O senador Flávio Bolsonaro (PL-DF), candidato à presidência da República, afirmou neste domingo (2) que aceitará o resultado das eleições de outubro, mas condicionou a legitimidade do processo à atuação de um TSE “imparcial”, sugerindo que o pleito de 2022 não tenha sido legítimo. As declarações foram dadas em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, onde ele também admitiu ter errado ao associar as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic e, mesmo assim, voltou a cobrar “mais camadas de segurança e transparência” no sistema eleitoral, sem especificar quais seriam as fragilidades.
Flávio Bolsonaro e a aceitação ‘condicionada’ do resultado eleitoral
Em entrevista ao “Canal Livre”, da Band, Flávio Bolsonaro declarou:
“Eu vou aceitar [o resultado], vou concorrer com essas regras, e tenho certeza que o TSE, diferente do de 2022, vai ser um TSE imparcial e vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência.”
A frase sintetiza o tom da entrevista: uma aceitação formal do processo eleitoral que carrega, embutida, a desqualificação do pleito anterior.
O senador foi explícito ao associar a “imparcialidade” esperada do TSE em 2026 à presidência do ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020. O contraste com 2022, quando o tribunal era presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, não foi acidental. Ao prometer aceitar o resultado futuro enquanto questiona o passado, Flávio Bolsonaro constrói uma moldura em que a legitimidade das eleições depende de quem ocupa a cadeira do TSE, e não da solidez das instituições em si.
Persistência dos questionamentos sobre as urnas eletrônicas
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro admitiu ter errado ao mentir, em reunião com diplomatas estrangeiros, que as urnas brasileiras seriam fabricadas pela empresa Smartmatic, que ele havia associado a supostas fraudes eleitorais na Venezuela. “Essa parte eu me equivoquei, não produziu”, reconheceu. A admissão, porém, não encerrou o assunto: na sequência, o candidato manteve a cobrança por medidas adicionais no sistema eleitoral. “Qual é a dificuldade de você botar uma camada a mais em segurança, mais transparência?”, questionou, sem indicar quais vulnerabilidades justificariam a exigência.
Flávio enquadrou seu posicionamento não como ataque às urnas, mas como demanda por aprimoramento: “O que eu sempre pedi, e foi o que o Bolsonaro sempre pediu, foi mais segurança e transparência. Mais nada além disso.” Na mesma entrevista, ele citou a negativa de visto a dois integrantes do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil. Segundo reportagem do The Washington Post, os dois estariam envolvidos em uma estratégia para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Para Flávio, a recusa de entrada no país “passa a impressão que está escondendo alguma coisa”, argumento que usa o episódio para reforçar a suspeita sobre o processo, sem apresentar evidência de irregularidade.
“Candidatura de protesto”
Flávio Bolsonaro descreveu sua candidatura ao Planalto como uma “candidatura de protesto” contra o que chamou de “perseguição” ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No campo das propostas, Flávio concentrou o discurso na segurança pública. Defendeu quadruplicar a pena mínima para furto de celular ou receptação, elevando-a para 8 anos, e propôs que detentos trabalhem para custear sua permanência nos presídios. Também classificou as medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro como “extrapolação de limites constitucionais” e comparou a proibição de manifestações políticas ao AI-5. Questionado sobre anistia para os envolvidos na trama golpista de 2022, Flávio afirmou, na mesma entrevista, que, se eleito, tentará aprovar a medida no Congresso Nacional durante a transição do governo Lula para o próximo mandato, incluindo o próprio pai entre os potenciais beneficiários.
Flávio Bolsonaro condiciona aceitação do resultado eleitoral a TSE “diferente”
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