“Trégua” com Michelle e proibição de visita a Bolsonaro ajudam Flávio, diz Quaest

“Trégua” com Michelle e proibição de visita a Bolsonaro ajudam Flávio, diz Quaest
"Trégua" com Michelle e proibição de visita a Bolsonaro ajudam Flávio, diz Quaest 1

A mais recente pesquisa Genial/Quaest indica uma pequena recuperação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. Segundo o levantamento, o senador avançou tanto nas intenções de voto quanto nos indicadores de potencial eleitoral, além de reduzir sua rejeição. O movimento, na avaliação do diretor da Quaest, Felipe Nunes, está ligado à reorganização da direita e a acontecimentos recentes envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
No cenário estimulado de primeiro turno, Flávio passou de 28% para 30% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou de 40% para 39%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Filho (MDB) aparecem com 4% cada, Romeu Zema (Novo) tem 2%, e os indecisos somam 10%.

Segundo turno
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista recuou de 45% para 44%, enquanto o senador subiu de 37% para 39%, reduzindo a diferença entre os dois candidatos em três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

Além da melhora nas intenções de voto, Flávio ampliou seu potencial eleitoral de 38% para 41%, reduziu sua rejeição de 57% para 54% e viu crescer de 62% para 68% o percentual de eleitores que afirmam ter voto definitivo nele.
Reorganização da direita
Para Felipe Nunes, a recuperação é resultado da reorganização do campo da direita. Segundo ele, eleitores antipetistas voltaram a considerar Flávio como principal alternativa. Entre os eleitores de direita não bolsonaristas, o apoio ao senador em um eventual segundo turno passou de 74% para 81%, enquanto entre bolsonaristas avançou de 91% para 95%.
Na avaliação do cientista político, um dos principais fatores para essa mudança foi a reconciliação pública entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. De acordo com a pesquisa, 59% dos entrevistados consideram que a reaproximação foi positiva. O índice chega a 88% entre eleitores da direita não bolsonarista e a 90% entre bolsonaristas.

A pesquisa também mostra que aumentou a percepção de que Michelle pode ser decisiva para uma eventual vitória do senador. Atualmente, 46% dos entrevistados acreditam que seu apoio fortalece as chances eleitorais de Flávio, ante 38% registrados em julho. Entre bolsonaristas, esse percentual saltou de 45% para 79%, enquanto entre eleitores da direita não bolsonarista passou de 53% para 70%.

Proibição de visita
Outro fator apontado por Felipe Nunes foi a repercussão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados consideram a medida equivocada, enquanto 41% a classificam como correta. A percepção de exagero chega a 83% entre eleitores da direita não bolsonarista, 92% entre bolsonaristas e alcança 50% entre os independentes.

Na interpretação do diretor da Quaest, a combinação entre a reconciliação com Michelle Bolsonaro e a reação negativa à restrição imposta pelo STF explica melhor a recuperação eleitoral do senador do que suas declarações sobre o sistema eleitoral. Segundo ele, as falas sobre as urnas eletrônicas têm efeito limitado e chegam a reduzir a disposição de voto em Flávio para parte do eleitorado.

Desenrola e redução de IR
Enquanto isso, fatores que vinham favorecendo Lula, segundo Felipe Nunes, perderam parte do impacto político. A percepção positiva sobre o programa Desenrola caiu de 55% para 47%, enquanto o percentual de pessoas que afirmam ter sido beneficiadas recuou de 12% para 10%. Entre os beneficiários, também diminuiu o número dos que afirmam ter percebido melhora significativa na renda.

A isenção do Imposto de Renda apresentou movimento semelhante. O percentual de entrevistados que dizem ter sido beneficiados passou de 32% para 30%. Entre eles, aumentou o grupo que afirma não ter percebido diferença na renda, enquanto diminuiu o dos que relatam ganho significativo.

Aprovação do governo
Apesar disso, a aprovação do governo permaneceu praticamente estável, em 48%, contra 47% de desaprovação.

Tarifaço
Felipe Nunes também identifica um desgaste na resposta do governo brasileiro ao novo tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em maio, a reação de Lula era aprovada por 39% dos entrevistados e reprovada por 36%. Agora, 43% avaliam que o governo reagiu mal, enquanto 38% consideram que a resposta foi adequada.

Esse movimento também reduziu a vantagem de Lula na percepção de quem melhor defende os interesses do Brasil. Em julho, o petista liderava esse indicador por 51% a 34%. No levantamento atual, a diferença caiu para oito pontos percentuais, com 46% para Lula e 38% para Flávio Bolsonaro.

As outras candidaturas
No campo das candidaturas alternativas, a pesquisa mostra que ainda não houve crescimento expressivo no primeiro turno. Os 10% de eleitores indecisos continuam sem definir uma opção. Nas simulações de segundo turno, Ronaldo Caiado apresenta avanço gradual, enquanto Renan Filho continua reduzindo a diferença para Lula. Já Romeu Zema perdeu espaço nas últimas pesquisas e ampliou sua desvantagem diante do presidente.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.

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