Lula publica artigo na Folha; Flávio Bolsonaro foi convidado, mas não escreveu

Lula publica artigo na Folha; Flávio Bolsonaro foi convidado, mas não escreveu
O presidente Luiz Inacio Lula da Silva - O presidente Luiz Inacio Lula da Silva/Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a mobilização popular nas ruas se tornou um dos principais elementos da campanha presidencial de 2026. Em artigo publicado na seção Tendências/Debates da Folha de S.Paulo, o petista disse que a participação direta da população representa uma mudança no processo eleitoral, marcado nos últimos anos pela crescente influência das plataformas digitais. O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, também foi convidado a escrever para a seção, mas não enviou artigo.
“A cada eleição, o processo eleitoral brasileiro assiste à escalada das plataformas digitais. Aos poucos, as telas foram tomando o espaço que era das pessoas”, escreveu Lula. Segundo o presidente, a campanha de 2026 apresenta uma mudança nesse cenário, com a retomada das manifestações presenciais e o envolvimento direto de eleitores.
“Mas, em 2026, isso mudou, e o que vimos vai entrar para a história. O povo entendeu que esta eleição não é entre dois candidatos. Ele, o povo, é o próprio candidato”, afirmou.
Lula descreveu o momento como uma fase de mobilização popular que ultrapassa a atuação de partidos e organizações políticas. Para ele, manifestações realizadas em diferentes regiões do país demonstram que a população assumiu protagonismo na campanha.
“Milhares de movimentos de rua acontecem sem organização partidária, de maneira viva e espontânea. O povo se juntou e tomou para si a campanha”, escreveu.
O presidente também destacou a importância das redes sociais, mas argumentou que a presença nas ruas foi determinante para ampliar o alcance de sua candidatura. Segundo ele, a mobilização foi impulsionada tanto pela defesa de conquistas anteriores quanto pela expectativa de avanços sociais e econômicos.
“Não abandonamos as redes. Ao contrário, ocupamos como nunca. Um exército heroico foi montado. Abrir o celular foi motivador e não desanimador. Mas foi nas ruas que, de maneira absoluta, nos quatro cantos do país, nós ocupamos os corações”, declarou.
Lula cita programas sociais e direitos trabalhistas
Na avaliação do presidente, parte da mobilização popular está relacionada à defesa de políticas públicas implementadas ou consolidadas durante seus governos. Entre as iniciativas mencionadas estão o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida.
O petista também citou a valorização do salário mínimo acima da inflação, o fim da escala de trabalho 6×1 e a reforma tributária como pautas que mobilizam trabalhadores e famílias.
“A classe trabalhadora foi para a rua defender direitos trabalhistas conquistados: o reajuste salarial acima da inflação, o fim da escala 6×1 e um novo modelo tributário, que isenta impostos das famílias e coloca os milionários para pagar a conta”, escreveu.
Lula também relacionou a campanha à defesa da soberania nacional. No artigo, citou as terras raras, o petróleo e a Amazônia como recursos estratégicos que devem ser preservados sob os interesses brasileiros.
“Brasileiras e brasileiros verdadeiramente patriotas também foram para a rua defender o que é nosso: nossa soberania, nossas terras raras, nosso petróleo e a nossa Amazônia”, afirmou.
O presidente argumentou que a mobilização não é motivada apenas pelo receio de perder benefícios e direitos. Segundo ele, os apoiadores também buscam novas oportunidades, desenvolvimento econômico e melhorias na qualidade de vida.
“Mas não é apenas o medo de perder que mobiliza nossa gente. O Brasil segue indo para as ruas porque quer mais”, escreveu.
Entre as prioridades apontadas por Lula estão investimentos em ciência, tecnologia e indústria nacional, além da transição energética e da preservação ambiental. O presidente também mencionou a necessidade de ampliar a segurança para as mulheres, garantir melhores perspectivas para as crianças e melhorar a qualidade de vida dos idosos.
Presidente critica extrema direita e fala em última eleição
Lula afirmou que a eleição brasileira está inserida em um cenário internacional de disputa política e econômica, marcado pelo crescimento da extrema direita e pela concentração de riqueza.
“A desigualdade está crescendo no planeta, e há uma desordem mundial em curso: a extrema direita cresce, patrocinada por um punhado de bilionários transnacionais”, escreveu.
O presidente também criticou grupos econômicos e políticos que, segundo ele, atuam contra os avanços sociais. Entre os setores mencionados estão plataformas digitais, empresas de apostas, bilionários, narcotráfico, milícias e integrantes da classe política.
No artigo, Lula associou esse cenário à concentração histórica de poder no Brasil e fez críticas ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O petista também destacou o caráter pessoal da disputa presidencial de 2026 ao afirmar que se trata de sua última eleição.
“Esta é a minha última eleição. Não é uma disputa comum”, declarou.
Para Lula, o resultado do pleito terá importância que ultrapassa a política nacional, em razão dos conflitos geopolíticos e da disputa entre diferentes projetos econômicos e sociais.
Na conclusão do texto, o presidente voltou a defender a união popular como principal força de sua campanha e demonstrou confiança na vitória.
“Mas nada é maior do que a união de um povo. Nós sabemos a força inabalável quando os Silvas se juntam”, escreveu.
Lula encerrou o artigo com a afirmação de que o país está preparado para avançar e que a mobilização popular representa a continuidade de seu projeto político.
“Com humildade e uma vontade enorme de construir o nosso futuro, digo ao povo brasileiro: estamos prontos como nunca estivemos. Prontos para mais”, afirmou.
Ao final, o presidente concluiu: “Por isso, por cada Silva do nosso imenso Brasil, nós iremos vencer”.

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