Investigado pela PF, Willer Tomaz ‘fugiu’ para Miami e só deve voltar se Flávio Bolsonaro vencer

Investigado pela PF, Willer Tomaz ‘fugiu’ para Miami e só deve voltar se Flávio Bolsonaro vencer
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro - Foto: Divulgação/Redes Sociais

O advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixou o Brasil e está em Miami, nos Estados Unidos, em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal (PF) que envolvem os dois. A viagem, realizada às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, colocou os investigadores em alerta e levantou suspeitas de que o jurista tenha deixado o país para escapar de eventuais medidas judiciais.
Mas há outro detalhe que chama ainda mais atenção: interlocutores de Tomaz apostam que ele só retornará ao Brasil depois do segundo turno, marcado para este domingo (25), e apenas se Flávio Bolsonaro derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A expectativa atribuída a pessoas próximas ao advogado coloca o resultado das urnas no centro das especulações sobre seu retorno. O caso ganha ainda mais relevância porque a relação entre Tomaz e Flávio ultrapassa a amizade pessoal e passou a ser examinada pela Polícia Federal em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
O advogado confirmou que viajou ao exterior acompanhado da mulher e dos dois filhos. Ele afirma que não existe qualquer decisão judicial que o impeça de deixar o território nacional e nega irregularidades.
PF suspeita de viagem para escapar de medidas judiciais
A saída de Willer Tomaz do Brasil ocorreu justamente quando avançam investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e envolvem o advogado e Flávio Bolsonaro.
A viagem acendeu um sinal de alerta na Polícia Federal. Investigadores levantaram a hipótese de que Tomaz tenha deixado o país para evitar eventuais medidas cautelares que possam ser determinadas no curso das apurações.
A coincidência entre a viagem e o avanço dos inquéritos alimenta as suspeitas, embora não exista comprovação de que a intenção do advogado tenha sido fugir de providências judiciais.
O episódio ocorre em um momento especialmente delicado para Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência da República enquanto surgem novas informações sobre suas relações pessoais e financeiras com personagens investigados pela PF.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro
Uma das principais frentes de investigação envolve justamente a relação entre o candidato do PL e seu amigo advogado.
Em 8 de outubro, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um novo inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas aos dois. O procedimento foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, um dos principais alvos de ataques do bolsonarismo.
A investigação busca esclarecer movimentações financeiras e possíveis irregularidades envolvendo a relação entre Flávio e Tomaz.
Willer também foi alvo de diligências ligadas à Operação Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A defesa do advogado, entretanto, sustenta que ele não é investigado por fraudes contra aposentados e afirma que o procedimento mencionado em sua manifestação pública diz respeito à propriedade de um imóvel.
Apostas milionárias e suspeitas de lavagem de dinheiro
As investigações sobre Willer Tomaz também alcançam movimentações financeiras realizadas em plataformas de apostas eletrônicas.
O advogado movimentou R$ 4,8 milhões na Bet7K, plataforma operada pelo grupo Ana Gaming, que foi alvo da Operação Narco Bet, da Polícia Federal, por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Dados do Ministério da Fazenda obtidos pela reportagem mostram que Tomaz depositou R$ 1,3 milhão na plataforma. As operações com jogos eletrônicos alcançaram R$ 4,3 milhões, enquanto os saques somaram R$ 426 mil.
O advogado também é investigado por movimentações financeiras envolvendo a Blaze. A PF apura a possibilidade de que operações em plataformas de apostas e transferências entre contas tenham sido utilizadas para ocultar a origem e o destino de recursos.
Tomaz rejeita qualquer associação com organizações criminosas. Sua defesa afirma que ele utilizou recursos próprios e declarados para realizar apostas e que eventuais irregularidades cometidas pelas empresas não podem ser atribuídas automaticamente aos clientes.
PF também investiga suspeita de vazamento de decisões do STJ
Outra frente de investigação envolvendo Willer Tomaz ganhou força em 19 de outubro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Linceu.
Na ocasião, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Pradera é suspeito de repassar ao advogado informações sigilosas sobre processos que tramitavam na Corte, incluindo conteúdos de decisões judiciais ainda não divulgadas oficialmente.
Segundo as investigações, mensagens analisadas pela PF indicam que o ex-servidor mantinha Tomaz informado sobre demandas internas do tribunal e teria compartilhado documentos obtidos no ambiente de trabalho.
A operação apura possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Em manifestação sobre as suspeitas, Willer Tomaz negou ter obtido informações irregularmente ou interferido em decisões judiciais.
“As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais”, declarou.
Willer Tomaz nega fuga e diz não ter restrições para deixar o Brasil
Procurado pelo site Metrópoles, Willer Tomaz confirmou que deixou o país com a família, mas rejeitou qualquer interpretação de que sua viagem tenha como objetivo escapar da Justiça.
Em nota, o advogado afirmou que possui endereços residenciais e comerciais conhecidos e que não está submetido a nenhuma restrição judicial que limite seu direito de viajar.
“Especular, sem fundamento, sobre eventuais medidas cautelares é fofoca de mau gosto, destinada a fabricar fatos com fins político-eleitorais.”
A defesa também sustenta que as acusações divulgadas contra Tomaz são infundadas e contesta a associação de seu nome a supostos esquemas criminosos.
O fato é que sua saída do Brasil ocorre em meio ao avanço de investigações que também atingem Flávio Bolsonaro, a poucos dias da definição de quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.
Enquanto a PF continua apurando as movimentações financeiras e as relações do advogado, a expectativa atribuída a seus interlocutores é de que seu retorno ao Brasil dependa de uma condição política: a vitória do amigo Flávio Bolsonaro nas urnas.
Por enquanto, não há impedimento judicial conhecido para que Tomaz retorne ao país.

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