O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou pessoalmente a entrada de Flávio nos EUA, enquanto Jason Miller, aliado do presidente americano e integrante da Casa Branca, providenciou o jatinho utilizado na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações foram publicadas nesta quinta-feira (29) pelo The New York Times, que ouviu autoridades americanas e uma pessoa com conhecimento da operação.
Segundo o jornal, Miller, que atua na área de comunicação do governo Trump como funcionário especial, participou da organização da viagem depois que a Justiça brasileira determinou, na segunda-feira (26), que Flávio entregasse seus passaportes. O plano teria sido colocado em prática no mesmo dia, com a participação de aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas e mantém relações próximas com integrantes da administração Trump, estava em contato com Miller durante os preparativos. Procurado pelo NYT, o assessor americano se recusou a comentar sua participação. A Casa Branca também não respondeu diretamente às perguntas sobre a contratação da aeronave.
Jason Miller e a operação para retirar Flávio do Brasil
Flávio deixou o território brasileiro na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. A família atravessou a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
Na Argentina, embarcou em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, onde pousou na manhã de quarta-feira (28).
A Fórum mostrou nesta quinta-feira que a viagem custou aproximadamente US$ 140 mil e foi contratada por intermédio de um corretor de aviação dos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, Santiago Caputo, assessor especial do presidente Javier Milei, também acompanhou a operação.
A Baires Fly não revelou a identidade do contratante e afirmou que somente divulgaria o nome mediante determinação judicial. A informação do NYT identifica Miller como responsável por providenciar o jatinho, mas não esclarece quem efetivamente pagou pelo voo.
Trump autorizou entrada de Flávio nos EUA e governo pode acelerar green card
A participação do governo americano não terminou com a chegada da aeronave à Flórida. De acordo com autoridades ouvidas pelo NYT sob condição de anonimato, Trump garantiu que Flávio e seus familiares pudessem entrar nos Estados Unidos, apesar dos problemas judiciais enfrentados pelo senador no Brasil.
A família recebeu uma autorização temporária de entrada e permanência, conhecida como parole, válida por um ano. O procedimento é utilizado pelas autoridades migratórias americanas em situações que envolvem razões humanitárias urgentes ou benefício público significativo.
A modalidade não equivale à concessão de asilo político, visto de residência ou green card. Conforme as regras do Departamento de Estado americano, a autorização permite a permanência temporária, mas não garante situação migratória permanente.
O governo Trump, entretanto, já considera a possibilidade de acelerar um futuro pedido de residência permanente de Flávio Bolsonaro. Um funcionário americano disse ao NYT que o senador deverá solicitar um green card e que o processo poderá receber tratamento acelerado, semelhante ao concedido a Eduardo Bolsonaro.
Segundo o jornal, Eduardo obteve residência permanente nos Estados Unidos em julho de 2026, depois de ter seu processo agilizado. O procedimento costuma levar anos para outros solicitantes. Não há, até o momento, confirmação de que Flávio tenha apresentado formalmente seu pedido.
Passaporte cancelado e investigação no Brasil
O NYT também identificou indícios de que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro cancelado ao chegar aos Estados Unidos. A conclusão foi baseada na análise de um documento público do governo americano que contém um número associado ao passaporte diplomático do senador.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou ao jornal que Flávio e seus familiares foram submetidos aos procedimentos de inspeção da Alfândega e Proteção de Fronteiras e liberados posteriormente.
A saída do Brasil ocorreu após o senador descumprir uma determinação judicial para entregar seus documentos de viagem. A Polícia Federal informou não possuir registro oficial da saída de Flávio do território brasileiro e passou a investigar as circunstâncias do descumprimento das decisões judiciais.
O senador é alvo de investigações que incluem suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro e às relações com o advogado Willer Tomaz. Outra frente envolve recursos destinados ao financiamento de uma produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro. Flávio não foi formalmente denunciado nessas investigações, segundo o NYT.
Casa Branca evita assumir participação na fuga
Apesar do apoio prestado à entrada do senador, Trump evitou detalhar o envolvimento de seu governo na operação. Questionado sobre a presença de Flávio nos Estados Unidos, confirmou que Washington havia autorizado seu ingresso.
“Demos a ele autorização para entrar no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”, declarou o presidente americano, que voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas de irregularidades.
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25). Depois de chegar aos Estados Unidos, divulgou uma carta na qual contestou o resultado e chegou a se apresentar como o verdadeiro presidente eleito. Posteriormente, retirou a expressão e passou a se definir como “líder do Brasil”.
Como mostrou a Fórum, a autoproclamação provocou desconforto entre integrantes da Casa Branca. Embora tenha recebido Flávio em território americano, Trump não reconheceu sua reivindicação de vitória.
A nova reportagem do NYT detalha a participação de funcionários ligados ao governo americano na viagem que permitiu ao senador deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos, enquanto autoridades brasileiras investigam as circunstâncias de sua saída do país.
Trump autorizou entrada de Flávio nos EUA e assessor da Casa Branca providenciou jatinho, diz NYT
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