Prisão de Milton Leite foi comentada neste sábado (19) pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que afirmou que o ex-vereador terá espaço para se defender, mas que “cada um tem que responder pelos seus atos”. A declaração foi dada na abertura da Virada Esportiva, no Pacaembu, um dia depois de Leite se entregar à Polícia Civil em Mogi das Cruzes.
Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e uma das principais lideranças do União Brasil no estado, é alvo da Operação Vectura Corrupta, da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e possíveis conexões da facção com empresas, agentes públicos e campanhas eleitorais.
Nunes disse que não pretende antecipar culpa e que caberá à Justiça decidir sobre a responsabilidade do antigo aliado. O prefeito também afirmou que não conversou com Milton Leite nem com os filhos dele desde a prisão.
Prisão de Milton Leite expõe relação antiga com Nunes
A relação política entre os dois é antiga. Milton Leite foi um dos principais articuladores da base municipal durante as gestões de João Doria, Bruno Covas e Ricardo Nunes e acumulou influência sobre a Câmara e sobre áreas da administração paulistana.
Em 2024, Leite chegou a colocar seu nome à disposição para ser vice de Nunes na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A vaga acabou ficando com o coronel Ricardo Mello Araújo. Mesmo depois de deixar a Câmara, no fim daquele ano, Leite permaneceu ativo nos bastidores da política municipal.
Seu filho Alexandre Leite também integrou diretamente a gestão Nunes. Em fevereiro de 2025, foi nomeado secretário municipal de Relações Institucionais, posto estratégico para a interlocução da Prefeitura com Brasília e outras esferas de governo. Ele deixou a função em março de 2026 para disputar as eleições, e Nunes participou do lançamento de sua campanha.
A Fórum mostrou nesta semana que Milton Leite também se aproximou do governador Tarcísio de Freitas e participou da articulação política da Federação União Progressista em São Paulo.
O que investiga a Operação Vectura Corrupta
Deflagrada na quinta-feira (17), a operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em uma investigação sobre lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes em licitações e a presença do PCC no setor de ônibus. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decúrio, de 2024.
Leite aparece diretamente entre os alvos. Os investigadores sustentam que há indícios de sua participação em decisões relacionadas a empresas de transporte e citam depoimentos e comunicações apreendidas ao longo da apuração. Uma das linhas investigativas envolve a Transwolff, empresa que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha.
A Fórum noticiou na quinta-feira que Leite teve a prisão temporária decretada no âmbito da operação. Ele não foi localizado no primeiro dia e posteriormente afirmou que estava viajando e que se apresentaria às autoridades.
Na sexta-feira (18), Leite compareceu à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, acompanhado de advogado, e foi preso. A Justiça manteve a custódia no sábado. O mandado de prisão temporária tem prazo de 30 dias.
Antes da audiência de custódia, o ex-vereador apresentou um pico de pressão e recebeu atendimento médico. Depois, a sessão foi realizada e, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram identificadas irregularidades no cumprimento da prisão.
Milton Leite nega acusações
Milton Leite nega ter qualquer ligação com o PCC e rejeita a afirmação de que seria dono de fato da Transwolff. Em manifestações divulgadas desde o início da operação, afirmou que pretende provar sua inocência e que sua atuação no setor de transporte sempre ocorreu no campo político e institucional.
A prisão temporária não representa condenação. A investigação segue em andamento e ainda poderá resultar em denúncia, arquivamento ou outras medidas, a depender das provas reunidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
Ao comentar o caso, Nunes afirmou que a relação política com Leite não o torna responsável por eventuais atos atribuídos ao ex-vereador. O prefeito disse que Leite terá oportunidade de apresentar sua defesa e que caberá ao Ministério Público sustentar as acusações e à Justiça decidir o caso.
Nunes reage à prisão de Milton Leite: “Cada um tem que responder pelos seus atos”
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