Site do PL alimenta ódio contra Lula com 50 posts por semana, diz PT em ação no TSE

Site do PL alimenta ódio contra Lula com 50 posts por semana, diz PT em ação no TSE
Convenção do PL - Foto.: Beto Barata/PL.

O Partido dos Trabalhadores protocolou na quinta-feira (6) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral contra o site Direita Já, ligado ao Partido Liberal e ao senador Flávio Bolsonaro. Na ação, o PT acusa a plataforma de funcionar como uma central organizada de distribuição de desinformação e ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seus aliados e o processo eleitoral, disponibilizando material pronto para influenciadores digitais com a promessa de até 50 milhões de visualizações por publicação compartilhada.
PT aciona TSE contra site Direita Já
O Partido dos Trabalhadores levou ao Tribunal Superior Eleitoral, na quinta-feira (6), uma representação formal contra o site Direita Já, plataforma digital associada ao Partido Liberal e ao senador Flávio Bolsonaro. O pedido central é a retirada do ar dos conteúdos que o partido classifica como irregulares, mas a ação vai além: o PT quer que o TSE intervenha na estrutura de distribuição do material e investigue de onde vem o dinheiro que sustenta a operação.
Na representação, o PT descreve o Direita Já não como um site de notícias comum, mas como um instrumento de ataque político coordenado. A plataforma, segundo o partido, distribui de forma organizada materiais com desinformação e ataques contra Lula, aliados e o próprio processo eleitoral. A ligação com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL em 2026, confere à ação um peso que ultrapassa a disputa jurídica imediata: ela sinaliza que o confronto digital entre os campos já está em curso, a mais de um ano das eleições.
As acusações do PT: desinformação e ‘hub’ de ataques
O PT descreve o Direita Já como um “hub de alimentação de outras páginas na internet”, que disponibiliza cards e vídeos prontos para republicação. Segundo a representação, a plataforma libera até 50 posts por semana, a grande maioria composta por ataques a Lula e ao PT. Entre o material distribuído, o partido aponta conteúdos com alegações de deep fakes, associações de Lula a escândalos como os do Banco Master e do INSS, e até posts que vinculam o presidente ao PCC, ao Comando Vermelho e ao narcotráfico. Há também peças de exaltação a Flávio Bolsonaro e ao seu vice, Alfredo Gaspar.
O mecanismo de distribuição em escala é descrito na ação por meio do programa Creators: influenciadores se cadastram no site, informam seus perfis nas redes sociais e recebem a promessa de alcançar até 50 milhões de visualizações ao republicar o conteúdo disponibilizado pela plataforma.
O PT argumenta que boa parte desse material já foi classificada pelo próprio TSE como problemática. Na representação, o partido cita o Repositório de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal, que reúne conteúdos identificados como “fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral”, e afirma que o PL produz e distribui coordenadamente peças que confrontam essas decisões. Em outras palavras, segundo o PT, o site não apenas espalha desinformação: espalha desinformação que o TSE já sinalizou como ilícita.
Os pedidos do PT ao TSE e o contexto eleitoral
A representação faz três pedidos concretos ao TSE. O primeiro é a retirada do ar dos conteúdos considerados irregulares. O segundo é a suspensão do programa Creators. O terceiro, e talvez o mais revelador sobre a estratégia do PT, é a abertura de investigação para verificar se recursos do Fundo Partidário estão sendo utilizados para remunerar influenciadores e custear a produção e a divulgação do material. Esse último pedido aponta para uma suspeita que, se confirmada, configuraria uso indevido de verba pública para fins eleitorais.
A ação é descrita como mais um capítulo da guerra jurídica entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, com olhos nas eleições de 2026. O movimento do PT busca expor uma estrutura que opera sob a aparência de um site de conteúdo político, mas que, segundo o partido, funciona como braço de campanha antecipada financiado por dinheiro partidário. O TSE ainda não se manifestou sobre a representação. O PL e Flávio Bolsonaro também não se pronunciaram publicamente sobre as acusações até o fechamento desta matéria.

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