Partidos que apoiaram Flávio reconhecem vitória de Lula

Partidos que apoiaram Flávio reconhecem vitória de Lula
- Flávio Bolsonaro em ato em Goiânia (Sergio Lima / AFP)

A insistência de Flávio Bolsonaro (PL) em pedir a anulação da eleição presidencial abriu uma divergência entre lideranças da direita. Um dia depois da vitória de Lula (PT), políticos que participaram da campanha do senador começaram a se distanciar da contestação ao resultado. Entre eles estão dirigentes do Republicanos, do PSD e do União Brasil, além do vice-governador paulista, Felício Ramuth (MDB).
O contraste ficou evidente nesta segunda-feira (26). Enquanto Flávio anunciava uma ofensiva jurídica contra o resultado, Ronaldo Caiado (PSD), que disputou o primeiro turno e depois apoiou o candidato do PL, reconhecia a decisão dos eleitores.
O ex-governador de Goiás afirmou que a proposta de renovação defendida pela oposição foi derrotada e que cabe aos participantes da disputa respeitar a vontade da maioria.
A posição é compartilhada pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que cumprimentou Lula ainda no domingo e cobrou diálogo com o Congresso durante o próximo mandato.
Contradição no pedido de Flávio
A reação mais direta à iniciativa do senador veio de Felício Ramuth, vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no governo paulista.
Ramuth questionou a tentativa de transformar a prorrogação do horário de votação em argumento para invalidar a eleição. O próprio PL havia solicitado mais tempo para votar em municípios afetados pelas chuvas.
A diferença de 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio também foi apontada pelo vice-governador como um obstáculo à contestação.
A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após denúncias de dificuldades no transporte de eleitores.
Flávio, no entanto, responsabilizou ministros do Supremo pela mudança e anunciou que recorreria à Justiça.
Direita se divide sobre derrota
O reconhecimento da reeleição de Lula também veio de partidos que integram o campo político adversário ao PT.
Em manifestações públicas, MDB, União Brasil e PSD defenderam a legitimidade das urnas e sinalizaram disposição para manter relações institucionais com o governo federal.
O PSDB, que permaneceu neutro no segundo turno, também reconheceu o resultado.
Nem todos acompanharam esse movimento. Romeu Zema (Novo) falou em golpe, enquanto Sergio Moro (PL) afirmou que os questionamentos da oposição deveriam ser esclarecidos.
Já Renan Santos, fundador do MBL, responsabilizou a postura da família Bolsonaro pela derrota eleitoral.
Entre os principais aliados de Flávio, o governador Tarcísio de Freitas ainda não havia se pronunciado publicamente sobre o resultado até a publicação da reportagem original.

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