O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, rebateu, sem citar nomes, os ataques de Flávio Bolsonaro (PL) às urnas eletrônicas e afirmou que a Justiça Eleitoral está de portas abertas à sociedade. A declaração foi feita durante a retomada dos trabalhos do Poder Judiciário, nesta segunda-feira (3).
Entre as medidas estão demonstrações públicas do funcionamento das urnas eletrônicas, visitas guiadas à Justiça Eleitoral e atividades educativas destinadas à população.
A iniciativa responde diretamente às campanhas de desinformação que marcaram as eleições de 2022, quando aliados do então presidente Jair Bolsonaro disseminaram mentiras sobre a segurança do sistema eletrônico de votação.
Desde que assumiu a presidência do TSE, em maio, Kassio Nunes Marques já vinha sinalizando que o enfrentamento aos ataques contra as urnas seria uma das prioridades de sua gestão.
TSE amplia ações de transparência
Durante a sessão, Kassio Nunes Marques afirmou que a confiança da sociedade no processo eleitoral depende de uma atuação transparente e aberta da Justiça Eleitoral.
“Transparência não é apenas um compromisso desta instituição, é um dos pilares sobre os quais se sustenta a confiança da sociedade nas eleições brasileiras”, declarou.
O discurso marcou a retomada dos trabalhos do TSE após o recesso de julho e indicou o tom que a Corte pretende adotar no período que antecede as eleições.
Urnas serão apresentadas ao público
As ações anunciadas incluem demonstrações públicas das urnas eletrônicas, atividades educativas, visitas guiadas e iniciativas de esclarecimento sobre as diferentes etapas do processo de votação.
Segundo Nunes Marques, a programação começa ainda nesta semana.
O objetivo é ampliar o conhecimento da população sobre o sistema eleitoral e reforçar a segurança, a auditabilidade e a evolução tecnológica das urnas.
“Ampliar o conhecimento da sociedade acerca das diversas etapas do processo eleitoral e reafirmar, por meio da transparência, da informação qualificada e da participação cidadã, a robustez, a auditabilidade e a permanente evolução tecnológica de um sistema que constitui um patrimônio da democracia brasileira”, afirmou.
Resposta aos ataques de 2022
A abertura do funcionamento das urnas à população ocorre após anos de ataques ao sistema eletrônico de votação.
Durante as eleições de 2022, Jair Bolsonaro e seus aliados difundiram acusações sem provas contra as urnas, alimentando dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral.
As ações anunciadas pelo TSE procuram justamente ampliar o acesso à informação e reduzir o espaço para novas campanhas de desinformação.
Nesse contexto, a transparência deixa de ser apenas uma formalidade institucional e passa a funcionar como instrumento de defesa da democracia.
Justiça Eleitoral abre as portas
Nunes Marques também afirmou que a Justiça Eleitoral continuará aberta à sociedade, inclusive a quem deseja acompanhar e fiscalizar o processo.
“As portas da Justiça Eleitoral permanecem abertas para quem deseja conhecer, acompanhar e fiscalizar o processo eleitoral. Transparência não é apenas um compromisso desta instituição. É um dos pilares sobre os quais se sustenta a confiança da sociedade nas eleições brasileiras”, disse o presidente do TSE.
Flávio Bolsonaro condiciona aceitação do resultado eleitoral a TSE “diferente”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-DF), candidato à presidência da República, afirmou neste domingo (2) que aceitará o resultado das eleições de outubro, mas condicionou a legitimidade do processo à atuação de um TSE “imparcial”, sugerindo que o pleito de 2022 não tenha sido legítimo. As declarações foram dadas em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, onde ele também admitiu ter errado ao associar as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic e, mesmo assim, voltou a cobrar “mais camadas de segurança e transparência” no sistema eleitoral, sem especificar quais seriam as fragilidades.
Flávio Bolsonaro e a aceitação ‘condicionada’ do resultado eleitoral
Em entrevista ao “Canal Livre”, da Band, Flávio Bolsonaro declarou:
“Eu vou aceitar [o resultado], vou concorrer com essas regras, e tenho certeza que o TSE, diferente do de 2022, vai ser um TSE imparcial e vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência.”
A frase sintetiza o tom da entrevista: uma aceitação formal do processo eleitoral que carrega, embutida, a desqualificação do pleito anterior.
O senador foi explícito ao associar a “imparcialidade” esperada do TSE em 2026 à presidência do ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020. O contraste com 2022, quando o tribunal era presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, não foi acidental. Ao prometer aceitar o resultado futuro enquanto questiona o passado, Flávio Bolsonaro constrói uma moldura em que a legitimidade das eleições depende de quem ocupa a cadeira do TSE, e não da solidez das instituições em si.
Persistência dos questionamentos sobre as urnas eletrônicas
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro admitiu ter errado ao mentir, em reunião com diplomatas estrangeiros, que as urnas brasileiras seriam fabricadas pela empresa Smartmatic, que ele havia associado a supostas fraudes eleitorais na Venezuela. “Essa parte eu me equivoquei, não produziu”, reconheceu. A admissão, porém, não encerrou o assunto: na sequência, o candidato manteve a cobrança por medidas adicionais no sistema eleitoral. “Qual é a dificuldade de você botar uma camada a mais em segurança, mais transparência?”, questionou, sem indicar quais vulnerabilidades justificariam a exigência.
Flávio enquadrou seu posicionamento não como ataque às urnas, mas como demanda por aprimoramento: “O que eu sempre pedi, e foi o que o Bolsonaro sempre pediu, foi mais segurança e transparência. Mais nada além disso.” Na mesma entrevista, ele citou a negativa de visto a dois integrantes do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil. Segundo reportagem do The Washington Post, os dois estariam envolvidos em uma estratégia para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Para Flávio, a recusa de entrada no país “passa a impressão que está escondendo alguma coisa”, argumento que usa o episódio para reforçar a suspeita sobre o processo, sem apresentar evidência de irregularidade.
“Candidatura de protesto”
Flávio Bolsonaro descreveu sua candidatura ao Planalto como uma “candidatura de protesto” contra o que chamou de “perseguição” ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No campo das propostas, Flávio concentrou o discurso na segurança pública. Defendeu quadruplicar a pena mínima para furto de celular ou receptação, elevando-a para 8 anos, e propôs que detentos trabalhem para custear sua permanência nos presídios. Também classificou as medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro como “extrapolação de limites constitucionais” e comparou a proibição de manifestações políticas ao AI-5. Questionado sobre anistia para os envolvidos na trama golpista de 2022, Flávio afirmou, na mesma entrevista, que, se eleito, tentará aprovar a medida no Congresso Nacional durante a transição do governo Lula para o próximo mandato, incluindo o próprio pai entre os potenciais beneficiários.
Nunes Marques rebate Flávio Bolsonaro e defende as urnas eletrônicas
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