Garotinho é de esquerda ou de direita?

Garotinho é de esquerda ou de direita?
Anthony Garotinho - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Anthony Garotinho chega à eleição de 2026 para o governo do Rio de Janeiro com uma trajetória que atravessa diferentes partidos e momentos do espectro político. Hoje filiado ao Republicanos, o ex-governador se apresenta como trabalhista, conservador e cristão, e rejeita a ideia de ser definido apenas como alguém de esquerda ou de direita uma vez que sua trajetória inclui filiações e alianças com partido de ambos os espectros, PT, PDT, PSB, PCdoB, PMDB, PR e Republicanos. 
Garotinho começou na esquerda
Garotinho iniciou sua militância política em um ambiente ligado à esquerda. Segundo levantamento biográfico da PUC-SP, ele foi influenciado por ideias do Partido Comunista Brasileiro (PCB), participou da fundação do PT e se filiou à legenda. Em 1983, migrou para o PDT, partido historicamente associado ao trabalhismo e à centro-esquerda.
Pelo PDT, foi eleito prefeito de Campos dos Goytacazes e, em 1998, venceu a disputa pelo governo do Rio. Naquele pleito, sua coligação reunia PDT, PT, PSB, PCdoB e PCB, uma aliança de partidos de esquerda.
Durante o governo estadual, entre 1999 e 2002, a marca social foi uma das características de sua administração. Entre as iniciativas estão o Restaurante Popular, com refeições a preço simbólico, e o Cheque Cidadão, programa de transferência de renda voltado a famílias de baixa renda. Em discurso na Câmara dos Deputados, Garotinho também reivindicou a criação desses programas e destacou políticas de desenvolvimento e incentivo à indústria naval.
Da esquerda partidária ao campo conservador de direita
A trajetória de Garotinho, porém, não permaneceu vinculada às mesmas forças políticas. Em 2000, deixou o PDT e ingressou no PSB. Dois anos depois, disputou a Presidência pelo partido e terminou em terceiro lugar, com mais de 15 milhões de votos. Depois, passou pelo PMDB e pelo PR, até chegar ao Republicanos, legenda pela qual disputa o governo fluminense novamente em 2026.
A religião também ganhou peso em sua atuação pública. Em entrevista à Folha/UOL, em 2012, Garotinho afirmou que sempre teve posições de esquerda, mas disse que existem evangélicos de esquerda, centro e direita e criticou a tentativa de reduzir a política a uma disputa entre esses polos.
Em registro mais recente, o próprio Garotinho passou a se descrever de maneira diferente. Em entrevista publicada em 2026, ao ser questionado se era de esquerda ou de direita, afirmou que rejeita os dois rótulos e disse se considerar “trabalhista, conservador e cristão”. A declaração ajuda a explicar por que sua posição atual não coincide exatamente com a classificação baseada apenas em sua origem partidária.
O que o Republicanos representa na trajetória atual
Em 2026, Garotinho é candidato ao governo do Rio pelo Republicanos. A candidatura foi oficializada pelo partido em julho, durante convenção estadual. 
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A escolha do Republicanos, um dos principais partidos conservadores, é um elemento importante para entender o posicionamento atual de Garotinho, mas não é suficiente, sozinha, para definir toda a trajetória. A legenda tem presença entre lideranças conservadoras e evangélicas, enquanto Garotinho construiu sua carreira em uma tradição trabalhista e de políticas sociais.
No material da própria campanha, Garotinho também enfatiza realizações de seu antigo governo, como o Restaurante Popular, o Cheque Cidadão, o Café do Trabalhador e o programa Delegacia Legal. Para 2026, seu plano de governo é apresentado em 28 áreas, com destaque para saúde, segurança, emprego e serviços públicos.
Então, Garotinho é de esquerda ou de direita?
Não há uma única resposta para a trajetória de Anthony Garotinho. Historicamente, sua formação política e sua ascensão ao governo do Rio ocorreram dentro de partidos e alianças associados à esquerda e ao trabalhismo. Porém, ao longo dos anos, Garotinho mudou de partidos, aproximou-se de setores conservadores e passou a incorporar de maneira mais explícita uma identidade ligada ao conservadorismo.
Em 2026, sua filiação ao Republicanos reforça esse posicionamento atual, enquanto suas propostas sociais preservam elementos presentes desde sua passagem pelo PDT e pelo PSB.
Por isso, definir Garotinho simplesmente como “de esquerda” ignora sua posição política atual, assim como classificá-lo exclusivamente como “de direita” apaga sua origem e parte importante de sua atuação.  Na eleição de 2026, esse histórico ganha novo significado: Garotinho retorna à disputa pelo Palácio Guanabara pelo Republicanos, após uma trajetória por diferentes partidos e campos políticos.

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