O PT oficializou nesta terça-feira (27) o apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. A decisão, tomada por unanimidade pela Federação Brasil da Esperança, formada também por PCdoB e PV, coloca a bancada governista em uma aliança com partidos do Centrão para garantir sustentação ao quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir que o PL assuma o comando da Casa.
O anúncio ocorreu dois dias após Lula derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais e um dia depois de o petista receber Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Palácio da Alvorada.
Após uma reunião com Motta, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), confirmou o apoio dos três partidos, que elegeram juntos 88 deputados federais para a próxima legislatura. A federação terá a segunda maior bancada da Casa, atrás apenas do PL, que conquistou 121 cadeiras.
Segundo Uczai, a composição com o centro busca assegurar condições para a aprovação de propostas do novo governo e ampliar a participação da esquerda nas decisões legislativas. Entre as prioridades apontadas pelo parlamentar estão os direitos das mulheres, a soberania nacional e as políticas sociais.
Aliança pretende impedir avanço do PL
A decisão também tem como objetivo impedir que o partido de Flávio Bolsonaro conquiste a presidência da Câmara. Apesar da derrota na disputa pelo Palácio do Planalto, o PL saiu das eleições com a maior bancada de deputados federais e pretende ampliar sua influência no Congresso.
Uczai afirmou que a articulação entre esquerda e centro deve refletir o resultado das urnas e impedir que a oposição controle a pauta legislativa do próximo mandato.
A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), foi explícita ao tratar da disputa pelo comando das duas Casas do Congresso.
“Nossa responsabilidade é impedir que o PL vença na Câmara e no Senado”, declarou a deputada, segundo a Agência Câmara.
Na avaliação de Jandira, a aliança também é necessária para garantir estabilidade institucional e preservar o diálogo com os movimentos sociais durante o próximo governo Lula.
O movimento altera a configuração da disputa pela presidência da Câmara. Em 2025, Motta foi eleito com 444 votos, resultado de uma coalizão que reunia tanto o PT quanto o PL. Agora, os dois partidos seguem caminhos distintos na articulação para a próxima legislatura.
Reeleição de Hugo Motta reúne partidos que somam mais de 350 deputados
Com a adesão da Federação Brasil da Esperança, as legendas que anunciaram apoio à recondução de Hugo Motta somam cerca de 360 deputados eleitos para 2027. O número supera os 257 votos necessários para assegurar a presidência da Câmara no primeiro turno, caso todos os 513 parlamentares participem da votação.
Além do PT, PCdoB e PV, a articulação reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, as federações PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD, além de PSB e PDT.
O apoio dos partidos, porém, não significa que todos os seus deputados votarão em Motta. A eleição da Mesa Diretora, marcada para 1º de fevereiro de 2027, ocorre por voto secreto.
A formação de um bloco parlamentar também terá consequências para a distribuição de poder dentro da Câmara. Pelo Regimento Interno, o tamanho das bancadas e dos blocos determina a preferência na escolha de cargos da Mesa Diretora e das presidências das comissões permanentes.
Caso permaneça fora da composição, o PL poderá perder espaço nessas escolhas, apesar de ter a maior bancada individual da Casa.
Governabilidade e compromissos com Lula
O líder do PV, Aliel Machado (PR), também defendeu a recondução de Motta e destacou a atuação do presidente da Câmara em pautas de interesse do governo, entre elas a redução da jornada de trabalho e medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs).
A aproximação entre o PT e o Centrão ocorre no momento em que Lula começa a reorganizar sua base parlamentar após a reeleição. Na segunda-feira (26), Motta e Alcolumbre estiveram no Palácio da Alvorada e reafirmaram publicamente o compromisso com o diálogo entre Executivo e Legislativo.
As negociações também envolvem o Senado, onde Alcolumbre busca a reeleição diante da intenção de partidos da oposição de disputar o comando da Casa.
Para o PT, a permanência de Motta na presidência da Câmara faz parte da estratégia de construir uma maioria capaz de viabilizar os compromissos assumidos por Lula na campanha, mesmo diante de um Congresso que terá maior representação de partidos de direita a partir de fevereiro.
PT oficializa apoio à reeleição de Hugo Motta e se une ao Centrão para barrar PL
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