O ex-senador Álvaro Dias (MDB) anunciou nesta segunda-feira (3) sua desistência de disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná. A decisão foi comunicada em nota pública após o MDB integrar a coligação do PSD e oficializar Rafael Greca como vice de Sandro Alex (PSD) na chapa ao governo estadual. Dias liderava pesquisas de intenção de voto para o Senado, mas a resistência do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), inviabilizou sua entrada na chapa governista.
As motivações de Álvaro Dias
Em nota pública divulgada na tarde desta segunda-feira (3), Álvaro Dias (MDB) comunicou que não disputará uma vaga ao Senado pelo Paraná nas eleições deste ano. O anúncio encerra uma expectativa que se arrastava desde o fim de semana: no domingo (2), durante a convenção estadual do MDB, Dias manteve o suspense e adotou tom conciliador, sem confirmar sua candidatura.
Na nota, o ex-senador foi direto ao ponto. “Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome”, escreveu.
“Jamais aceitarei ser motivo de divisão, ainda mais nessa altura da minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora. Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato.”
O peso do recuo é considerável. Dias era apontado como favorito em pesquisas de intenção de voto para o Senado, incluindo levantamento da Quaest realizado entre 21 e 25 de julho de 2026, com 1.104 entrevistados, margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Sair da disputa nessas condições não é gesto de fraqueza política, como o próprio texto da nota trata de enquadrar: Dias afirmou que tomou a decisão com serenidade, sem mágoas ou ressentimentos, e que “reconhecer o momento de recuar faz parte da maturidade pública.”
Divisões na base de Ratinho Júnior
A desistência de Dias não aconteceu no vácuo. Ela é o resultado direto de uma disputa interna que se acirrou nos dias anteriores ao anúncio. Na sexta-feira (31), o MDB formalizou sua entrada na coligação do PSD em evento na sede do partido em Curitiba, onde Rafael Greca foi oficializado como vice de Sandro Alex (PSD) na chapa ao governo do Paraná. A adesão do MDB, no entanto, abriu uma questão que o grupo governista não conseguiu resolver: quem ocuparia a segunda vaga ao Senado ao lado de Alexandre Curi (Republicanos)?
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Curi já havia sido anunciado como candidato a senador e resistiu à entrada de Dias na chapa. A razão, segundo avaliações nos bastidores, é objetiva: Curi temia que Dias, com maior capital eleitoral nas pesquisas, se tornasse um concorrente dentro da própria aliança. A lógica que orienta essa resistência é a de que a centro-direita, incluindo Curi, disputa efetivamente uma única vaga com Gleisi Hoffmann (PT), enquanto um nome do campo bolsonarista, seja Deltan Dallagnol (Novo) ou Filipe Barros (PL), teria condições de eleger um senador. Nesse cálculo, um Álvaro Dias na chapa não somaria, dividiria.
O governador Ratinho Júnior (PSD), questionado durante o evento de sexta-feira sobre o apoio à segunda cadeira, reconheceu que as conversas internas ainda estavam em curso. A falta de definição pública já sinalizava o impasse que se tornaria explícito dois dias depois, com a nota de desistência de Dias.
Cenário eleitoral
Com a saída de Álvaro Dias, a chapa liderada por Sandro Alex (PSD) precisa definir o segundo nome para o Senado. Antes mesmo de a desistência ser oficializada, Sandro Alex afirmou, em entrevista, que sua chapa apresentaria dois candidatos ao cargo. A declaração mantém a pressão para que o grupo governista feche rapidamente um nome que não repita o desgaste das últimas semanas.
A jornalista Cristina Graeml (PSD), que disputou a prefeitura de Curitiba no segundo turno em 2024 e perdeu, é cotada para ocupar essa segunda vaga. O próprio governador Ratinho Júnior havia mencionado o nome dela como pré-candidata ao Senado durante o evento de formalização da aliança com o MDB.
Genial/Quaest: Gleisi Hoffmann empata em 2º lugar para o Senado
A última pesquisa Genial/Quaest divulgada com as intenções de voto para as eleições de 2026 no Paraná revelou um cenário de amplo domínio da direita e da extrema direita nas três principais disputas do estado.
Para o Senado, Gleisi Hoffmann (PT) aparece empatada em segundo lugar com 10%, ao lado de Alexandre Curi (Republicanos) e Deltan Dallagnol (Novo), enquanto Álvaro Dias (MDB) lidera com 20%. O levantamento, contratado pelo Banco Genial e registrado no TSE, entrevistou 1.104 eleitores entre 21 e 25 de julho e expõe os limites estruturais enfrentados pela esquerda num estado historicamente refratário ao PT.
Álvaro Dias desiste de candidatura ao Senado pelo Paraná
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