Nunes Marques afaga Meta em ação que beneficia Flávio Bolsonaro

Nunes Marques afaga Meta em ação que beneficia Flávio Bolsonaro
O ministro do STF Kássio Nunes Marques - Foto: Nelson Jr/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, concedeu mais prazo para a Meta se manifestar na ação apresentada pelo Partido Liberal (PL) sobre uma suposta rede de perfis fantasmas que teria financiado anúncios contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A prorrogação atende a um pedido da empresa responsável por Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp.
A decisão beneficia a defesa eleitoral de Flávio Bolsonaro porque mantém em andamento as medidas solicitadas pelo PL para identificar os responsáveis pelas contas e os financiadores dos impulsionamentos. Ao mesmo tempo, o prazo adicional adia a entrega de informações que podem esclarecer a origem do dinheiro empregado na campanha digital.
A ampliação do prazo foi revelada nesta quinta-feira (6) pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. O processo tramita sob segredo de Justiça, o que impede o acesso público ao conteúdo integral das manifestações apresentadas pela Meta e das decisões tomadas por Nunes Marques.
Nunes Marques amplia prazo da Meta em ação de Flávio Bolsonaro
A ação foi protocolada pelo PL após a equipe de Flávio Bolsonaro afirmar que identificou dezenas de páginas com poucos seguidores, mas responsáveis por grandes despesas com anúncios negativos contra o senador e candidato à Presidência da República.
Em decisão anterior, assinada em 24 de julho, Nunes Marques determinou que a Meta preservasse os dados dos perfis apontados pelo partido. A ordem alcançou informações cadastrais e registros relacionados ao pagamento dos anúncios, que podem ajudar a identificar quem criou, administrou e financiou as páginas.
A determinação de preservar os registros não confirma a existência de uma organização criminosa nem comprova que os perfis tenham cometido ilícitos eleitorais. Nesta etapa, o TSE busca impedir que informações sejam apagadas antes da análise do caso.
O novo prazo concedido à Meta também não representa uma decisão definitiva sobre os pedidos do PL. A empresa ainda deverá apresentar sua manifestação, enquanto Nunes Marques poderá decidir posteriormente sobre a quebra de sigilo, a identificação dos anunciantes e a eventual retirada das contas.
PL fala em R$ 3 milhões e 250 milhões de visualizações
Segundo a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, foram inicialmente identificados 57 perfis responsáveis pela publicação de mais de 4,6 mil anúncios patrocinados. O PL afirma que os impulsionamentos movimentaram aproximadamente R$ 3 milhões e alcançaram cerca de 250 milhões de visualizações.
Esses números foram apresentados pelo partido e ainda dependem de verificação independente e da análise da Justiça Eleitoral. O PL também estima que a estrutura possa envolver mais de 20 mil contas e valores superiores a R$ 20 milhões, mas essa projeção não foi confirmada pelo TSE ou pela Meta.
Os advogados da campanha afirmam que algumas contas tinham entre 20 e 50 seguidores, mas chegaram a gastar valores elevados com publicidade. Os pagamentos teriam sido realizados em reais, dólares e pesos colombianos.
A legenda também sustenta que os perfis eram criados, usados para impulsionar conteúdo negativo e posteriormente apagados, o que dificultaria a identificação dos responsáveis. Além de Flávio, os anúncios teriam atingido os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC).
O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), reuniu-se com Nunes Marques antes da primeira decisão. A comitiva também contou com a advogada Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE, e com o advogado Marcelo Bessa.
Meta terá de esclarecer publicidade política nas plataformas
As informações solicitadas à Meta podem esclarecer quem cadastrou as contas, quais meios de pagamento foram utilizados, quem contratou os anúncios e qual foi o alcance efetivo das publicações.
A Biblioteca de Anúncios da empresa permite consultar publicidade veiculada no Facebook e no Instagram, incluindo anúncios relacionados a temas sociais, eleições e política. Os dados públicos, no entanto, nem sempre revelam todos os responsáveis por estruturas que utilizam documentos, telefones ou meios de pagamento de terceiros.
Em julho, o TSE e a Meta firmaram um memorando de entendimento para as eleições de 2026. O acordo prevê cooperação no enfrentamento à desinformação, capacitação de servidores e acesso a ferramentas de transparência, como a Biblioteca de Anúncios. As medidas foram detalhadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
A concessão de mais tempo à plataforma ocorre justamente quando a Justiça Eleitoral afirma buscar respostas rápidas diante de possíveis abusos no ambiente digital. O prazo adicional não encerra o processo, mas posterga o acesso aos dados considerados centrais pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Nunes Marques acumula decisões favoráveis a Flávio Bolsonaro
Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Jair Bolsonaro, comandará o TSE durante as eleições de 2026. Sua atuação em processos envolvendo Flávio tem sido acompanhada com atenção por partidos e integrantes da Corte.
Além de mandar a Meta preservar os dados dos perfis apontados pelo PL, Nunes Marques adotou decisões que atenderam a pedidos da campanha bolsonarista em outras disputas eleitorais.
A Fórum mostrou que Nunes Marques barrou um vídeo que ligava Flávio Bolsonaro a integrantes do PCC, após uma ação apresentada contra conteúdo divulgado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O histórico também inclui a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel questionada pelo PL. O ministro considerou, em decisão provisória, que havia indícios de indução dos entrevistados em prejuízo de Flávio Bolsonaro. A medida foi tomada antes do julgamento definitivo pelo plenário do tribunal.
No caso dos supostos perfis fantasmas, ainda não há conclusão sobre a existência de coordenação, fraude, financiamento ilegal ou participação de adversários políticos. A resposta da Meta será uma das peças usadas pelo TSE para decidir se autoriza o aprofundamento da investigação.

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