Bastidores: Lula reúne toda esquerda e convoca campo progressista a defender o Brasil

Bastidores: Lula reúne toda esquerda e convoca campo progressista a defender o Brasil
Bastidores: Lula reúne toda esquerda e convoca campo progressista a defender o Brasil 5

A convenção de Lula, que oficializou o presidente como candidato a um histórico quarto mandato, produziu neste domingo (2), em São Paulo, uma fotografia inédita desde a retomada das eleições diretas: pela primeira vez desde 1989, os principais partidos da esquerda e de centro-esquerda iniciam juntos uma disputa pela Presidência da República.
PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede reuniram-se no Expo Center Norte em torno da chapa novamente formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Mais do que cumprir uma etapa formal do calendário eleitoral, o encontro consolidou uma frente progressista nacional, exibiu alianças estaduais ainda mais amplas e demonstrou confiança na campanha pelo quarto mandato.
Ministros, governadores, parlamentares, dirigentes partidários, representantes dos movimentos sociais e delegações de todas as regiões ocuparam o pavilhão com bandeiras dos partidos, dos estados e do Brasil. O vermelho tradicional das campanhas petistas dividiu espaço com o verde e amarelo, em uma retomada dos símbolos nacionais associada ao principal eixo político apresentado por Lula: a defesa da soberania brasileira.
A Fórum acompanhou o evento e ouviu Reginaldo Lopes e Alencar Santana, do PT, e Talíria Petrone, do PSOL. As três declarações resumiram o ambiente encontrado nos bastidores: unidade do campo progressista, confiança eleitoral e compromisso com a continuidade do projeto iniciado em 2023.
A oficialização da candidatura de Lula ao quarto mandato foi anunciada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, e comemorada pelas delegações presentes. Com a homologação concluída, o restante do encontro funcionou como a primeira grande apresentação política da aliança nacional.

Convenção de Lula consolida unidade inédita desde 1989
O principal resultado político da convenção de Lula foi reunir, desde o primeiro turno, as sete legendas que representam o núcleo da esquerda e da centro-esquerda brasileira.
A composição reúne a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV; a Federação PSOL-Rede; o PSB, de Geraldo Alckmin; e o PDT. Desde a primeira eleição presidencial realizada após a ditadura, em 1989, essas forças nunca haviam começado juntas uma disputa pelo Palácio do Planalto.
Naquela eleição, Lula e Leonel Brizola disputaram separadamente o campo progressista. Nas décadas seguintes, PDT, PSB, PSOL, PV e Rede apresentaram candidatos próprios em diferentes momentos ou aderiram ao PT apenas no segundo turno.
Em 2026, a unidade foi construída antes mesmo do início oficial da campanha. A ameaça representada pela extrema direita, as investidas estrangeiras sobre a política nacional e a defesa das conquistas obtidas desde 2023 ajudaram a aproximar partidos que preservam identidades próprias, mas reconhecem Lula como a liderança capaz de organizar uma maioria democrática e popular.
A união do campo progressista em torno de Lula também colocou a candidatura em posição diferente daquela de 2022. Há quatro anos, a frente foi ampliada ao longo da eleição. Agora, ela chega formada à largada.
O apoio do PDT à reeleição foi aprovado por unanimidade, superando as divergências que marcaram eleições anteriores e recuperando a tradição de diálogo entre o lulismo e o trabalhismo de Leonel Brizola.
Durante seu discurso, Lula homenageou Brizola, Miguel Arraes, Eduardo Campos e João Amazonas. Ao revisitar a formação do campo popular brasileiro, afirmou que o PT aprendeu a conviver com sindicalistas, intelectuais, cristãos, militantes sociais e diferentes correntes ideológicas.
“O PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade”.
Lula chamou o partido de “guarda-chuva” da esquerda, mas a composição exibida no Expo Center Norte ultrapassou as fronteiras petistas. A presença de Alckmin, Marina Silva, Simone Tebet, Talíria Petrone, João Campos e dirigentes estaduais mostrou uma frente que combina a base histórica de Lula com setores democráticos de centro.
“Lula conseguiu juntar todo o campo”, diz Reginaldo Lopes
Em conversa com a Fórum, o deputado federal Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, destacou a capacidade de Lula de reunir forças que chegaram divididas a outras disputas presidenciais.
“Hoje é um dia histórico. O presidente Lula conseguiu juntar todo o campo da esquerda e da centro-esquerda. O presidente Lula recuperou a imagem do Brasil, tanto internamente, com suas políticas públicas, que geraram maior empregabilidade e distribuição de renda, quanto externamente, ao reposicionar o Brasil no mundo como um grande líder, discutindo a autodeterminação dos povos e uma cultura de paz”.
Reginaldo também reproduziu o clima de confiança encontrado entre parlamentares e militantes.
“Com certeza, o presidente Lula, no Lula 4, vai vencer as eleições no primeiro turno. Estamos superanimados”.
A vitória no primeiro turno é uma projeção política do deputado, mas demonstra o efeito produzido pela ausência de um concorrente relevante dentro do próprio campo progressista. A avaliação nos bastidores era de que a unidade antecipada permitirá concentrar desde o início os esforços na comparação entre o governo Lula e o projeto apresentado pela extrema direita.
Talíria confirma o PSOL na construção do futuro
A participação do PSOL teve peso especial na composição. A legenda, que já apresentou candidaturas presidenciais próprias, decidiu integrar desde o primeiro turno a frente liderada por Lula.
À Fórum, a deputada federal Talíria Petrone, do PSOL do Rio de Janeiro, vinculou a reeleição à continuidade do processo de reconstrução democrática.
“É fundamental a gente seguir consolidando a democracia brasileira. Não tem outro caminho senão a reeleição do melhor presidente do Brasil, o presidente Lula. Eu tenho certeza de que esse vai ser o melhor governo de todos”.
Talíria também deixou claro que o PSOL pretende participar ativamente da elaboração do próximo ciclo político.
“O PSOL vai cumprir o seu papel na frente ampla e seguir também construindo futuro para o nosso país e para o povo brasileiro”.
A declaração afasta a ideia de uma aliança construída apenas para impedir o retorno do bolsonarismo. O PSOL pretende levar à campanha temas como justiça social, combate às desigualdades, direitos humanos, proteção ambiental e enfrentamento à crise climática.
A frente formada em torno de Lula, portanto, reúne partidos diferentes não apenas para defender as instituições democráticas, mas para disputar o modelo de desenvolvimento que o país adotará nos próximos anos.
Alencar Santana vê momento histórico na trajetória de Lula
O deputado federal Alencar Santana, do PT de São Paulo, ressaltou que o encontro poderá ter sido a última convenção nacional a oficializar Lula como candidato à Presidência, já que o petista afirmou que não pretende disputar um quinto mandato.
“Esse é mais um dos dias históricos dessa eleição. É a última convenção que o PT oficializa o Lula como candidato a presidente da República. Sem dúvida é um dia marcante”.
Alencar destacou ainda a dimensão internacional alcançada pela liderança do presidente.
“O Lula, que já fez tanto e está fazendo pelo Brasil e pelo mundo na conjuntura atual, vive um momento muito especial. Estamos aqui para homologar, referendar e garantir o ato jurídico que permite a candidatura do presidente Lula, que é um líder diferente, ímpar na história do Brasil e na história mundial. É um momento muito feliz”.
Aos 80 anos, Lula busca se tornar o primeiro brasileiro escolhido quatro vezes pelo voto popular para comandar o país. O clima da convenção, entretanto, esteve menos associado a uma despedida do que à apresentação do legado que o presidente pretende deixar para a próxima geração.
João Campos projeta o “tetra” de Lula
Presidente nacional do PSB, João Campos participou da programação por meio de um vídeo exibido na convenção. O prefeito do Recife recorreu a uma metáfora futebolística para projetar a vitória do presidente.
“A nossa seleção pode até não ter ganhado o hexa na Copa, mas o povo brasileiro vai comemorar o novo tetra. No voto, o tetra de Luiz Inácio Lula da Silva”.
A manifestação reforçou o engajamento do PSB na campanha e a continuidade da parceria entre Lula e Alckmin. O vice-presidente deixou de representar apenas uma composição eleitoral formada para derrotar Jair Bolsonaro em 2022 e tornou-se parte central do governo e da nova campanha.
Lula elogiou a experiência de Alckmin, sua lealdade e sua atuação na política de reindustrialização do país. A chapa reúne uma liderança popular com forte presença entre trabalhadores e setores mais pobres e um vice capaz de dialogar com o empresariado, a indústria e segmentos moderados.
O PSB já havia confirmado Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente, mantendo a parceria que conduziu a reconstrução institucional iniciada em janeiro de 2023.
Alianças estaduais ampliam a frente para além das sete legendas
Um dos principais movimentos observados nos bastidores foi a presença de aliados que pertencem a partidos não incorporados formalmente à coligação presidencial.
A comitiva do Tocantins reuniu o candidato ao governo Laurez Moreira, do PSD; o candidato ao Senado Paulo Mourão, do PT; a ex-senadora Kátia Abreu; e o presidente estadual petista, Nile William.
Kátia Abreu atua na coordenação da campanha de Lula no Tocantins. Ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a ex-senadora representa uma ponte com setores do agronegócio e reforça a capacidade do presidente de dialogar com grupos situados além da esquerda partidária.
A delegação participou do encontro dois dias antes da convenção que deverá oficializar, em Palmas, a aliança entre PT e PSD. A chapa terá Laurez Moreira para o governo, Paulo Mourão para o Senado e apoio à reeleição de Lula.
O caso tocantinense mostrou como a frente presidencial poderá ganhar formatos ainda mais amplos nos estados. Partidos que não integram nacionalmente a coligação podem participar de palanques regionais, aumentando a presença de Lula em diferentes setores políticos e econômicos.
Essa construção segue a estratégia defendida por Edinho Silva de combinar uma aliança nacional com acordos adequados à realidade de cada estado.
Lula aponta Haddad e Rafael Fonteles como lideranças do futuro
Outro bastidor de forte significado político ocorreu quando Lula falou sobre a necessidade de preparar novas lideranças para dar continuidade ao projeto progressista depois de seu quarto mandato.
O presidente mencionou Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e o governador do Piauí, Rafael Fonteles. Ao projetar o futuro do país, Lula imaginou Haddad governando São Paulo por oito anos antes de disputar a Presidência.
“Agora é hora de dar um salto de qualidade. Agora é hora de pensar nesse país, qual é o país do futuro que eu vou lhe entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, quiser ser presidente da República”.
Logo depois, voltou-se para Rafael Fonteles.
“Ou você, Rafael, porque quem sabe saia do Piauí o próximo? De algum lugar pode sair”.
O gesto não representou a definição antecipada de um sucessor, mas revelou uma preocupação presente no discurso: Lula pretende utilizar o quarto mandato para consolidar políticas públicas e também preparar uma nova geração de dirigentes capazes de conduzir o campo progressista.
Rafael participou da convenção acompanhado por uma ampla comitiva piauiense, formada pelo ministro Wellington Dias, pela primeira-dama Isabel Fonteles, pelo candidato a vice-governador Washington Bandeira, pelo deputado Fábio Novo, pelo senador Marcelo Castro e pelo candidato ao Senado Júlio César.
Em outro momento, Lula voltou a elogiar Rafael, que é formado em Matemática, ao anunciar a intenção de ampliar os incentivos aos estudantes brasileiros que se destacam em olimpíadas da área.
Ao colocar Haddad e Fonteles no centro de uma reflexão sobre o futuro, Lula mostrou que a unidade construída para 2026 também começa a organizar a continuidade do projeto para os próximos anos.
Janja e as mulheres no centro da campanha
A primeira-dama Janja foi chamada por Lula para discursar e apresentou uma das mensagens mais mobilizadoras do encontro.
“Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente”.
Janja relacionou a reeleição ao combate ao feminicídio e à necessidade de assegurar que as mulheres possam viver com liberdade, autonomia e proteção do Estado.
Lula também colocou o enfrentamento à violência de gênero entre as prioridades de um eventual quarto mandato. Defendeu mecanismos que permitam às vítimas identificar a aproximação de agressores monitorados por tornozeleiras eletrônicas e afirmou que homens que batem em mulheres não precisam votar nele.
A centralidade das mulheres no projeto apresentado por Lula também apareceu nas participações de Marina Silva, Simone Tebet e Benedita da Silva.
A entrada de Janja acrescentou uma dimensão social ao discurso de soberania. Para Lula, um país soberano precisa proteger suas fronteiras e seus recursos, mas também garantir que as mulheres possam exercer direitos dentro de suas próprias casas.
Lula pede que a esquerda apoie investimentos para proteger o Brasil
Um dos trechos mais importantes da fala presidencial foi dirigido diretamente à militância e aos partidos progressistas. Lula pediu que a esquerda supere a resistência ao debate sobre Defesa Nacional e compreenda os investimentos militares como parte de uma estratégia de proteção do território, da população e das riquezas brasileiras.
“Eu quero pedir para a esquerda, para mulheres e homens, parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a Defesa”.
O presidente reconheceu que a ditadura militar produziu traumas profundos e uma desconfiança legítima entre democratas. Argumentou, porém, que a responsabilização de golpistas não pode significar o abandono das Forças Armadas nem da capacidade nacional de dissuadir ameaças externas.
Lula mencionou os milhares de quilômetros de fronteiras terrestres e de litoral, a Amazônia, as águas brasileiras, as reservas minerais e a necessidade de impedir que governos estrangeiros interfiram nas decisões do país.
“Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco”.
A proposta não se confunde com o militarismo ou com o armamentismo promovido pela extrema direita. Lula tratou a Defesa como política pública de longo prazo, associada à diplomacia, à soberania e ao desenvolvimento tecnológico.
Essa concepção aparece na Estratégia Nacional de Defesa, que vincula a proteção do território à modernização das Forças Armadas, ao domínio brasileiro de tecnologias avançadas e ao fortalecimento da indústria nacional.
O presidente defendeu equipamentos produzidos no Brasil, drones para o monitoramento das fronteiras e investimentos que aproximem governo, universidades, centros de pesquisa e empresas.
Além de garantir capacidade de proteção, a indústria de Defesa pode gerar empregos qualificados, estimular inovação e desenvolver tecnologias de uso militar e civil.
A mensagem à esquerda foi clara: defender a democracia também exige proteger o país de pressões externas e garantir que suas riquezas permaneçam a serviço do povo brasileiro.
Terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro
A defesa do território foi conectada por Lula à proteção das terras raras e dos minerais críticos encontrados no Brasil.
Esses recursos são essenciais para a fabricação de semicondutores, baterias, turbinas, satélites, equipamentos médicos, sistemas de comunicação e tecnologias militares. Em uma economia cada vez mais dependente da transição energética e digital, o controle desses minerais tornou-se parte central das disputas internacionais.
“Eu vou levar muito a sério esse negócio de terras raras e minerais críticos. Isso é um patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro.”
Lula afirmou que o país não pode continuar exportando matéria-prima barata e importando produtos tecnológicos fabricados no exterior com os mesmos recursos.
“Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras.”
A defesa das reservas foi apresentada como parte de um projeto de desenvolvimento soberano. A proposta é agregar valor dentro do país, criar empregos, dominar tecnologias e assegurar que os resultados da exploração beneficiem a população brasileira.
A soberania tornou-se, assim, o ponto capaz de aproximar diferentes setores da frente progressista. O conceito envolve meio ambiente, reindustrialização, política externa independente, ciência, educação, Defesa Nacional e combate à ingerência estrangeira.
Um ato marcado por símbolos populares e nacionais
A produção do evento procurou traduzir politicamente a amplitude da candidatura. As delegações entraram com bandeiras dos estados, enquanto militantes exibiam símbolos de partidos, sindicatos e movimentos sociais.
As cores nacionais ganharam destaque ao lado do vermelho. A combinação buscou recuperar a bandeira brasileira como símbolo de soberania, democracia e inclusão social, depois de anos de apropriação pelo bolsonarismo.
Lula entrou ao som de “Tapete Vermelho”, jingle de inspiração gospel que apresenta sua trajetória desde as origens nordestinas até o reconhecimento internacional como chefe de Estado.
A música ajudou a conectar três públicos importantes para a campanha: os trabalhadores do Nordeste, o eleitorado cristão e os brasileiros que identificam em Lula uma liderança respeitada no exterior.
O encontro também combinou dirigentes históricos e uma nova geração representada por nomes como João Campos, Talíria Petrone e Rafael Fonteles. A convenção apresentou uma frente formada para disputar 2026, mas com o olhar voltado para a continuidade do campo progressista.
“Quem fez pode prometer mais”
Nos bastidores, parlamentares e dirigentes destacaram que a principal força eleitoral de Lula será a possibilidade de comparar as entregas de seu governo com o período comandado por Jair Bolsonaro.
O presidente mencionou a retomada do Minha Casa, Minha Vida, a criação do Pé-de-Meia, a expansão das políticas educacionais, as obras do Novo PAC, a valorização do salário mínimo, a recuperação do emprego e a reconstrução dos programas sociais.
“Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer”.
A frase resume a estratégia da campanha. Lula pretende utilizar as realizações do terceiro mandato como base para apresentar uma agenda mais ambiciosa, voltada à educação, à ciência, à tecnologia, à indústria, à proteção das mulheres e à soberania.
As prioridades anunciadas por Lula para o quarto mandato mostram que o presidente pretende ir além da reconstrução das políticas desmontadas pelo bolsonarismo.
O objetivo agora é transformar a retomada social e econômica em um salto de desenvolvimento capaz de preparar o país para as próximas décadas.
Do “Lulinha paz e amor” ao “Lulinha porreta”
Lula afirmou que não deseja ser lembrado apenas como o presidente do Bolsa Família. Sem diminuir a importância do programa que retirou milhões de brasileiros da fome, defendeu que o quarto mandato promova mudanças estruturais.
O presidente lembrou a campanha de 2002, marcada pela imagem do “Lulinha paz e amor”, mas afirmou que o novo momento exige disposição para enfrentar interesses poderosos.
“Agora eu quero um Lulinha porreta”.
A expressão foi recebida com entusiasmo pela militância e resumiu o espírito da convenção: paz nas relações internacionais, diálogo político e respeito à democracia, mas firmeza diante de ameaças à soberania, aos direitos sociais e às riquezas nacionais.
A convenção de Lula mostrou que essa disposição não parte apenas do PT. O presidente inicia a disputa apoiado desde o primeiro turno por todo o núcleo progressista, acompanhado por Alckmin e respaldado por alianças estaduais capazes de ampliar ainda mais a frente nacional.
As falas exclusivas colhidas pela Fórum expressam as diferentes dimensões dessa construção. Reginaldo Lopes destacou a confiança na vitória e a reunificação da esquerda; Alencar Santana ressaltou o caráter histórico da trajetória de Lula; e Talíria Petrone reafirmou o compromisso do PSOL com a democracia e com a construção do futuro.
Quatro anos depois de derrotar Jair Bolsonaro e devolver o país à normalidade democrática, Lula começa a busca pelo quarto mandato com uma frente mais ampla, unida e preparada para defender o Brasil.

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