Após uma reunião com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) desistiu de disputar o governo de Minas Gerais. O parlamentar liderava todos os cenários testados pelas pesquisas de intenção de voto.
Fortemente emocionado e chorando, Cleitinho pediu desculpas ao eleitorado mineiro e afirmou que ainda não tem condições emocionais de disputar uma eleição.
No mês passado, Cleitinho perdeu o irmão, Matheus, vítima de leucemia. Os dois eram muito próximos, e o senador ficou profundamente abalado com a morte.
“Quero pedir perdão. O momento não está fácil para mim, para a minha família, e não adianta entrar em uma campanha agora do jeito que estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se não estou cuidando de mim. Tenho que ser honesto”, declarou Cleitinho.
https://x.com/eixopolitico/status/2084349126393659678
Cleitinho revela papel de Nikolas Ferreira no boicote à sua candidatura
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) revelou mais detalhes sobre o veto à sua candidatura pela direção do Republicanos. De acordo com o parlamentar, ele tentou construir um consenso com a direita mineira e procurou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), mas não alcançou esse objetivo.
Além disso, Cleitinho afirmou que não consegue entender a decisão do Republicanos de rejeitar sua candidatura, visto que lidera todas as pesquisas de intenção de voto.
“Eu fiz vários gestos para o Nikolas e, como eu tenho mais de quatro anos de Senado, eu abriria mão para o Nikolas, para ele ser o candidato, e ele não quis. O que eu propus, com toda humildade? Se chegar até julho, perto da eleição, e eu continuar liderando as pesquisas, é mais do que legítimo eu ser candidato. Na última pesquisa, eu tenho 35%”, disse Cleitinho.
Em seguida, ele criticou a direção do Republicanos:
“Eu não estou entendendo o que está acontecendo com o meu partido […] Como é que um partido não quer um candidato que tem 40% de intenção de voto? Estou sem entender o que está acontecendo aqui. Eles dizem que o timing passou, mas como é que o timing passou se eu estou com 40% nas pesquisas?”
https://x.com/94tome14/status/2082855881419493726
Cleitinho desafia Republicanos e diz que será candidato ao governo de Minas
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), afirmou nesta quarta-feira (29), em entrevista à GloboNews, que o senador Cleitinho (MG) não será candidato ao governo de Minas Gerais em 2026.
Menos de uma hora depois, porém, a assessoria do parlamentar divulgou uma nota desmentindo a direção do partido e assegurando que ele disputará o Palácio da Liberdade.
O impasse explode justamente quando Cleitinho lidera todas as pesquisas de intenção de voto e o Republicanos já articula uma aliança em torno de Marcelo Aro (PP), ex-secretário do governador Romeu Zema.
Partido descarta candidatura, senador reage
Por volta das 10h20, Marcos Pereira confirmou à GloboNews que o Republicanos havia encerrado as discussões sobre uma eventual candidatura de Cleitinho ao governo mineiro. A posição foi reforçada em nota conjunta das executivas nacional e estadual da legenda.
Às 11h, veio a resposta.
A assessoria do senador divulgou um comunicado afirmando que Cleitinho será, sim, candidato ao governo de Minas, abrindo um confronto público com a direção do próprio partido.
Na nota oficial, o Republicanos atribuiu a decisão à ausência de Cleitinho na convenção estadual da legenda, realizada no último sábado (25).
Segundo o partido, a falta do senador “representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”. A nota ainda afirma que a legenda trabalhou para viabilizar a candidatura, mas que “faltou a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.
O episódio ocorre um dia após a divulgação da pesquisa Quaest, que mostrou Cleitinho liderando todos os cenários para o governo de Minas, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
https://x.com/republicanos10/status/2082473044031705360
O vídeo que aumentou a crise
Na terça-feira (28), Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que versões recriadas digitalmente de seu pai e de seu irmão, Mateus Azevedo, morto recentemente em decorrência de leucemia, aparecem incentivando o senador a “seguir em frente” e “fazer o que tem que ser feito”.
Nos bastidores do Republicanos, a publicação foi interpretada não como um gesto de confirmação da candidatura, mas como mais um sinal de hesitação.
Por que Cleitinho depende do Republicanos?
O impasse tem uma consequência jurídica importante.
Pela legislação eleitoral, candidatos precisam estar filiados ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição até seis meses antes do pleito. Para 2026, esse prazo expirou em 4 de abril.
Como Cleitinho estava filiado ao Republicanos nessa data, somente a legenda pode registrar sua candidatura ao governo mineiro.
Em outras palavras: mesmo que queira disputar a eleição, o senador depende da autorização do partido. A troca de legenda preservaria seu mandato no Senado, mas inviabilizaria uma candidatura ao Executivo estadual em 2026.
Republicanos aposta em Marcelo Aro
Enquanto o impasse se arrasta, o Republicanos já começou a reorganizar sua estratégia eleitoral.
Ainda nesta quarta-feira, a legenda anunciou apoio ao ex-secretário de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP), apontado como o principal nome para unificar Republicanos, PL e Progressistas em Minas Gerais.
A decisão foi consolidada durante uma reunião por videoconferência que reuniu Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro e o próprio Marcelo Aro.
Ex-deputado federal e vice-presidente nacional do Progressistas, Aro foi um dos principais articuladores políticos do governo Zema. Nos últimos anos, comandou duas secretarias estaduais e deixou o cargo em abril para disputar o Senado, mas mudou de estratégia diante da indefinição de Cleitinho.
PL perde a paciência
A demora do senador também passou a incomodar o PL.
A legenda aguardava uma definição para organizar o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, considerado um dos estados estratégicos da eleição presidencial.
Valdemar Costa Neto não escondeu o incômodo.
Segundo o presidente nacional do PL, Cleitinho “perdeu o timing”, “muda de ideia toda hora” e ainda desperta dúvidas sobre sua capacidade de vencer um eventual segundo turno.
Nos bastidores, dirigentes afirmam que a decisão já foi tomada.
“Passou o tempo”, resumiu um interlocutor da legenda.
A reunião entre Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro e Marcelo Aro consolidou a nova configuração da direita em Minas Gerais. Enquanto Republicanos e PL caminham para fechar uma aliança em torno de Aro, Cleitinho permanece em rota de colisão com o próprio partido e sem definição sobre o futuro político.
VÍDEO: Cleitinho chora, alega problemas pessoais e desiste de disputar o governo de Minas
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