TV Fórum: disputa será entre projeto de soberania da esquerda e entreguismo da extrema direita, diz Natália Boulos

TV Fórum: disputa será entre projeto de soberania da esquerda e entreguismo da extrema direita, diz Natália Boulos
- Natália Boulos. Foto: Reprodução

O Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (3) recebeu a advogada e candidata a deputada federal Natália Boulos (PSOL-SP) para debater o cenário eleitoral no Brasil e em São Paulo, os principais desafios para a esquerda nestas eleições e o papel das mulheres na defesa da democracia. Natália destacou que cada vez fica mais nítido que a eleição presidencial deste ano será muito “estratégica” porque definirá o futuro do país nas próximas décadas. 
A gente tem tido cada vez mais certeza que essa eleição é uma eleição muito estratégica. “Muito mais do que depositar o voto na urna, o eleitor hoje vai estar escolhendo um futuro de uma geração, de décadas para o nosso país”, afirmou Natália. 
A candidata acrescentou que também tem ficado cada vez mais evidente que a disputa será entre um projeto entreguista da extrema direita contra um projeto de soberania do campo progressista. “Essa é a pauta principal dessa eleição”, diz. 
“Se em  2022, o tema foi o tema do golpe, da democracia, do desrespeito às instituições. Em 2026,o tema da eleição é o tema da soberania nacional. Acho que essa é uma pauta prioritária para todos os candidatos do nosso campo”, pontua a candidata. 
Ela completa que o Brasil se tornou hoje o “país da resistência”. “Se a gente for olhar as últimas eleições na América Latina, a gente tem perdido para a extrema direita, viramos o bastião da resistência contra esse novo imperialismo do Trump”, diz Natália. 
A candidata afirma que isso tem refletido na forma que a esquerda tem estruturado alguns elementos norteadores de campanha. Um deles é o tema da misoginia, de acordo com Natália.
“Porque esse é um projeto entreguista, mas também misógino. E acho importante destacar a misoginia como um projeto, porque se assim não fosse a gente não teria vivido no nosso país e há não tanto tempo assim de distância, o impedimento das mulheres de votarem, de terem conta bancária, de se separarem, de terem propriedade privada, porque isso faz parte de um projeto que estamos agora com uma força insistente do campo da extrema direita de retroceder”, destaca Natália.
Juventude cooptada pela extrema direita
Natália também debateu um dos pontos principais desta eleição que é a importância da juventude na política e a cooptação de cada vez mais jovens para a extrema direita. Natália analisa que como resultado da esquerda ter se dedicado a fazer um debate sobre a defesa da democracia a partir das instituições por conta das condições que estavam colocadas na conjuntura após as eleições de 2022, isso fez com que o campo progressista apresentasse um discurso “muito burocrático”. 
“Um discurso muito preocupado com as contas, com o orçamento, com a balança e pouco se conectando com as necessidades do povo mesmo, com as necessidades não só imediatas, mas com as necessidades das pessoas de se sentirem cuidadas, se sentirem ouvidas, se sentirem participantes importantes nos nossos governos”, afirma Natália. 
A candidata acrescenta que ao observar os  jovens optando por um candidato de extrema direita, a esquerda deve “olhar mais para si e menos para eles”. “No sentido de: ‘onde que nós não estamos nos conectando com essa nova geração?'”, questiona Natália. 
“Me incomoda um pouco uma esquerda que começa a dizer que essa geração não presta, que essa geração é muito ruim e esquece de olhar o que nós não estamos conseguindo interpretar. Isso a pesquisa não vai mostrar para a gente. A gente vai ter que viver para entender isso”, afirma a candidata. 
Para Natália, a esquerda erra muito ao não dialogar com o tema da educação, ou dialogar de forma muito tradicional. A gente não vive mais nos anos 1990 nem nos anos 2000. Mudou a relação com a educação, a forma de se pensar a educação e isso tem total relação com as redes sociais, com o celular. A gente precisa se atualizar”, defende a candidata. 
Mulheres têm salvado a democracia no mundo
Natália também falou sobre como as mulheres têm desempenhado papel fundamental na defesa das democracias e na vitória do governos progressistas. “As, mulheres, no mundo estão salvando as democracias”, afirmou ela. 
A candidata destacou que isso tem acontecido porque são as mulheres que sentem mais rapidamente os efeitos imediatos de políticas de precarização e discurso de ódio, como as aplicadas na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de acordo com Natália. 
“Nós temos uma quantidade imensa de famílias que são sustentadas e mantidas por mulheres, a maioria delas mãe solo, e são essas mulheres que estão sentindo o aumento da violência policial, que não é pouca coisa. Inclusive, a gente tem visto cenas horríveis, a última agora do policial socando a cara de uma mulher com uma criança no colo”, citou a candidata. 
Natália acrescentou a piora do transporte público com as privatizações e citou o caso de explosão ocorrida nos trens de São Paulo. “São grande parte mulheres que estão nesses transportes em horário de pico e fora dele também”, diz. Ela também cita a privatização da Sabesp, que tem entregado água suja para moradores. “Isso rebate direto nas mulheres”, completa Natália. 
“E tem, obviamente, o tema da violência contra a mulher”, também cita Natália. A deputada ressalta que o debate sobre o tema tem ganhado cada vez mais repercussão não só pelo aumento de casos mas também com o aprimoramento do combate à violência. No entanto, as mulheres têm percebido que o tema não é destaque no governo de Tarcísio, segundo Natália. 
Confira a entrevista completa da candidata Natália Boulos

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