TSE firma acordo com AGU para publicar cartilha sobre uso de IA nas eleições de 2026

TSE firma acordo com AGU para publicar cartilha sobre uso de IA nas eleições de 2026
Roraima; cartilha sobre i.a TSE - José Cruz/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assinou, na segunda-feira (3), um acordo de cooperação com o Observatório da Democracia da Advocacia-Geral da União (AGU) para enfrentar o uso indevido de inteligência artificial nas eleições de 2026. A parceria prevê a elaboração de uma cartilha com diretrizes para órgãos públicos, partidos, candidatos e plataformas digitais, com divulgação prevista ainda para este mês. O anúncio ocorre dias depois da repercussão de um vídeo produzido com IA exibido na convenção nacional do PL, que emulou um pronunciamento de Jair Bolsonaro declarando apoio à candidatura do filho Flávio Bolsonaro à Presidência.
Cartilha, capacitação e canais de denúncia
O acordo firmado entre o TSE e o Observatório da Democracia, vinculado à Escola Superior da Advocacia-Geral da União (Esagu), também envolve a Escola Judiciária Eleitoral do TSE (EJE/TSE). Além da cartilha, a parceria prevê pesquisas, cursos, seminários e eventos sobre IA, integridade da informação e processo eleitoral.
O guia deve traçar orientações práticas para o uso da tecnologia, com destaque para a obrigatoriedade de rotulagem dos conteúdos gerados por IA, de modo que fique explícito tratar-se de material sintético. O documento também deve alertar para os riscos da desinformação e para a atuação de grupos organizados que usam a tecnologia para atacar instituições democráticas e influenciar indevidamente a opinião pública. Para facilitar denúncias, a cartilha reunirá canais oficiais como o site do TSE, o aplicativo Pardal, os Ministérios Público Eleitoral e Federal e a SaferNet Brasil.
A base do material será a cartilha elaborada pela própria AGU no primeiro semestre, que já recomenda, entre outras medidas, que não sejam usadas deepfakes de candidatos ou autoridades. O documento da AGU veda conteúdos manipulados mesmo de “pessoas mortas e fictícias”.
Divisão interna e o caso Bolsonaro
O anúncio da cartilha não resolve, por si só, a tensão jurídica que o episódio da convenção do PL expôs dentro do próprio TSE. A resolução vigente da Corte proíbe o uso de deepfakes com o objetivo de enganar eleitores ou fazer campanha negativa, mas não há consenso entre os ministros sobre a legalidade de conteúdos sintéticos usados apenas para auxiliar a comunicação dos candidatos, sem ataque a adversários.
A discussão provocada pelo vídeo com IA exibido na convenção de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro forçará a Corte a adotar um novo entendimento sobre casos de “deepfake do bem”, segundo apuração d’O Globo.
O debate expõe uma lacuna concreta: as fontes consultadas pela Fórum não detalham quais sanções estão previstas para o descumprimento das diretrizes, nem de que forma as plataformas de redes sociais serão responsabilizadas pela circulação de conteúdos gerados por IA. São justamente esses dois pontos que definirão se a cartilha terá força regulatória ou ficará no campo das recomendações.

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