Antonio Tabet revela que preparou respostas de Lula no debate e atuou com Janones na campanha

Antonio Tabet revela que preparou respostas de Lula no debate e atuou com Janones na campanha
Lula e Flavio Bolsonaro no debate da Globo - Antonio Tabet - Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFP

O humorista e roteirista Antonio Tabet revelou nesta terça-feira (27) que participou diretamente dos bastidores da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um longo desabafo publicado nas redes sociais, ele contou que trabalhou com o deputado federal André Janones (Rede-MG), colaborou com estratégias de comunicação digital e escreveu respostas destinadas ao debate presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), realizado na última sexta-feira (23), na TV Globo.
O relato foi divulgado dois dias depois da vitória de Lula no segundo turno. Tabet afirmou que chegou a considerar ficar afastado das eleições por receio das consequências profissionais de um posicionamento político, mas decidiu se envolver na disputa, especialmente depois de ter sido alvo de uma ação judicial movida pelo candidato do PL.
“Fiquei tão inquieto que cancelei peça, adiei trabalhos e passei a última semana falando mais com o @AndreJanonesMG que com meus filhos. Acordei o publicitário adormecido aqui pra virar marketeiro voluntário”, escreveu.
Antonio Tabet revela participação nas respostas de Lula no debate
Um dos principais pontos do relato é a participação do humorista na preparação do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo Tabet, ele passou noites redigindo respostas sobre temas sensíveis da campanha, entre eles aposentadorias, o fim da escala de trabalho 6×1 e as provocações envolvendo o dedo perdido por Lula em um acidente de trabalho.
“Achei a Mariana para perguntarmos quem ela era (‘Quem é Mariana?’) e me vi varando a noite escrevendo respostas para que fossem usadas no debate sobre aposentadoria, escala 6 por 1 e até nove dedos (aquela)”, relatou.
O humorista contou que acompanhou o confronto ao lado do filho e comemorou quando Lula utilizou uma das intervenções preparadas. Tabet não especificou quais trechos escreveu nem detalhou como as sugestões chegaram ao presidente.
Durante o debate, Flávio Bolsonaro provocou Lula ao afirmar que o petista dava benefícios com uma mão e retirava recursos dos brasileiros com os “nove dedos”. O presidente reagiu, lembrou que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda trabalhando em uma fábrica, aos 17 anos, e cobrou desculpas do adversário. Flávio acabou se desculpando.
Segundo Tabet, Janones telefonou imediatamente depois de uma das intervenções do presidente e brincou que não gostaria de enfrentar o humorista em um debate eleitoral caso ele fosse candidato.
“Empatamos. Também não gostaria de enfrentar o general do ‘exército’ do qual fiz parte”, escreveu, em referência ao deputado responsável pela mobilização digital de apoiadores de Lula.
A estratégia de Janones e o mistério de Mariana
Tabet também revelou sua participação na ação digital conhecida como “Quem é Mariana?”, mobilização impulsionada por Janones nos últimos dias da campanha e que provocou uma onda de especulações nas redes sociais.
O deputado havia incentivado seguidores a descobrir a identidade de uma mulher chamada Mariana. Posteriormente, identificou a personagem como Mariana Vishegirskaya, ucraniana fotografada em março de 2022 ao deixar uma maternidade bombardeada em Mariupol, durante a invasão russa.
Janones utilizou a história para abordar a vulnerabilidade de mulheres refugiadas diante de suspeitas de exploração sexual internacional. O próprio deputado esclareceu que não havia informações ligando Mariana Vishegirskaya a encontros com Flávio Bolsonaro ou a eventos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A campanha digital liderada por Janones ganhou protagonismo no segundo turno, especialmente com o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, que ultrapassou 10 milhões de seguidores e se tornou um dos principais instrumentos de mobilização dos apoiadores do presidente.
Processo de Flávio Bolsonaro motivou reação
Tabet também recuperou o episódio judicial que, segundo ele, mudou sua disposição de participar da campanha.
Em setembro, Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma publicação do humorista que trazia a imagem de Nossa Senhora Aparecida e uma crítica à chamada “família miliciana”. O texto não mencionava nominalmente o senador nem integrantes da família Bolsonaro.
O ministro André Mendonça determinou inicialmente a remoção da postagem. Tabet recorreu e conseguiu uma decisão favorável de Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de novos desdobramentos judiciais, o plenário do TSE decidiu, em 30 de setembro, preservar a publicação do humorista, embora tenha mantido restrições contra conteúdos que atribuíssem falsamente a Flávio a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O episódio foi acompanhado pela Revista Fórum. A decisão de Dino também está registrada no processo Rcl 95295, no STF.
No novo relato, Tabet afirmou que se sentiu abandonado por pessoas que haviam prometido ajudá-lo. Disse ainda que enfrentou ameaças, ofensas e acusações, além de gastos com sua defesa jurídica.
“Fui assediado judicialmente, acusado por jornalistas que confiava de ter feito algo que não fiz, agredido, ofendido, ameaçado e o mais grave: censurado”, escreveu.
Família, eleição e possível entrada na política
O humorista explicou que a decisão de se posicionar também estava relacionada à preocupação com a segurança do filho, integrante da comunidade LGBTQIA+. Segundo ele, o receio de que uma criança possa sofrer agressões por sua identidade foi determinante para sua participação na campanha.
Tabet lembrou ainda o atentado com coquetéis molotov contra a sede do Porta dos Fundos, ocorrido no Rio de Janeiro, em dezembro de 2019, para exemplificar os riscos associados à exposição política.
Com a vitória de Lula, o roteirista afirmou sentir alívio e um sentimento de justiça. Também deixou aberta a possibilidade de entrar formalmente na política, inclusive por meio de uma filiação partidária antes das eleições de 2030.
“Quero enfrentar inimigos melhores em 2030. Não só mais qualificados. Menos escroques e escrotos mesmo. Quem sabe não me filio a algum partido para a próxima?”, questionou.
Ao encerrar a publicação, Antonio Tabet agradeceu aos que o acompanharam durante a campanha e citou uma passagem bíblica: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”.
Veja o relato completo de Antonio Tabet:
https://x.com/antoniotabet/status/2114885719478939955

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