Uma sessão da Câmara Municipal de Curitiba terminou em acusação de xenofobia nesta quarta-feira (5), depois que Tathiana Guzella (PL) mandou Vanda de Assis (PT) voltar para o Ceará, estado onde a parlamentar petista nasceu.
A discussão ocorreu durante a análise de um projeto que cria um cadastro municipal de pessoas em situação de rua. Assistente social, Vanda criticava a proposta e argumentava que Curitiba já possui instrumentos de cadastramento, mas enfrenta falta de vagas de acolhimento e de atendimento efetivo para essa população.
Tathiana pediu um aparte e, após questionar a atuação do PT, atacou a origem da colega.
“A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui”, afirmou a parlamentar do PL.
Vanda retirou o aparte, enquanto o vereador Leonidas Dias (Podemos), que conduzia a sessão, desligou o microfone de Tathiana e devolveu a palavra à petista.
Vanda classificou a declaração como xenofóbica e anunciou que apresentará uma representação contra a vereadora. Em nota divulgada posteriormente, informou que também pretende adotar medidas na Justiça e afirmou que não tratará o episódio como uma simples divergência política.
“Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação”, declarou.
A líder da oposição e segunda vice-corregedora da Câmara, Camilla Gonda (PSB), pediu que a fala fosse reproduzida integralmente na ata e nas notas taquigráficas. Ela também solicitou a preservação do áudio e do vídeo da sessão, com a identificação exata do momento em que ocorreu a declaração.
Giorgia Prates (PT) defendeu que o caso seja analisado como uma possível violação do Código de Ética da Casa. Para a vereadora, o ataque pessoal foi usado para substituir o debate sobre o projeto.
Natural de Campos Sales, no Ceará, Vanda vive em Curitiba há cerca de 30 anos. Ela foi eleita em 2024 para exercer seu primeiro mandato na Câmara Municipal.
A proposta debatida no momento do episódio foi aprovada em primeiro turno por 22 votos a 8. O texto prevê a coleta de dados para orientar políticas de acolhimento e assistência às pessoas em situação de rua e ainda passará por uma segunda votação.
“Volta para o Ceará”: vereadora do PL é acusada de xenofobia contra nordestinos em Curitiba
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