões de mais de 4,3 milhões de segurados. Os valores se referem à dimensão estimada das cobranças sob investigação e não devem ser confundidos automaticamente com um montante definitivamente comprovado como desvio de responsabilidade individual de cada investigado.
Como funcionava a fraude no INSS?
A investigação da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), identificou um amplo sistema de cobranças associativas irregulares.
Segundo os investigadores, entidades associativas recebiam mensalidades descontadas dos benefícios e parte dos recursos era transferida a empresas relacionadas a operadores financeiros. A PF apura se essa estrutura foi utilizada para ocultar a origem do dinheiro, dificultar o rastreamento das operações e financiar a aquisição de bens.
Antunes mantinha participação formal em pelo menos 22 empresas de setores como consultoria empresarial, cobrança telefônica, construção e incorporação imobiliária. Entre elas estava a Prospect Consultoria Empresarial, citada nas apurações sobre as transferências de recursos de entidades investigadas.
Qual é a ligação entre o Careca do INSS e Flávio Bolsonaro?
A conexão entre o Careca do INSS e o candidato Flávio Bolsonaro passa pela Bravo Grafeno, empresa de capacetes quem tem como dono o senador, e pela estrutura empresarial de Antônio Carlos Camilo Antunes. Segundo levantamento do ICL Notícias, pelo menos 16 empresas associadas ao investigado tinham cadastro no mesmo endereço da companhia ligada a Flávio: a sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal.
O endereço também aparece vinculado à Prospect Consultoria Empresarial, uma das empresas relacionadas às movimentações financeiras examinadas pela investigação do roubo do INSS. O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o INSS registrou que a Prospect recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas.
Outro ponto destacado é a atuação de Alexandre Caetano dos Reis, contador que foi sócio de Antunes e prestava serviços contábeis a empresas relacionadas ao empresário. Ele também era responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
LEIA TAMBÉM: Contador de Flávio Bolsonaro, ligado ao Careca do INSS, está preso por fraudes em aposentadorias
Além disso, a empresa de contabilidade Voga Serviços Contábeis, ligada a Alexandre, confirmou prestar serviços à empresa do senador. Um representante ouvido pelo veículo, entretanto, contestou que a sala 2601 pertencesse à Voga e afirmou que ali funcionava um espaço de coworking.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!