Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo já sabiam que o governo Donald Trump revogaria o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, antes do anúncio público da medida. Dias antes da retaliação, os dois aliados do clã Bolsonaro estiveram em Washington, onde mantêm interlocução com integrantes da administração norte-americana.
O acesso antecipado à informação expõe a proximidade da dupla com setores do governo Trump envolvidos na ofensiva diplomática contra o Brasil. A medida foi conhecida por Eduardo, Figueiredo e um “grupo de jornalistas” antes de ser formalmente comunicada ao governo brasileiro, em meio às articulações internacionais para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
Eduardo Bolsonaro e Figueiredo souberam antes do Itamaraty
Eduardo Bolsonaro esteve em Washington na semana anterior à revogação do visto. Paulo Figueiredo também circulava pela capital norte-americana e participou de uma conversa reservada na qual um representante do Departamento de Estado antecipou a decisão a um grupo restrito.
Figueiredo divulgou a punição enquanto o Itamaraty ainda não havia recebido uma comunicação oficial.
https://x.com/pfigueiredo08/status/2084736598009098392
O conhecimento prévio, contudo, mostra que os dois continuam com acesso privilegiado à administração Trump. Eduardo e Figueiredo atuam nos Estados Unidos pela adoção de sanções, restrições de vistos e medidas econômicas contra autoridades e instituições brasileiras.
Eduardo já admitiu publicamente sua participação nas articulações com Washington. Os dois também comemoraram punições impostas ao Brasil e apresentaram as medidas como instrumentos para pressionar o Supremo Tribunal Federal e o governo Lula.
Trump usa visto da embaixadora para pressionar o Brasil
O governo Trump revogou o visto de Maria Luiza Viotti na terça-feira (4). A diplomata é a chefe da Embaixada do Brasil em Washington e a representante de mais alto nível do país nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado alegou reciprocidade. Segundo Washington, a decisão respondeu à negativa brasileira de vistos para dois funcionários norte-americanos e à demora na concessão do agrément ao nome indicado por Trump para chefiar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
A revogação não significa uma expulsão imediata. Viotti pode permanecer nos Estados Unidos, mas poderá ser impedida de retornar caso deixe o país enquanto estiver sem um visto válido.
A administração Trump vinculou o restabelecimento do documento à resolução do impasse diplomático. Na prática, a situação migratória da embaixadora passou a ser usada como instrumento para pressionar o Brasil a aceitar a indicação norte-americana.
Missão dos Estados Unidos trataria das eleições brasileiras
A crise se agravou depois que o Brasil negou vistos a dois integrantes do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país para tratar de integridade eleitoral, liberdade de expressão e plataformas digitais.
O governo Lula avaliou que a missão poderia ser utilizada para questionar as urnas eletrônicas e interferir no processo eleitoral. A agenda coincidia com novos ataques de Flávio Bolsonaro ao sistema de votação e com a ampliação do apoio de Trump ao candidato da extrema direita.
A punição contra Viotti elevou o confronto ao atingir diretamente a chefe da missão diplomática brasileira. O episódio se soma às tarifas, sanções e ameaças usadas pela Casa Branca para pressionar o Brasil durante a campanha presidencial.
Ofensiva de Trump favorece Flávio Bolsonaro
A movimentação de Eduardo Bolsonaro em Washington integra uma articulação internacional mais ampla. Como mostrou a Fórum, Donald Trump, Javier Milei, Benjamin Netanyahu e representantes das big techs passaram a atuar no ambiente eleitoral brasileiro em favor de Flávio Bolsonaro.
Milei participou do lançamento da candidatura do senador, atacou Lula e pediu apoio ao bolsonarista. Netanyahu também enviou uma mensagem para o evento. Nos Estados Unidos, integrantes do governo Trump abriram espaço para Flávio enquanto ampliavam as pressões contra o governo brasileiro.
Eduardo Bolsonaro esteve na Casa Branca antes do governo Trump retirar visto de embaixadora
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