Manchetes gêmeas da mídia já pintaram Lula como trombadinha

Manchetes gêmeas da mídia já pintaram Lula como trombadinha
Manchetes gêmeas da mídia já pintaram Lula como trombadinha 2

Manchetes gêmeas não são propriamente uma novidade.
Os leitores, espectadores e ouvintes ficaram com uma pulga atrás da orelha depois que, no dia 31 de julho de 2006, O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo publicaram manchetes idênticas de primeira página: “Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por tráfico de influência“.
Coincidência? Provavelmente sim, apenas a expor como os editores de primeira página pensam igual quando se trata de denunciar Lula, o triplex que nunca foi dele e os pedalinhos em um sítio de Atibaia.
Este é um fato recorrente desde que Lula se candidatou pela primeira vez ao Planalto, em 1989: ele seria dono de uma mansão no Morumbi e, em casa, tinha um aparelho três em um, supostamente incompatível com sua renda como operário.
Três em um, para os mais novos: um aparelho, extinto hoje, que conjugava tocador de fitas, rádio e vitrola para discos.
Notem que Lula sofreu esta acusação quando seu adversário tinha como caixa de campanha Paulo César Farias, cujas tramoias só foram descobertas quando a elite brasileira decidiu que era preciso derrubar Fernando Collor de Mello por causa das bobagens no trato com a economia.
Farias era um gângster, mas jamais foi investigado DURANTE a campanha.
Famosamente, o Globo Repórter, da TV Globo, dedicou um programa integralmente ao Caçador de Marajás de Alagoas, fazendo abertamente campanha antecipada.
O gosto de Lula por boas gravatas e uísque importado, por outro lado, frequentou o noticiário.
Manchetes gêmeas
Manchetes trigêmeas, sim. Mas as gêmeas não são exatamente uma novidade.
Voltemos a 2006.
Antevéspera do primeiro turno entre Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).
Dias antes, integrantes da inteligência da campanha de Aloízio Mercadante ao Palácio dos Bandeirantes caem em uma cilada de assessores de José Serra, do PSDB.
Elementos tucanos da Polícia Federal são acionados e apreendem dólares e reais em um hotel nas proximidades do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Dinheiro vivo, que supostamente seria usado para comprar um dossiê contra José Serra.
As imagens do dinheiro jamais são expostas.
Isso até a antevéspera do primeiro turno, quando o delegado Edmilson Bruno, da PF, trama um vazamento espetacular com um grupo de jornalistas.
A ideia é causar o maior impacto possível.
Infelizmente para ele, a “reunião” foi gravada por um ou mais repórteres.

O delegado se comporta como se fosse um editor.
Os jornalistas, bovinamente, aceitam.
Inclusive quando o delegado fala em culpar “faxineiras” pelo vazamento.
Coincidência?
No dia seguinte, coincidência: Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo saem com capas muito parecidas.
As duas exibem os pacotes de dinheiro “cenográfico”.
Por que?
Como se deduz da gravação do delegado Bruno, peritos retiraram o dinheiro de malotes e montaram “paredes” para fazer volume.
Estas “paredes” de dinheiro seriam exibidas na campanha de segundo turno de Geraldo Alckmin, com a pergunta: DE ONDE VEIO O DINHEIRO?
As capas de Folha e Estadão são muito parecidas quando se trata de mandar uma mensagem: em ambas, Lula aparece com um capuz em um evento do qual havia participado em São Bernardo. Estava frio.
Mas Lula, de acordo com os editores, era um trombadinha.
Exibido bem abaixo de fotos do dinheiro.
A Folha caprichou: “Assessor liga dinheiro à campanha de Lula”. O Estadão, por sua vez, mostrou um eleitor negro tentando beijar Geraldo Alckmin.
Na noite anterior, para desespero dos editores, um avião da Gol se chocou com um jatinho, resultando na morte de 155 pessoas.
Isso não impediu a capa gêmea: fotos do dinheiro ficaram acima da dobra e, portanto, expostas em dezenas de milhares de bancas de jornal do Brasil, no sábado que antecedeu o primeiro turno.
Ainda era um tempo em que as manchetes de jornais importavam nas bancas.
Hoje, elas servem para ser reproduzidas em anúncios de campanha.
A eleição de 2006 foi para o segundo turno, contrariando a expectativa da campanha de Lula.
O presidente faltou ao debate final da Globo, o que pode ter contribuído para isso.
Mas o golpe do delegado Bruno e da mídia corporativa pode ter sido essencial.
Embora não tenham sido idênticas, as capas de Folha e Estadão mandaram a mesma mensagem: Lula bandido tentou esconder o dinheiro sujo!

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